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Homenagem aos que se dizem presos políticos

Minha homenagem aos heróis que se dizem presos políticos.

Não pode haver maior desgraça, no mundo, que converter-se, a um doente, em veneno a teriaga que tomou para vencer a peçonha que o vai matando. Ferir-se e matar-se um homem, com a espada que cingiu ou arrancou para se defender de seu inimigo, a arrebentar-lhe nas mãos o mosquete e matá-lo, quando fazia tiro para se livrar da morte – é fortuna muito má de sofrer. E tal é que acontece em muitas Repúblicas do mundo, e até nos reinos mais bem governados, os quais, para se livrarem de ladrões – que é a pior peste que os abrasa – , fizeram varas que chamam de justiça, isto é, meirinhos, almotacéis, alcaides; puseram guardas, rendeiros e jurados; e fortaleceram a todos com provisões, privilégios e armas. Mas eles, virando tudo de carnaz para fora, tomam o rasto às avessas e, em vez de nos guardarem as fazendas, são os que maior estrago nos fazem nelas, de sorte que não se distinguem dos ladrões que lhes mandam vigiar em mais senão que os ladrões furtam nas charnecas e eles no povoado; aqueles com seu risco e estes com provisão e carta de seguro. [Arte de Furtar – anônimo, séc. XVIII (apresentação de João Ubaldo Ribeiro), p.25, Clássicos Nova Fronteira, 2a edição,1992 (original português de 1744]

Reconheceram-se?