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Algumas coisas óbvias que alguns candidatos não entendem porque estão de má fé ou são ignorantes

Ignorantes ignoram, por definição. Má fé, ah, má fé é muito chato. Mas eis algumas coisas óbvias que alguns candidatos ou ignoram por ignorância ou por má fé: a relação entre juros altos e bancos. Nada de gráficos, equações ou termos técnicos. O que vamos perder pela falta de exatidão, espero, ganharemos em clareza na visão do todo. Serve como um passo inicial para se desfazer das mentiras.

Vou explicar de maneira (excessivamente) simples. Peço desculpas antecipadas aos leitores do blog. Então, vamos lá: um governo se financia com impostos. Para que? Para gastar. Com o que? Não interessa. Ele gasta. Ponto. Ah sim, ele pode vender patrimônio – privatizar – mas patrimônio, um dia, acaba. Então, tem que viver de impostos.

Mas impostos não precisam ser criados para cobrir gastos em um único mês, trimestre ou ano. Veja, você ganha um salário, gasta metade dele e, em três meses, paga a prestação de sua dívida. Certo? Assim também é com o governo. Então o governo se endivida como você? Sim. Ele quer gastar mais do que pode e não consegue aumentar os impostos sobre você e seus amigos porque senão vocês teriam, digamos, 100% de sua renda tributada. Seria a escravidão e o nosso Judiciário ficaria muito sem graça e ressentido de ter que admitir que parte de sua remuneração viria de um regime pré-Princesa Isabel. Entendeu?

Bom, como é que o governo se endivida? Como você e como empresas: lança títulos no mercado e promete pagar juros. Caso tenha fama de mau pagador, tem que oferecer juros altos e prazos curtos. Que aposentado, jovem ou trabalhador emprestaria a um governo assim? Perder o seu suado dinheiro em papéis podres? Nem pensar, não é? Bom, então, o governo oferece juros altos.

Do lado do senhor e da senhora, aposentados, estudantes, militante virtual que recebe R$ 100,00 por mês para difamar pessoas (sim, eles existem), dono de padaria e funcionário público, enfim, do lado de gente que poupa, você não vai encontrar ninguém que queira perder dinheiro no banco. São estes, sim, os verdadeiros gananciosos que desejam colocar R$ 1.00 no banco e tirar, no mês seguinte, pelo menos R$ 1.00 ou mais de R$ 1.00. Está claro?

Pois é. Então o sujeito, pai de família, que trabalha no banco e assiste propaganda eleitoral estúpida, tem que ajudar estas pessoas fazendo com que seu dinheiro renda algo acima, pelo menos, de zero e, melhor ainda, mais do que a inflação. É o trabalho dele. Ele só o tem se coopera com as pessoas ajudando-as a ganhar mais. É um trabalhador como outro qualquer.

Aí ele olha os títulos no mercado. Geralmente os rendimentos que se prometem não são altos e os prazos são longos. Mas lá está o governo do ministro Mantega lhe oferecendo títulos com juros mais altos. O que ele faz? O mesmo que você: compõe uma carteira com estes títulos. Todos ficam felizes, não é? O governo se financia, o sujeito do banco garante mais um tempo de salário e os eleitores ganham um rendimento ali, no limite, quase acima da inflação ou algo melhor: depende da composição da carteira.

Agora, antes de falar de pseudo-conceitos científicos – mas populares entre jornalistas, políticos e economistas ignorantes – pense um pouco: a quem interessa uma taxa de juros alta? E olha que eu nem falei da inadimplência e outros fatores. O fato é que é o governo, sim, um dos grandes responsáveis pela elevada taxa de juros e isto não é porque o Banco Central é autônomo, independente, magnético ou diabético. Mais do que isso, todo chorão que reclama de juros altos os adora quando é hora de receber rendimentos de fundos de aplicação. Sim, boa parte dos chorões é hipócrita e mentirosa, mas há os que são enganados por este discurso…até hoje.

Por que o governo gasta? Por que tudo isto? Bom, isto é outra discussão. A de hoje é apenas esta: lembrar a você que a “ganância” do “capitalismo” é exatamente o que faz seu professor – que maldiz o mercado – aplicar nos fundos que aplica. Não tem nada demais nisto. Além disso, o governo, que ele tanto ama, é o mesmo que gera juros altos. Olha, eu nem falei da insegurança que ataques ao banco central por parte de gente que deveria defendê-lo, ou seja, gente do governo, causam nas taxas de juros. Mas eu explico rapidinho com um exemplo.

Suponha que eu seja o cara mais confiável do bairro e que os pais me pedem para buscar seus filhos na escola. Carona solidária.Tudo vai bem até que um dos pais que topou o arranjo espalha o boato de que maltrato a meninada ou que sou um pedófilo. Veja, não é alguém de fora que diz isso, mas um dos pais envolvido no acordo informal. 

Ele põe em cheque minha capacidade de ajudar os pais trazendo seus filhos de volta para casa. O que acontecerá? Terei que gastar meu tempo desfazendo boatos. Talvez tenha até que cobrar para buscar os meninos e criar um contrato legal – aumentando custos – para mostrar que sou uma pessoa confiável. No limite, posso até perder amigos, mas o fato é que o custo de continuar fazendo o transporte aumentará. 

Bem, um banco central cuja autoridade é questionada por quem está no governo só tem duas opções: assumir que é o que não é e curvar-se ao governo ou mostrar que é autônomo e…aumentar os juros.

Estamos conversados?

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