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Imagine que você quer viajar para o exterior

Imagine que você saiu nas férias para fazer uma grana extra no Reino Unido ou, sei lá, nos EUA. Bacana, não é? Agora, imagine que, chegando nos EUA (fiquemos com este, sempre alvo de amor e ódio), você arrume um bico numa cadeia de fast-food. Jóia, apesar de ser brasileiro, os norte-americanos não são xenófobos a ponto de ignorarem o famoso cálculo de custo-benefício.

Você não ganha tubos de dinheiro, mas não tem restrições para trabalhar direito. Sai do serviço à noite e, de vez em quando, curte uma baladinha. Usa a internet para avisar seus familiares e contar suas burradas e sucessos para a turma de amigos. Um belo dia, conhece uma nativa e começa a sair com ela. Dá uns beijos, passeia, toma picolé, mas o dia de voltar se aproxima. Você faz as malas e volta para o Brasil.

A história é simples e nenhum brasileiro dirá que não conhece alguém que já não fez algo parecido.

Agora, vamos pensar na vida de um médico cubano que é obrigado (ou não) a vir para o Brasil. Ele vem trabalhar por um dinheirinho. Ok. Ele dá duro, tenta aprender um pouco de português, rala e, à noite, quer sair para a baladinha. Infelizmente, não pode ir se não for com um grupo de cubanos. Dentre eles, claro, tem o “olheiro” do governo cubano.

O tempo passa e ele não pode usar a internet livremente porque sabe que, se criticar seu governo, sua família terá sua ração diminuída. E tem os olheiros, claro.

Numa das noitadas, ele conhece uma brasileira e se apaixona. Opaaaa, a história não pode continuar. Por que? Porque o que o governo brasileiro pretende fazer, junto com o governo cubano, é aceitar o médico aqui, desde que ele não se relacione “intimamente” com nenhuma nativa. Não, eles não são racistas. Não se trata de uma visão fascista do império castrista (ou castrador?). É o medo, puro e simples, de que os médicos abandonem o país (deles) como o fizeram na Bolívia.

Um ex-ministro da Justiça, lembrem-se, forçou dois boxeadores cubanos a voltarem para Cuba porque, porque..sei lá, por motivos humanitários. Com o apoio de militantes que condenam a Apple ou a Nike por usarem trabalhadores em condições de semi-escravidão, alguns políticos brasileiros e outros cubanos estão para importar médicos sob estas condições.

A gente começa a se perguntar: com tanto médico em uma Europa em crise, porque não incentivar a vinda deles?

Eu não tenho nada contra a concorrência de médicos estrangeiros, não me entendam mal. Mas não acho bonito ou moralmente (ou eticamente, etc) correto trazer médicos com um monte de restrições à vida íntima deles (= liberdade individual, tá? Ou quer que desenhe? Use o Aurélio antes de espumar de raiva e vomitar comentários mal educados). A escravidão, segundo Marx, não era algo bonito de se ver. Entretanto, seus devotos seguidores acham correto fazer isto com seres humanos.

Por que não, simplesmente, liberar a emigração dos cubanos para o Brasil? Deixe que venham os médicos que quiserem vir. Deixe que trabalhem e se relacionem com quem quiserem. Não é assim com os brasileiros que vão ao exterior? Alguém aí acha correto obrigar estudantes brasileiros a capinar no exterior, sem liberdade de sair sozinho, sem direito a namorar ninguém e ainda ser vigiado e, já me esquecia, enviar parte da grana para o governo brasileiro?

Estão saindo às ruas estes dias por muitas causas. Eu sairia por uma causa destas: sou solidário com gente que vive sob uma ditadura. E vocês?

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