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Milton Friedman merece um brinde! Ou três?

Hoje a internet está cheia de homenagens ao aniversário do falecido Milton Friedman (31/07/1912 – 16/11/2006). Deixa eu entrar no meu modo “velho contemplativo que recorda o passado”. Há muitos anos, eu era um estudante de graduação, ávido por aprender tudo o que pudesse na faculdade, sem preconceitos.

Eu descobri que apenas dois professores de Macroeconomia não começavam a falar de Milton Friedman sem xingá-lo e, além disso, conheciam suas contribuições. Eram eles os professores Ernani Teixeira e Antônio Aguirre. Notadamente o Ernani era um entusiasta de Friedman – tanto quanto o era de Samuelson – capaz de discorrer por horas sobre os trabalhos do grande economista com admiração.

friedman

 

Mas o ambiente acadêmico não era muito favorável às discussões sobre Friedman ou Samuelson. Não no sentido amplo, científico, porque havia pouco tempo e grande parte das pessoas – alunos e professores – sofriam de uma doença séria chamada preconceito ideológico. Não é uma doença exclusiva de quem não curte Milton Friedman. Há os que acham ler Karl Marx sinônimo de pedofilia e há os que acham não ler Mises uma heresia digna de execução sumária (ou um aborto).

Milton Friedman fez várias contribuições importantes para a Ciência Econômica. Há, claro, a questão metodológica, sempre causa de polêmicas com colegas de profissão, mas que eu acho bastante adequada. Há também a teoria monetária ou, para ser mais preciso, a macroeconomia. Afinal, não se pode falar mais de função consumo sem se evocar os trabalhos de Milton Friedman (ou você acha que a renda permanente caiu do céu?). Quanto à economia monetária, outro ponto importante na discussão macroeconômica, é impossível falar da mesma sem citar o trabalho monumental de história econômica que ele escreveu com Anna J. Schwartz (e olha que não estou citando meu favorito, que é aquele artigo dele, o The Role of Monetary Policy…).

Friedman também tinha um lado político marcante. Foi, talvez, o maior dos economistas liberais (libertários) do século XX. Sabia, como poucos, debater e não preciso citar exemplos de sua retórica: basta você assistir alguns vídeos ou a série Free to Choose para entender um pouco melhor sobre o que falo.

Gosto muito do Milton Friedman também como exemplo de boa escrita. Em cada língua existem alguns mestres que a dominam como demônios. O caso dos textos de Friedman em inglês é um bom exemplo. Não é que ele escrevesse como Joyce. Não estou falando de se usar a língua inglesa para a escrita de romances. Entretanto, dos textos mais técnicos aos de simples divulgação, Friedman sempre foi um excelente escritor. Todos que desejam escrever bem deveriam usar Friedman como base.

Enfim, é isto aí. Pudesse eu comandar um brinde a Milton Friedman, seriam três brindes!

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