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Momento R do Dia

O Leo Monasterio, aquele blogueiro sem alma, nem coração, deu esta excelente dica: o blog do Daniel Marcelino. Eu não conheço o cara, mas ao ver a pesquisa dele, fiquei curioso.

A dica do R de hoje foi um oferecimento do Leo Monasterio (e eu nem ganhei dinheiro do IPEA para fazer esta propaganda…).

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Cultura importa?

Não há muita dúvida: quando você discute seriamente o efeito de “cultura” sobre o desenvolvimento econômico, sim, ela é importante. Nós falamos sobre isto aqui, há três anos. Talvez você ache nosso artigo um pouco técnico. Tudo bem. Tente esta didática aula do Tyler Cowen.

Espero voltar ao tema ao longo deste ano, aqui no blog. Os que me conhecem sabem que é um tema que me interessa. Para variar, sim, mostrarei algumas correlações por aqui. Duas orientandas minhas devem trabalhar no tema este semestre. Só de ter o interesse de algum aluno no tema já é um fato interessante. Mas, claro, há mais.

Mais?

Sim. Mais. Não é apenas o interesse. É também o fato de as pessoas entenderem que “cultura” não pode ser discutida de maneira descuidada. Não tem como alguém me falar de “cultura indígena” – exceto se os índios estiverem isolados de outras tribos e do restante do mundo por uns 500 anos. Qualquer “cultura”, portanto, é constantemente bombardeada por outras culturas, o que torna o tema, portanto, bem menos simples do que pode parecer nosso papo no bar.

Pois bem. Caso você goste do tema, convido-o a trazer links, comentários e mais questões sobre o tema.

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A Grande Depressão cá e lá: uma ajuda para os professores de história econômica e seus estudantes angustiados

Um importante debate lá nos EUA – e reproduzido nos livros-texto que usamos – é o da Grande Depressão. Eu diria que é o segundo debate mais interessante (eu prefiro o debate do Cálculo Econômico no Socialismo, mas há quem prefira este). O livro do Dornbusch, co-autorado com Fischer e Startz, tem este quadro exatamente na sua última página, que eu acho ótimo. Salvo engano, o livro do Mankiw também tem algum quadro similar. 20140128_151549-1   Bem, a Grande Depressão (além do Choque do Petróleo) talvez seja um dos maiores divisores de opiniões entre economistas. O pessoal olha para esta tabela e vê Keynes “ganhando” um debate (embora a política monetária e a fiscal estejam, ambas, andando juntas). Outros falam que quem ganha o debate é Friedman. E por aí vai. Nós já sabemos que uma correlação sozinha não faz verão (frase minha, eu sei), embora ajude a começar os trabalhos. Na verdade, acho que o consenso é que a Grande Depressão, realmente, foi um problema eminentemente de falta de ação do FED. Em outras palavras, se é que serve para alguma coisa “vencer” o debate, parece que Friedman venceu, mesmo que Paul Krugman rasgue seus livros. Veja, você pode debater este tema por horas e se der azar de encontrar um daqueles marxistas, verá que o debate pode até perder sentido e ninguém vai ganhar nada (exceto a classe trabalhadora, no fim da história, lá no comunismo). Não vou debater este tema aqui com uma tabela deste tamanho. Então, você pergunta, o que você quer? Tão somente apresentar para vocês os dados para o Brasil em uma tabela similar. Na medida do possível, tentei construir a tabela de forma a que qualquer leitor interessado possa comparar os dois países. Ei-la. depressao_brasil   Curiosamente, raramente eu vejo algum livro-texto de macroeconomia ter a preocupação de mostrar tabela similar para o Brasil. Você tem que consultar os livros de história econômica do Brasil e, mesmo nestes, nem sempre há dados tabulados. Certamente dissertações e teses de boa gente lá da História Econômica existem e já agradeço as referências, caso possam me enviem.

Para as tabelas acima, usei apenas o Peláez e Suzigan – o clássico livro deles sobre a história monetária brasileira – e o surpreendentemente pouco usado livro do Goldsmith (ok, ele esgotou, mas quem em sã consciência, não reedita este livro, ao invés de ficar reeditando livros de autores que…recusaram-se a atualizá-los de propósito?).

Não, não sei quem venceria o debate “política fiscal versus política monetária” no Brasil. Talvez eu discuta isto mais aqui e, com certeza, nas aulas de História Econômica do Brasil que leciono, mais uma vez, neste semestre. Eventualmente encontrarei algum leitor meu por lá (duvido).

Bom, é isso. Eu queria apenas compartilhar com vocês este “bem público” que é a tabelinha acima.

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Amostragem e o problema do conhecimento

Uma vez um tolo me veio com esta história: “eu já andei o Brasil todo, sei dos problemas. Você não sabe nada”.

Pois é. Isto me lembra da ingenuidade arrogante de quem acha que, por ter viajado, estudado, andado, dançado, transado com animais, etc, sabe mais do que o outro porque tem “mais experiência”. Faltou ir a alguma aula de filosofia da ciência, não? Você não precisa fumar para saber dos efeitos do cigarro.

Não entendeu? Fique com esta antológica, contada pelo Barão de Itararé. Trata-se do diálogo de Wendel Philips, abolicionista, e um ministro protestante sulista, hostil às suas idéias.

– O senhor é Wendel Phillips, não é?

– Sou, sim, senhor.

– O senhor é o homem que pretende libertar os negros?

– Sim, senhor.

– Então, por que prega por aqui, em vez de ir para Kentucky, onde estão os negros?

Phillips silenciou por um momento. Depois disse:

– O senhor é ministro, não é?

– Sim, sim, senhor.

– E o senhor pretende salvar as almas do fogo do inferno, não é?

– Pretendo, sim, senhor.

– Então – prosseguiu Phillips com sua lógica impecável -, por que o senhor não vai para o inferno?

[Máximas e Mínimas do Barão de Itararé (organizada por Antônio Felix de Souza), 4a edição, Ed. Record, 1985.]

Nada como o bom humor.

Pois é. Caso você seja um destes espertalhões que “já viajaram o mundo inteiro” e, portanto, “sabe mais do que estes ignorantes”, porque “tem um doutorado na vida”, fica aí meu aviso (e também do Thomas Sowell em Os Intelectuais e a Sociedade (É Realizações, 2011): o verdadeiro conhecimento está espalhado por aí. A amostragem, em Estatística, ainda é o menos pior dos males. Bom, mas se você insistir, siga o conselho de Phillips e vá para…