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Repetência já ou “Não me enganem, que não gosto”

A questão da meritocracia não é desprezível, não? Perguntaram em São Paulo sobre esta história de extinguir a “reprovação” nas escolas públicas.

O principal argumento contra o sistema é a percepção de que os alunos passam de ano sem aprender a matéria – o que é admitido por 46% dos estudantes entrevistados na pesquisa. Outras justificativas são a baixa autoridade do professor sobre a classe e a falta de esforço dos alunos. A progressão continuada foi o 2.º maior problema das escolas na opinião dos docentes, atrás apenas da falta de segurança. A pesquisa ainda mostrou que 39% dos pais e 29% dos alunos acreditam que mais cursos e atividades extracurriculares são essenciais para melhorar a qualidade da escola.

Na verdade, ao observar os dados da reportagem (a tabela parece só estar disponível para assinantes), observamos que os alunos a maioria esmagadora de pais (94%), alunos (75%) e (em números mais modestos…) professores (63%) são contra o modelo de avaliação atual.

A pesquisa cita quatro motivos para a discordância: “alunos passam sem saber o conteúdo”, “alunos não se esforçam o suficiente”, “professores não têm autoridade sobre os alunos” e “outros”. A grande maioria dos três – pais (82%), alunos (67%) e professores (80%) – realmente se incomoda com a questão de passar sem saber.

Vale dizer: não é uma questão simples como querem alguns. Esta história de que “reprovar desestimula o aluno” não me parece consensual nos estudos. Como ciência é sempre algo em que se contestam resultados, eu diria que o melhor seria deixar cada escola (pública ou privada) escolher o sistema que deseja. Aí sim, poderíamos verificar se esta história de “não reprovar” realmente melhora o desempenho dos alunos.

Observando apenas a pesquisa acima, eu diria: não enganem o aluno. Ele tem o direito de repetir a matéria (o que é uma segunda chance, lembre-se) para tentar de novo. Claro, se ele não vai às aulas porque “já viu a matéria antes” (embora não tenha passado), então, sim, o lugar dele é, realmente, naquela classe. Até que, de fato, tenha conhecimento suficiente ou adequado para dar um passo adiante. Ou você acha que o menino não pode cair nunca da bicicleta enquanto aprende?

Um comentário em “Repetência já ou “Não me enganem, que não gosto”

  1. É, mas também é razoável estudarmos o modelo de agrupamento por idade, quando o conteúdo é que é a variável de ajuste. Um menino de dez anos pode ser muito bom em história e o professor levá-lo a avançar, e a garota de oito pode ter dificuldades em geografia, o que deveria ser compensado em um plano de estudos com duração mais longa.
    DdAB

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