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Timeo hominem unius libri? Econometria aplicada a caminho…

Latim?

Expressão de São Tomás de Aquino, eu sei. Significa que um sujeito que conhece muito de um tema é um adversário perigoso. Alguns pensam, incorretamente, que a frase do grande filósofo diz respeito ao livro e, vejam só, saem por aí dizendo que basta ler um único livro para entender do tema.

Os maiores amigos da interpretação equivocada da frase de São Tomás são, paradoxalmente, os educadores (ou, como adoram os supostos jornalistas: os “supostos educadores”). Afinal, como não existe almoço grátis, comprar livro significa diminuir o retorno dos acionistas ou gastar menor em campanhas eleitorais para a reitoria.

De fato, eu concordo que ler 200 livros sobre o mesmo tema é bom, mas demanda muito tempo. Mas eu acredito que o sujeito tem capacidade de saber – melhor do que eu – como alocar seu tempo. Tanto isto é verdade que, quando ele erra na alocação, ele possui inteligência suficiente para criar as desculpas as mais sofisticadas que você já ouviu. Experimente com um aluno qualquer um dia destes: enquanto o povo diz que ele é um coitado burrinho que não consegue se organizar, o mesmo inventa a desculpa mais mirabolante do mundo para justificar sua procrastinação.

Então, no final das contas, cada um sabe o que é melhor para si e não adianta ignorarmos isso. O aprendizado não parte apenas um único livro e o número ótimo de livros depende das preferências do indivíduo e de sua restrição.

Onde estamos? Para onde vamos?

Por que isso tudo? Pelo simples fato de que eu estava lendo dois ótimos livros de Econometria, em busca de algumas explicações sobre estas medidas de outlierspontos influentes. Nunca me aprofundei nisto e sei que econometristas meteram a mão nesta cumbuca há tempos. Assim, para o R, por exemplo, Fox & Weisberg (2011) implementaram várias destas medidas no pacote car. Então, este é um aspecto positivo da tecnologia: temos vários testes e critérios prontos para serem usados.

Entretanto, quando leio Maddala & Lahiri (2009), vejo que estas medidas devem ser vistas com muito cuidado, senão descartadas. Na verdade, em edições anteriores, Maddala já alertava para o fato e isto não mudou nas novas edições em co-autoria com Lahiri.

Ao ler apenas um livro – e ambos são excelentes – você fica com a impressão de que é só sair calculando medidas e critérios. Mas o outro, mais apropriado para o estudante de Econometria, alerta para os problemas no uso indiscriminado de critérios e medidas (quando não aponta erros nos mesmos).

Então, no final do dia, você tem que ler mesmo. Não tem jeito. Tem que ler e ler vários livros, artigos, etc. Não há como ter a produtividade chinesa com elevada qualidade e no patamar necessário para tirarmos este país da lama (ou sua empresa, ou apenas sua vida) sem ler muito.

Dá um olhada no Maddala & Lahiri (2009), no capítulo 10, especificamente. Fox & Weisberg (2011), por sua vez, trata das medidas no capítulo 6. Os dois livros se complementam, mas eu não saberia dos problemas em algumas medidas se não lesse o primeiro.

Dando tempo, eu mostro um exemplo com pontos claramente fora da amostra (influentes? Outliers?) ainda hoje. Já estou olhando para os dados há algum tempo e eles prometem.

Eu acho que vou ler mais este livro de Econometria…

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