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As instituições bolivarianas

A notícia mais aterrorizante da semana – aterrorizante em qualquer aspecto – é a de que, no Brasil, um monte de gente pode se juntar (exceto para fazer flashmob, porque isto a nossa prefeitura (?) proíbe) e chantagear qualquer entidade privada porque a polícia não fará nada. Não, não é apenas questão de polícia, eu sei. Mas os juízes também vão se esconder embaixo da cama. E os políticos farão de conta que não existem.

É fato que ninguém, em sã consciência, é contra aliviar a situação de pobres. E falo isto sem ganhar um tostão de bolsa do governo para fazer uma “pesquisa” econométrica com “evidências” de que pobre só morre se for negão ou que bolsa-família é melhor que o sistema de metas contra a inflação. Muitos supostos “Ph.D.s por Chicago, MIT, etc” vivem muito bem com a grana recebida para fazer pesquisas que “encontrem provas” a favor das políticas do governo. Muitos outros, claro, são mais sérios e éticos. Mas o fato é que a cara-de-pau aumentou.

Aumentou e aumentou muito, devo dizer, nos últimos anos. Não, não acho que é uma política inventada pelo suposto líder sindical e ex-presidente Luis Inácio L. da Silva. Não acho que seja um sujeito tão sofisticado assim e nem tão bem assessorado. Afinal, é bom lembrar que ele sequer sabia do esquema do mensalão que existia sob suas barbas. Embora muita gente fale do suposto “mensalão mineiro”, lembro que devemos encontrar o mesmo cenário: o nosso político, Eduardo Azeredo, tal como o ex-presidente, também não devia sequer saber da existência de tamanho esquema. Afinal, vale para o ex-operário – que não era burro só porque não estudou – como vale para o ex-governador.

Agora que já colocamos os pseudo-argumentos em seus devidos lugares, voltemos ao ponto central, título deste post. A conivência da população – construída por anos de convivência com a corrupção – é tanta que bastou condenar um bando de políticos que os militantes petistas e seus simpatizantes acharam o fato suficiente para expressar todo seu racismo em redes sociais. Acusaram Ali Kamel de ser racista por publicar um ótimo livro, mas não resistiram a chamar o presidente do STF de macaco por discordarem…de sua sentença.

Sim, é verdade. O governista – antigo opositor – Kassab teve sua suposta homossexualidade ventilada de maneira safada pela suposta sexóloga petista durante uma destas campanhas para a prefeitura. Um outro membro desta suposta minoria, lá em Porto Alegre, oposição ao então governador Olívio Dutra, foi esculachado e impedido de participar de uma daquelas comemorações da tal Farroupilhas (e não me refiro à zona de prostituição, obviamente…) por querer se vestir de prenda. Fosse ele um militante do partido do ex-governador, provavelmente teria sido levado ao desfile sobre os ombros dos valorosos militantes democratas da esquerda.

Falamos muito de genocídio e de vítimas da ditadura militar, mas não temos coragem de falar da fome na Ucrânia, das valas comuns de poloneses, tchecos, lituanos, etc no Leste Europeu criadas pelo massacre socialista. E o Camboja? Alguém estudou o Camboja na escola? Ou vamos critictar apenas o suposto imperialismo dos EUA no Vietnã? Revolução Cultural de Mao…o que foi aquilo? Um simples “desvio” da revolução? Matar homossexuais em Cuba pode porque tem médico cubano no interior?

A conivência, portanto, não é sinônimo de tolerância, valor vital para a democracia. Trata-se da conivência unilateral, geradora de desigualdades, e viesada, maniqueísta. Prega-se um discurso de que a “diversidade é bonita”, enquanto se trabalha para que a diversidade desapareça. Qualquer voz – com o perdão da piada – diversa é combatida como se fascista fosse. Aliás, ninguém mais sabe o que é fascismo. Nem a filósofa da USP parece ter estudado a História “para além” de seus autores favoritos. Sim, porque se o tivesse feito, veria que fascismo e socialismo deram-se as mãos com muita alegria no campo teórico e, bem, a Polônia, esquecida por nossos militantes e supostos professores de História, pode dizer mais do que eu jamais poderia.

Conivência sem tolerância, pois, é o que eu chamo, com a consciência limpa e tranquila, de a mais inovadora instituição bolivariana do século XXI. Uma instituição que consegue trazer o que há de pior no passado da história da humanidade para o presente, sob uma roupagem bonita, supostamente progressista, supostamente popular, com olodum, tambor, artesanato, meio ambiente, Jesus Cristo Superstar, etc.

A roupagem, infelizmente, não parece cobrir muito. Mas quem sou eu para dizer que a presidenta está nua? Prefiro a velha história, mais tradicional, eivada de valores antigos (machistas?), aquela que me contaram quando criança. Aquela na qual o rei é quem está nu.

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