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Lei de Goodhart

Os chegados em Economia certamente já ouviram falar da Crítica de Lucas. Pois é. A crítica é muito importante e poderosa. Muitos até passaram a desprezar a Econometria em prol de algumas abordagens não-paramétricas. Existem os testes para a críticas de Lucas, no contexto da metodologia da LSE e o debate não terá nunca um fim. Basicamente, o que a crítica nos diz é que, uma vez que indivíduos são racionais, qualquer tentativa do formulador de política econômica de alterar a realidade será frustrada pela imediata reação dos indivíduos.

Pois bem. A crítica, como eu já disse, é sujeita a críticas e, mais importante, a testes econométricos. Por que? Porque, claro, sabemos que os agentes são racionais, mas sabemos que há muitas coisas que não conseguimos explicar e/ou mensurar. Como sempre digo, temos que partir para a pesquisa empírica. Não tem jeito.

Estou dizendo tudo isso porque meu amigo Diogo Costa, hoje, resolveu falar de um assunto correlato: a Lei de Goodhart. Fui apresentado ao conceito, faz algum tempo, pelo sempre brilhante Leo Monasterio (aquele que sempre me deu conselhos terríveis…). A idéia da lei é muito parecida com a crítica de Lucas, no sentido de que, implicitamente, supõe agentes racionais. Claro, porque senão, como a criação de um indicador não incentivaria as pessoas a buscarem o cumprimento de metas?

Acho interessante a idéia do Diogo e imagino que ele tenha uma preocupação legítima com a formulação de políticas públicas quando a lei opera. Mas aí está um problema em que devemos pensar: será que a Lei de Goodhart é sempre válida? Tal como na Crítica de Lucas, existe a possibilidade de que, durante um curto (ou longo?) espaço de tempo, o indicador tenha algum efeito na sociedade.

A pergunta que fica é: será que qualquer indicador que seja usado como parâmetro para uma política necessariamente corroborará a Lei de Goodhart? Será que sim? Será que apenas por um curto espaço de tempo?

Diogo explora um aspecto específico e, normativamente, assume que a Lei é boa se perseguida por empresários, mas ruim se perseguida por políticos. Penso que ele tem na cabeça (além do cabelo, claro) a idéia de que soluções descentralizadas são melhores do que as centralizadas (há um flavour hayekiano aqui, mas quem me conhece já sabe…). Então, há uma segunda pergunta: será que indicadores que se transformam em metas para o setor privado, geram sempre resultados Pareto-superiores? Ou depende da estrutura de mercado (mesmo que não existisse governo, por exemplo)?

Fica aí minha reflexão complementar à do meu amigo Diogo.

 

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Querido diário

Ontem começou o mini-curso do R. Muita paulada e quebradeira, mas os alunos não me olham como um animal exótico (e nem olham o R com muita alegria, mas também não há ódio). Hoje, após a “iniciação”, os exemplos devem fluir mais rapidamente. Adicionalmente, outro artigo entrou na fila de leitura (por conta da ótima opinião do Leo Monasterio), qual seja, este.

Plutão na casa de Marte jogando xadrez. Bom dia para usar variáveis instrumentais.

Números da sorte: menos infinito, mais infinito e 9/0.

Cores do dia: azul cobalto, laranja.

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Caridade, altruísmo, etc

Eis algo que aparece na literatura desde Becker e Barro, pelo menos. Ou melhor, eis algo que passou a ser discutido mais seriamente desde as contribuições destes autores. É por isso que fico feliz quando vejo que alguém conseguiu uma base de dados e fez algum teste sobre o tema. É o caso deste artigo.

Alguém bem poderia fazer um estudo similar com dados brasileiros. Adoraria ver os diversos controles que teríamos que utilizar…