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A fotografia n(d)a inflação nos anos 80-90

O editorial da Conjuntura Econômica, aquela revista da FGV, lembra-nos de como era a inflação, numa época em que as pessoas achavam que o Banco Central não deveria seguir sistema de metas e que a política fiscal deveria ser uma entidade livre, sem amarras, voltada para o desenvolvimento mesmo que às custas de alguma inflação.

Em 1993, o dinheiro virava pó em questão de horas. Ir ao supermercado exigia uma logística complexa para carregar pacotes de dinheiro que no dia seguinte não valiam quase nada. A inflação, medida pelo IPCA, criado naquele ano, bateu na casa dos 2.477%, apesar dos seis planos implantados nos anos anteriores, por meio de congelamentos, troca de moedas, caça aos bois no pasto na época do ministro Dilson Funaro, fechamento de supermercados que reajustavam preços pelo povo, do traumático confisco nas aplicações financeiras no governo Collor, só para citar as mais relevantes.

Eu acho que é importante não se esquecer que 2.477% deve ser lido como: “dois mil e quatrocentos e setenta e sete por cento”. Isto no ano. Não é difícil voltar a este patamar. Basta não seguir o livro-texto de Economia (ou seguir os livros “alternativos” de Economia). A história mostra que os mais ricos conseguirão se safar de algum jeito, pois a eles será facilitado o crédito bancário, o fundo de investimento camarada, etc. Já o bobo pobre, que mal sabe ler, que acha que tudo cai do céu por mão de Getúlio Vargas terá uma vida mais difícil. Bem mais difícil.

Falei da inflação recentemente aqui, numa perspectiva de mais curto prazo, não é? Vimos uns gráficos bonitos, um papo de econometria aplicada, etc. Mas se pensarmos um pouco na História Econômica, a inflação brasileira, no quadro de mais longo prazo, fica bem mais feia.

É difícil dizer se “vivemos ainda sobre o Plano Real” ou não. Mas é de se comemorar o fato de o mesmo ter sido implantado com sucesso. Não resolveu os problemas do mundo e nem foi a cura do câncer. Mas, como todo tratamento bem-sucedido, deixou o vírus da inflação sobre controle.

Talvez você não tenha muita noção, caso seja um leitor jovem, do tamanho do problema. Bem, vou republicar uma foto que já apareceu neste blog (se não me engano) há algum tempo atrás.

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Eis aí o preço de encomenda de algumas fotos avulsas lá nos idos dos anos 80, já depois do fracassado Plano Cruzado. Imagine, hoje, você levar R$ 5 mil para encomendar uma foto avulsa do seu negativo, digo, pendrive, de 30 x 40 cm. Inacreditável, não? Pois isto aí era a inflação.

Acho que dá para imaginar o porquê de eu achar irritantemente imbecil alguém dizer que a inflação é o preço a ser pago por um pouco de crescimento ou que a população sempre estará disposta a ter um pouco de inflação. Ou, a mais ridícula: a inflação faz parte da cultura brasileira. Aliás, quem diz a última frase nunca pegou em um livro de história econômica ou nunca pesquisou sobre a inflação ao longo dos séculos.

Bom, deixemos o deflator do PIB para outro dia e fiquemos apenas com esta foto. Ela já nos diz muito sobre a vida dos brasileiros há pouco tempo.

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Estou em crise

PaperArtist_2014-02-09_11-21-48O mais bacana é a contra-capa do livro do John Schulz com a recomendação do professor Renato Leite Marcondes, da FEA-RP. Com escravidão, sem escravidão, com bolha imobiliária, sem bolha imobiliária, a história econômica nos oferece um vasto arsenal de experimentos “naturais” para estudos.

Pode-se pensar, claro, em termos teóricos (veja o quanto a teoria avançou nos últimos anos, em termos de modelagem de comportamentos, digamos, “anômalos”) e também empíricos (a (clio)econometria não me deixa mentir).

 

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Soluções privadas: quando o Google faz mais por você do que o governo, no trânsito

Não tem jeito. A inovação está no DNA do mercado. Veja este caso, por exemplo. Claro que estar no DNA não significa que o mesmo não possa ser corrompido, como aprendemos com todos aqueles textos do Buchanan, Tullock e o pessoal de Public Choice.

Note o leitor que a Google está longe de ser uma empresa em “concorrência perfeita”, o que não impede que pressões concorrenciais a façam inovar. Um monopólio pode, sim, gerar benefícios para a sociedade. Não há nada de errado em uma empresa ter poder de monopólio em si. O que temos que entender são os incentivos que operam sobre o monopólio (lembre-se de quando Baumol e associados criaram o conceito de mercados contestáveis por exemplo…). Falei sobre isto brevemente nesta video-aula, ano passado.