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Poder de mercado e o preço da caneta

2015-01-08 20.49.49Dois mercados distintos: capital mineira e capital paulista. Logo, você vai me dizer, dá para fazer discriminação de preços e ganhar com as diferentes demandas. Bem, se elas forem mesmo diferentes, isso poderia fazer sentido.

Mas eis que a caneta que encontrei em ambos os lugares estava exatamente com o mesmo preço. Um, o bairro comercial da Savassi, em Belo Horizonte. O outro, o luxuoso Shopping JK Iguatemi. Diferentes mercados, diferentes públicos, mas o preço foi tal e qual um picolé Kibon com seu famigerado preço sugerido que os vendedores costumam tomar como preço imutável.

Qual a explicação econômica para este preço idêntico? Não vale falar em concorrência perfeita porque no mercado de canetas, a marca faz alguma diferença. Tudo bem que esta não é a mais luxuosa, mas não é uma descartável, ou seja, a marca importa, o que nos leva para um mercado mais parecido com o de concorrência monopolista.

Quanto à discriminação geográfica de preços, lembremo-nos do manual (no que diz respeito ao monopólio). Conforme um deles, antigo, mas ótimo:

Price discrimination is feasible only if buyers are unable to purchase the product in one market and resell it in another [Henderson, J.M. & Quandt, R.E. (1958). Microeconomic Theory – A Mathematical Approach, McGraw-Hill, p.170]

Pois é. Caneta não é tão difícil assim de ser revendida em outra cidade. Os custos de transporte não são assim tão proibitivos, neste caso. Belo Horizonte e São Paulo? Creio que não. Assim, a uniformidade do preço nas duas cidades poderia ser explicado por este motivo.

Qual a sua hipótese? Espaço aberto nos comentários.

p.s. Eu queria ver algo sobre discriminação de preços em competição monopolista, mas não consegui.