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Porque o BNDES não salva

Tentaram de tudo nos últimos anos – e o governo do RS continua tentando, como se vê no caso das estradas – para desmoralizar o modelo regulatório que nunca chegou a se consolidar no país. Além disso, os pterodoxos de esquerda fizeram a farra: ganharam grana e poder para implantarem suas idéias (e ainda não terminaram de fazer isto), novamente transformando a sociedade em um laboratório de suas idéias heterodoxas.

Pois é. Copa do Mundo, Friboi, Eike Batista, todo aquele papo de “desenvolvimentismo”, “escolha de campeões”…tudo muito legal, sonoro e não havia quem não dissesse que este era o país do futuro. O “Barba” deixou o segundo mandato se sentindo “o cara” porque, numa clara demonstração de que a senzala nunca lhe saiu do coração (ao contrário do que parece crer certa filósofa e chef paulista) só porque foi o Obama o outro cara a dizê-lo.

Eis o clima da festa. Até a presidenta se elegeu, sem conseguir mostrar à classe letrada do país que conseguia se lembrar de seu livro favorito. Uma festa, não?

Pois é. Mas por mais que a gente tente, não dá para tapar o sol com a peneira. Aliás, o sol foi culpado de apagões no Nordeste. Os marqueteiros ficaram ouriçados, arregaçaram suas manguinhas de camisas (lançamento da última temporada em Paris) e deram outro nome para apagões. A imprensa, devidamente mansa e dócil, comprou o neologismo porque, sabe como é, tá na moda ser politicamente correto e não ser investigativo. O alto da medicina neste país é a estética e o jornalismo, claro, não quer ser diferente. Com dinheiro do BNDES sobrando, otimismo e Corcovado decolando, porque o jornalismo quer ser investigativo? Ele prefere uma vida sakamôtica.

Falando em apagões, eis o motivo do título deste post: ele pode vir com força este ano. Lembra que falávamos de modelo regulatório? Pois é, leitor(es). Falou-se tanto em Bolsa-Família, na “guerra psicológica”, numa suposta conspiração da direita para dominar o mundo (até o Pirulla já deixou claro que não existe conspiração e que devemos olhar para os fatos), mas as promessas de que não enfrentaríamos apagões ficou escondidinha, guardadinha porque, sabe como é, eleição em 2014 não pega bem com apagão (embora eleição rime com apagão -> #ficadica).

Não é de hoje que o apagão nos ameaça. Antes dos anos 2000, técnicos do IPEA alertavam para o risco. Como todo mundo sabe que usina termelétrica, nuclear, hidrelétrica, etc, não se constrói em um dia, é óbvio que alguém tinha que pensar no problema. Bem, com ou sem BNDES, manipulações contábeis (bem desmoralizantes para quem é contador, imagino) e “guerras psicológicas” por parte do governo, tivemos o tal apagão que, dizem alguns, tirou-nos Serra e nos deu Lula (eu diria: “seis por meia dúzia”, mas há quem discorde…aliás, na era da internet, há quem discorde sempre…).

O sol, aquele engraçadinho do texto de Bastiat (Petição), continua, ironicamente, demonstrando a importância do poder criativo a que se referia Julian Simon, nosso “último recurso“. Claro, agora já é 2014. As eleições estão aí. O governo desprezou o Sistema de Metas, chutou o balde na política fiscal, destruiu a Responsabilidade Fiscal e, bem, vejam só, tal como aquela história de que Hitler cometeu o mesmo erro de Napoleão, ele menosprezou a importância dos apagões.

Acredito que menosprezou menos, mas com a politicização dos cargos técnicos (lembram do IPEA antes da mudança recente?) típica dos governos de esquerda (as evidências se avolumam, não é difícil constatar), eu diria que o apagão tem boa chance de vir com força total este ano. Não, não estou dizendo que viveremos em um mundo apocalíptico. Mas aquele populismo de “baixar a tarifa” que, descobriu-se, foi um erro grosseiro do próprio governo, e se transformou em “governo terá que se endividar para te dar um desconto populista” não ajudou em nada. Os mais chegados na ideologia do que na ciência, claro, farão como o governo situacionista do RS e pedirão por estatizações dizendo que a culpa é do setor privado que “não soube empreender em um ambiente que nós, governo, sabotamos, sempre que possível só para ver o quão macho é o empreeendedor”.

Sim, amigos, o BNDES não salva. É preciso ter inteligência (lembra do último recurso?) e qualificação.