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Em tempos de polêmicas no sul do país, nada como lembrar das justificativas socio-antropológicas do racismo no Brasil: com vocês, Oliveira Vianna

Aranhas que não se arianizam falseiam minha hipótese.

Nada como recordar em que área das Ciências Humanas o racismo já foi visto como algo cool. É, falamos dele, o famoso José Francisco Oliveira Vianna ou, simplesmente, Oliveira Vianna.

Se, nos tempos modernos, os descendentes dos antigos guerreiros odínicos são assim tão inquietos e migradores, é fácil imaginar o que não seriam nestes remotos tempos, em  que estão em pleno fastígio da sua vitalidade expansionista e da sua formidável capacidade combativa. São eles, com efeito, que enchem a Europa medieval com o brilho e o estrondo das armas; ou projetando sobre o Oriente a avalanche das cruzadas, ou limpando o Ocidente da ignomínia sarracena. Quando os grandes descobridores desvendam ao velho mundo os novos continentes, são eles, pelo seu gosto de movimento e aventura, os primeiros a emigrar, a correr para essas novas paragens desconhecidas, preando-as, como filibusteiros, ou povoando-as, como colonos. [Oliveira Vianna (1933) Evolução do Povo Brasileiro. (disponível para leitura aqui)]

É impressionante como já foi moda lá na Sociologia e na Ciência Política esta coisa de narrativas baseadas em raças. Isto sem falar na busca de uma elite loiro-dolicocéfala no Brasil. Neste sentido, ele tenta forçar a barra – alguns diriam: tanto quanto os marxistas tentaram encontrar feudalismo por aqui (e eu diria: pois é!) – como se pode ver nos trechos seguintes.

Como sabemos, na fidalguia peninsular da era dos descobrimentos dominam os descendentes dos velhos conquistadores germânicos: godos, suevos, normandos e burguinhões(4).Ora, esses fidalgos, arruinados pelas guerras e pelas dissipações da corte, são os que, buscando reconstruir o seu patrimônio destruído, deviam ter vindo para a nossa terra tentar a fortuna na exploração das minas de ouro ou na cultura dos grandes latifúndios. [idem, p.146]

 

(…)

Esta suposição se faz tanto mais razoável, quanto mais atentamos na nossa aristocracia territorial dos primeiros séculos, na força de caráter dos seus representantes, na sua índole, no seu espírito, no seu prodigioso amor de aventuras, nos seus instintos belicosos. Os nossos sertanistas e bandeirantes antigos, para quem os estuda no seu viver fragueiro e nas suas proezas assombrosas, oferecem numerosos pontos de contato e analogia com os homens da raça germânica, não só os que formavam a feudalidade militar europeia, como os seus mais puros representantes atuais, que são os anglo-saxões. Como estes e os seus antepassados medievais, eles têm o mesmo espírito imperialista e conquistador, o mesmo gosto das empresas penosas e arrojadas, a mesma tenacidade indomável de caráter, o mesmo temperamento nômade, inquieto e belicoso, a mesma amplitude desmedida na sua ambição de fortuna e grandeza. [ibidem, p.147-8]

Hoje em dia, como vemos, o critérios das raças não faz o menor sentido – embora muita gente das áreas citadas ainda curta usar “raça” como critério para algumas análises e alguns torcedores de futebol arruinem suas carreiras demonstrando todo seu racismo em público.

Agora, vamos fazer justiça ao falecido Oliveira: ele se expressava em um português bem melhor do que o da torcedora do Grêmio pega no flagrante, muito mais flagrante nesta era digital, é bom lembrar. A dúvida que tenho é se Oliveira Vianna reagiria ao episódio envolvendo a torcedora. Façamos um contrafactual imaginando como Oliveira se expressaria sobre o tema.

Contrafactual Engraçadinho (Engraçadinhus Contrafactualis)

Penso tratar-se de um problema inútil este o da celeuma causada pela moça de traços odínicos acerca do desgraçado episódio do “racismo” no jogo do Grêmio. Como mostrado em vários de meus estudos, a tendência evolutiva de nosso grupos étnicos é a de se, sob a égide de nossa elite, sob instituições políticas centralizadas e fortes, mesclar, em torno de uma única raça, a brasileira.

Nosso povo, pela força relativa das raças que o compõe, findará em algo muito próximo à elite original de fidalgos portugueses que nos colonizou – exceto se continuarmos a permitir esta miscigenação de tendência inferiorizante criada por orientais, japoneses e, agora, também, chineses e coreanos – em nossa pátria.

É bem verdade que, após minha morte, muitos abandonaram as questões raciais no Brasil, relegando as importantes questões que levantei a segundo plano. O curso inexorável da História, por outro lado, teceu as linhas do retorno do conceito de raça aos bancos das nossas escolas. Alivia-me ver que tanta gente hoje entende melhor a importância da raça para o nosso futuro como Nação.

Tendo nascido no Rio de Janeiro, vejo com alegria que nossas instituições políticas acabaram com os funestos campeonatos regionais – embora ainda mantenha os estaduais – e criaram este campeonato nacional de futebol. Preferiria ver times mais ligados aos povos que ocuparam a região do Rio de Janeiro no comando do ranking, mas o time do Grêmio não me parece ter um desempenho assim tão ruim. É como eu me sentia ao ler Gilberto Freyre: um pouco desconfortável, mas não dá para negar que esteja na primeira divisão.

Sem entrar no mérito da composição étnica dos colegas que julgaram o caso do Grêmio, acho que o importante ponto é que destacaram a importância da raça nesta história toda. Então, como falecido, tenho, finalmente, duas opiniões para que meus leitores reflitam.

Primeira: havia uma tendência (quase) inexorável à arianização da nossa raça que, não fosse pela permissividade de nosso governo com respeito à imigração de asiáticos, teria resultado, neste intervalo de tempo entre minha morte e o episódio “racista”, evitado tudo isto: teríamos apenas torcedores e jogadores como parte de uma massa mais homogênea, em termos raciais.

Segunda: é preciso ponderar a questão do nosso futebol sob a égide de meus estudos sobre as instituições políticas brasileiras. Por que tantos campeonatos estaduais? Por que apenas um campeonato nacional? A quem cabe julgar recursos sobre futebol e qual a composição étnica do tribunal encarregado? Como todos sabem, é importante que se use o esporte de forma política, em prol da sociedade. É uma grande oportunidade de colocar as minhas idéias em prática.

O tempo que me foi dado para voltar ao mundo dos vivos e discutir com vocês é curto e, como já devem desconfiar, não sou muito familiarizado com estas tecnologias – certamente fruto da pujança loiro-dolicocéfala – e a língua portuguesa mudou muito desde os anos 50. Assim, meus caros leitores, despeço-me com tristeza porque o outro lado é-me um tanto quanto desconfortável.

Sinceramente,

Chico Zé de O.V.

Conclusão 

É isso aí pessoal. Um dia destes eu tento praticar meu latim para fazer uma paródia mais fiel ao estilo do autor original. Era bom de português. Só não era bom em idéias sobre política, economia e assuntos sociais. O que ninguém sabe mesmo é se ele torcia para o Vasco, Flamengo, Botafogo ou Fluminense. Mas a enquete do dia seria saber se ele xingaria ofensas racistas no Maracanã atrás do gol do adversário. Será?

 

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