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Um Bookholder para cada aluno

bookholder

Governantes adoram aparecer. Gostam de grandes projetos, pontes, “reformas educacionais”, buscam mexer na sua vida para serem notados. Falam de tabletsnotebooks. Aliás, neste último caso, eu me lembro muito do que eu chamo de erro de Celso Furtado.

O que seria o erro de Celso Furtado? Seria esta ânsia de industrializar, encher o país de máquinas achando que o capital humano para operá-las ou já existe ou vem em segundo plano. Podem falar o que quiser, o fato é que Celso Furtado não enfatizou – ele mesmo um auto-didata – o capital humano. Talvez tenha achado que todos poderiam ser auto-didatas (embora seus descendentes políticos inibam o homeschooling, por exemplo).

Eu tenho uma proposta mais modesta. Ontem, conversando com nossa profissional do Apoio Educacional da faculdade, eu lhe apresentei meu gagdet (entre aspas) favorito: o bookholder (propaganda gratuita, neste caso). Antes de ir para os EUA, eu não conhecia esta maravilha. A gente falava mal dos EUA por aqui, nas faculdades, falava do declínio de um império que jamais declinou e, para piorar, tinha bookholders.

Desde então, todo amigo que vai para os EUA e me pergunta se quero algo, eu peço um. Tenho uns três de reserva, dois do mesmo modelo do link acima. Conversando com o Ronald Hillbrecht (aliás, acho que foi ele quem me mostrou o primeiro bookholder que vi na vida) um dia, ele me disse algo como: o pessoal não entende o que é tecnologia. Acham que são computadores, etc. Mas veja o bookholder.

Eu consigo imaginar centenas de brasileiros lendo em qualquer lugar com um destes, de fácil transporte, leve, prático, ajustável. Não tenho nada contra ebooks – eu mesmo tenho vários e os leio – e sei que a demanda por conhecimento é muito baixa. A qualidade dos comentários na internet, a superficialidade de alguns textos e, claro, os resultados do PISA, dizem muito sobre como nossos alunos não aprendem a ler e escrever, embora nossos burocratas queiram que tenham classes de piano, tambor, filosofia marxista, sociologia marxista, história marxista e geografia marxista. Como se vivêssemos tentando “despoluir” os meninos de um regime militar que desapareceu há mais de 40 anos e não tivéssemos que fazê-los ler.

Algo genial aconteceu no Brasil recentemente: crescemos com pobres enriquecendo. Estes novos membros da classe média não são idiotas: querem boas escolas, querem melhorar, querem enriquecer. O blogueiro sociólogo pode chorar, dizer que dinheiro não é tudo, que o capitalismo é isto ou aquilo, mas o pobre quer se sentar na mesa do mesmo restaurante que o blogueiro frequenta para ouvir ricos fofocando e escrever seus pretensos tratados sobre o mal (?) do século: a ética burguesa.

Tem gente pobre que acha que cachorro defecando, criança lendo e comida na panela são ações que se pode fazer no mesmo local, fisicamente falando. É triste, mas o aprendizado só vem com a educação. Ensine o pobre a tomar banho e ele será um novo homem. Ensine-o a estudar e eu aposto que a curva de crescimento do PIB potencial sofre uma inflexão positiva. Dê a um moleque que gosta de ler livros e, bem, ele lerá. Agora, dê-lhe um bookholder e ele lerá em praticamente qualquer lugar. Sim, meus caros.

Obviamente, nosso governo imagina que este complexo artefato é uma ameaça à indústria nacional (que nunca sequer pensou em inventar algo tão inusitado e complexo, com tanto “valor adicionado”, entendido, na lógica do erro de Furtado, como chips, microcomponentes, etc). Tente importar um destes e você terá de pagar um imposto elevado para a Receita Federal. Fale dele para um político e ele lhe falará de tablets. 

Não são nem dez dólares por um artefato tão simples e útil. O quanto você acha que, ceteris paribus, a produtividade de um estudante aumenta com isto? O conforto de ler o livro sem ter que me inclintar tanto (e, portanto, talvez com menos incentivos para dormir), a facilidade de ajustar sua altura e largura para diversos livros, enfim…é tão simples que certamente só um político desavisado poderá  apoiar o fim de restrições à sua importação. Ou um bem maquiavélico (mas inteligente). Ou um que seja liberal.

Pois é. O governo tem sua campanha bonita, pomposa, com muito (do meu e do seu) dinheiro, para falar de tablets. Eu tenho uma mais simples: dê um bookholder  para cada um de seus filhos(as) e lhes mostre o prazer de aprender. Você fará mais pelo seu filho do que todo o sistema educacional tem feito e poderia fazer (mesmo que quisesse, creio).

erro de Furtado, portanto, parece ser o de nunca ter conseguido compreender exatamente o significado de choques tecnológicos. Ironicamente, seus seguidores mais fanáticos (pouco afeitos à ciência) falam muito em tecnologia, em pólos tecnológicos ou qualquer outra tentativa de engenharia social centralizada. Mas noventa e nove por cento deles sequer ouviu falar do bookholder. Dirão para você: “- inútil, nunca precisei e olhe onde cheguei”? E você lhe responderá: “- Precisamente. Olhe até onde você só conseguiu chegar”.

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5 comentários em “Um Bookholder para cada aluno

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