Uncategorized

Google e R – teoria do consumidor em ação (e um aviso)

Como medir o impacto de uma estratégia (incentivo) sobre a demanda? Esta pergunta assombra os economistas há séculos. Bem, lá na Google, cujo economista-chefe é o Hal R. Varian, autor do livro de Microeconomia mais badalado no mestrado (pelo menos assim o era nos anos 90) e também de um bom livro de graduação (até hoje), eles levam esta questão muito a sério.

Obviamente, eles usam o R como uma das ferramentas de trabalho. Eis o exemplo mais recente. Reproduzo o trecho.

Google has just released a new package for R: CausalImpact. Amongst many other things, this package allows Google to resolve the classical conundrum: how can we asses the impact of an intervention (for example, the effect of an advertising campaign on website clicks) when we can’t know what would have happened if we hadn’t run the campaign? For a marketer, the worry is that the spike in clicks was partially or wholly the result of something unrelated (say, a general increase in web traffic) rather than your campaign.

Como diriam os americanos: how awesome is this? Eu te digo: muito. O pequeno texto – cujo trecho citei acima – explica rapidamente como funciona o exemplo.

Muitos alunos de Ciências Econômicas (e outros de Marketing) fogem da parte de métodos quantitativos com as desculpas mais variadas, mas o progresso gerado pelos mercados (Schumpeter, Smith, Mises, etc) tem levado nossa profissão para um grau de sofisticação nesta área do qual não podemos mais escapar. Acabou aquele choro de “não quero aprender Econometria” ou “não sei o que fazer porque minha faculdade não ‘tem o Eviews'”.

Com o passar dos anos tem ficado claro que escolas de Economia que se recusem a ensinar Cálculo não vão colocar no mercado profissionais que vençam um chinês de 14 anos. As escolas que se fiarem em retórica apenas ou na formação de quadros para movimentos e partidos ideológicos também não vencerão um chinês de 15 anos de idade (nem mesmo os que trabalham na doutrinação comunista). Finalmente, as que fazem o jogo infantil de “pluralismo só com a Sociologia”, nem vou comentar.

Poesia é muito bonito mas, a não ser que você seja um Carlos Drummond de Andrade ou uma Cecília Meireles, o mercado vai te engolir.

Scan10056

Uncategorized

Dessazonalizar ou não dessazonalizar: eis a questão!

Fullscreen capture 9142014 90749 AM

Outro dia eu falei sobre o PIB mensal (lá no blog do Nepom). Lá, comentei que havia algo engraçado na série: dessazonalizada, mas com sazonalidades. Nada que uma boa pesquisa não esclareça. O prof. Dave Giles já havia citado o problema em seu blog e eu o citei aqui. Em outro momento da blogosfera nesta semana, o Vitor comentou o mercado de trabalho, novamente, destacando sua sazonalidade

O ponto importante é que sazonalidade é algo que merece um tratamento próprio. Obviamente, qualquer um que queira analisar as séries com muito cuidado não pode deixar de considerar o problema que os métodos automáticos de dessazonalização causam (o ponto do prof. Giles). Em princípio, a regra simples é:

a) É só um relatório para ver tendências? Então use um destes filtros (estude um pouco para saber qual é o mais adequado) e não se esqueça de especificar o filtro utilizado.

b) É para previsão? Aí, meu amigo, não pode dessazonalizar. Tem que tentar modelar a sazonalidade. Qualquer curso básico de Ciências Econômicas que procure fornecer ao aluno ferramentas úteis em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo tem, em seu currículo, disciplinas relativas à Econometria de séries de tempo (a própria existência do livro do Bueno é uma prova de que cursos assim existem) e, claro, lá você encontra tópicos relacionados à sazonalidade.

c) É apenas um trabalho descuidado, para tirar uma nota média razoável, beirando ali uns 7.5 ou 8 pontos em 10? Apenas dessazonalize e cite o método. Não se preocupe muito com explicações. Claro, se o professor perguntar, a nota será menor do que 7.7 ou 8, mas eu avisei.

Claro, o conselho é sempre o mesmo: não seja um peitica e estude.

p.s. Não resisti…era tão barato…comprei este livro, seguindo a dica do Laurini. Criador do XKCD? Não será leitura tão fácil, mas com um autor destes (e um cara como estes recomendando…).