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Momento Folclórico do Dia (intervalo)

10. O Caboclo Namorado (Sergipe)

Um caboclo dizia sempre a uma senhora que via à janela: Bom dia, meu cravo! Sabendo, o marido fê-la responder: – Bom dia, meu amor! e convidá-lo para voltar durante a noite. Fingindo-se surpreendida pelo marido a mulher esconde o caboclo debaixo da cama que está cheia de urtigas. Inchado de coçar-se, ferido pelos espinhos, o caboclo geme e remexe-se. O marido pergunta: – Quem está aí debaixo da cama? – O caboclo responde: É o cachorro! – E cachorro fala? – Muito aperreado fala – disse o caboclo. O homem obrigou-o a sair, deu-lhe uma sova de chibata e mandou-o carregar água para os depósitos da casa durante o resto da noite. Depois deixou-o sair. Pela tarde de um outro dia, vendo o caboclo, a mulher cumprimentou-o: – Boa tarde, meu cravo, boa tarde, meu amor! O caboclo respondeu, ainda furioso com as chibatadas e as urtigas:
Não sou seu cravo
Nem seu amor.
Tempo de escravo
Já se acabou!
[Sílvio Romero, Contos populares do Brasil, Itatiaia/Editora da Universidade de São Paulo, 1985 (original da 2a ed. de 1897), p.186]

Sou só eu que acho que a única a ganhar nesta história foi a esperta da mulher? Afinal, o marido, ofendido pela “insinuação”, gastou um tempo com o caboclo que, nem se comenta, dançou bonito. A mulher, bem, a mulher escondeu o caboclo embaixo da cama com o consentimento do marido e não levou sova por dar mole ao jovem.

Ah, o folclore…dia destes farei um texto no estilo destas narrativas para explicar um problema de maximização. ^_^…

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