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Grandes momentos dos estudos raciais no Brasil: vocês são racistas, que se entendam!

Ah, o racismo…

De maneira que as cidades do período colonial funcionam como poderosos centros de seleção e concentração dos elementos brancos superiores. São êsses elementos superiores que, deslocando-se para o campo e entrando na aristocracia rural, concorrem para assegurar a esta classe o alto coeficiente ariano e eugenístico, que tanto a distingue nessa época (…). [Oliveira Vianna, Evolução do Povo Brasileiro, José Olympio Editora, 1956 (4a edição), p.143]

Honestamente, o que ainda me surpreende é o grau de popularidade que estas idéias ainda encontram entre o povo deste país. Sei de um professor universitário cujo aluno criticou a miscigenação da sociedade brasileira porque a mesma atrapalhava a evolução da mesma.

Claro, há um lado muito engraçado em trechos como este aí no alto. Não há como não rir desta pretensão de que haveria algo como grupos raciais com temperamentos próprios. Aliás, “raças” e ironia são duas palavras que me remetem prontamente ao famoso folclorista Câmara Cascudo.

São calouros, lá se entendem!

oliveira
“Eu usaria uma saia em protesto por algum amigo eugenista…”

Câmara Cascudo nos explica a origem da expressão popular São brancos, lá se entendem, ainda hoje em voga (mas muito menos do que posso me lembrar…). Segundo ele, origina-se de uma discusão entre um capitão e um soldado no Rio de Janeiro, no século XVIII. Narra-nos o autor:

O Capitão Manuel Dias de Resende, do Regimento dos Pardos, fora desrespeitado por um seu soldado. Queixando-se ao Comandante do Terço, Major Melo, português cioso da prosápia, mereceu a zombeteira resposta: Vocêis são pardos, lá se entendam! O capitão procurou o Vice-Rei, narrando a indisciplina da praça e a sentença do major. Luís de Vasconcelos e Sousa [o vice-rei] mandou chamar o Major Melo, obtendo a confirmação, mandou-o recolher preso. Preso, eu? E por quê? – Nós somos brancos, cá nos entendemos, informou o futuro conde de Figueiró. A resposta do Vice-Rei (…) teve uma imensa repercussão em simpatia, comentada com aplausos e tornou-se frase feita, empregada nas oportunidades. E não desapareceu. [Cascudo, L da C. Locuções tradicionais no Brasil. Belo Horizonte, Itatiaia, 1986, p.63]

Pois é. Nem a expressão desapareceu, nem os pardos, os brancos e os demais. Nem os calouros e os estagiários, estas pestinhas…

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