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Milton Friedman e a “Director’s Law”

Você conhece a Director’s Law? Não? Milton Friedman a explica aqui. Pensando no Brasil, o que vemos?

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Centro e periferia: ser ou não ser?

“Foi mal, galera.”

Pois é. Centro ou periferia? Freud certamente estaria louco para faturar uma grana sobre alguns auto-denominados “economistas” da América Latina. Afinal, eles passaram a vida defendendo uma visão de mundo estática, embora acusassem seus inimigos de usar uma visão igualmente estática. Era um tal de falar em construção de uma teoria econômica própria, um tal de a solução é a industrialização, etc. Muita gente saiu às ruas e apanhou da polícia pensando nisto. Outros, mais espertos, convenceram alguns a apanharem nas ruas por suas idéias. Não importa.

O que importa é que havia uma verdade importante: nós éramos a periferia, eles eram o centro. Obviamente, os conceitos são vagos, mas com um excelente apelo emocional. Geralmente, teorias assim são muito mais populares do que as teorias científicas como explicou Simonsen:

O segredo dessas teorias reside na substituição da comunicação lógica pela comunicação mística: a sua lógica é amiúde tortuosa, mas cada teorema vem envolvido num jargão capaz de despertar ondas de associação de idéias que acabam moldando a esperança de que os problemas difíceis possam solucionar-se rapidamente por passes de mágica reformistas. [Simonsen, M.H. “O Pensamento Estruturalista”, Brasil 2001, APEC, 1971, cap. III]

Pois é. Muito antes de McCloskey falar de retórica em economia, Simonsen, nosso economista que não era nem ortodoxo, nem heterodoxo, nem democrata, nem liberal, já chamava a atenção para o perigo da sedução da retórica.

Centro, periferia, centro, periferia: um problema freudiano?

Um dos problemas destas teorias fundamentadas em conceitos vagos é que a realidade vive lhe cobrando a coerência. Por exemplo:

Países emergentes proliferam seus ataques contra o protecionismo comercial do governo Brasil. Nos últimos dias, o país recebeu queixas de cinco governos de economias em desenvolvimento que questionavam na Organização Mundial do Comércio as medidas adotadas pelo governo. Todas elas vieram de países emergentes.

Como é cruel a vida, não? A periferia não é um todo monolítico que luta contra o centro (outro todo monolítico). E não me venha com o papo de que a periferia, neste caso, está sendo usada pela grande conspiração do centro, comandado por Obama e um bando de judeus. A verdade é que a realidade é muito mais complicada do que acreditavam alguns estruturalistas (eles mesmos adoravam usar este mesmo argumento contra os economistas, mas nunca conseguiram escapar de sua própria armadilha retórica…).

“Foi mal gente: ele estava errado mesmo”.

O governo brasileiro, como se percebe, também adora explorar sua periferia, com protecionismo e tudo. Então, o binômio centro-periferia não é tão rígido assim. Qualquer país pode ser centro ou periferia: depende da situação (ou do discurso do político no poder). Logo, se o conceito não conceitua mais, o melhor é deixarmos ele no lugar certo: no lixo. Bem, se você não quiser jogar no lixo, jogue no cesto de recicláveis, mas faça isto pensando no entendimento da realidade, não no discurso político porque, para este pessoal, até a mãe é reciclável.

Na minha opinião, o arcabouço mais adequado para se entender o protecionismo do governo brasileiro é o da Escolha Pública ou da Nova Economia Institucional. Eu diria mais. Eu diria que ambas são agendas de pesquisa do grande pensamento econômico conhecido como mainstream (ou, seguindo a sugestão do Peter Boettke: mainline).

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Vocabulário e capital humano: de Shakespeare ao hip-hop

“To hip or not to hip, that’s the hop”.

Há várias formas de se pensar no vocabulário apreendido por uma pessoa. Podemos vê-lo refletido na qualidade de suas redações e também em suas falas. Eu diria que o número de palavras que o sujeito utiliza, hoje, é endógeno ao desenvolvimento econômico que lhe afetou previamente.

Em geral, gostamos de pensar nos clássicos como fonte de vocabulário. Shakespeare, por exemplo, é o favorito de muita gente. Outros podem falar de Machado de Assis – e, sim, simplificar seu texto não é necessariamente a melhor forma de desenvolver o vocabulário das pessoas – ou de Monteiro Lobato, só para ficarmos nos autores brasileiros.

And the number of words is going on!

Entretanto, a fonte de vocabulário também pode vir de outras manifestações culturais, como…o hip-hop. É claro que uma música de hip-hop não é a mesma coisa que uma peça de Shakespeare na construção da narrativa ou na mensagem moral e ninguém diria que ambas são equivalentes. Mas o bacana é ver que a obra de um músico pode ter uma riqueza linguística (em termos de tamanho do vocabulário utilizado) tão grande ou maior do que as obras completas de Shakespeare.

Vale a pena, contudo, pensar em um detalhe: não será verdade que o estoque total de vocábulos (em qualquer língua) aumenta ao longo do tempo? Então, a pergunta passa a ser: será que, de fato, um compositor de hip-hop está usando o vocabulário atual com a mesma eficiência que o antigo autor inglês?

Pois é. Mudanças culturais ocorrem ao longo dos séculos e a questão do número de palavras não é, assim, tão simples (veja mais detalhes, por exemplo, aqui).Talvez estejamos em um mundo no qual o uso de um vocabulário mais extenso tenha se tornado mais barato a todos, mas isto não significa, necessariamente, que estamos nos igualando a Shakespeare.

p.s. Culturomics pode ser interessante.

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Cerveja com preço ajustável…e uma idéia de política pública

Eis uma idéia interessante.

One of Beijing’s micro-brew companies, Jing-A Brewing, was rolling out its latest brew, an IPA called the Airpocalypse, the price of which would be based on the amount of fine particulates in Beijing’s air. If the AQI hit 500 or above, a measurement identified on the U.S. Embassy’s Beijing Air Twitter feed as “beyond index,” the beer would be free.

Agora, a proposta de política pública (um exemplo rapidamente pensado e hipotético): se o nível de solução de crimes e devolução dos objetos roubados for abaixo daquele determinado por uma terceira parte neutra, que não é sequer contratada para avaliar a eficiência policial, o valor das receitas pagas em multas para o Estado cai.

Que tal?