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Limitações cognitivas, instituições informais e porque todos devem ter esquecido uma variável (e porque isso não importa)

Eis um bom trecho para se pensar:

If different languages influence their speakers’ minds in varying ways, this is not because of what each language allows people to think but rather because of the kinds of information each language habitually obliges people to think about. [Deutscher, G. Through the Language Glass – Why The World Looks Different In Other Languages, 2010,p.152]

Primeiro, este é um livro muito bom, genial mesmo e agradável de se ler. Além disso, o trecho acima nos faz pensar em novos problemas quando falamos dos problemas de história econômica em termos de instituições formais e informais. É claro que é provavelmente impossível testar hipóteses com algo tão dinâmico como a linguagem, mas é possível que haja um efeito não-desprezível da mesma na construção de instituições.

Fico pensando na situação interessante, por exemplo, para um português do século XVII, no Brasil, praticamente bilíngue (lembre-se dos índios) e em quanto isso pode ter sido enriquecedor para seu cérebro. É verdade que alguns artigos usam a proxy “acesso ao mar” para medir o fenômeno das trocas comerciais e, indiretamente, do contato com outros valores culturais (penso em definições mais precisas, como as dos trabalhos mais recentes de Tabelini) que pode(ria)m, de forma maravilhosamente misteriosa (ah, a mente humana…Hayek!), ter colaborado para a construção de micro-aspectos peculiares de instituições locais.

A questão das crenças (no sentido preciso que lhes imputa a Teoria dos Jogos), dotações e instituições é sempre um problema quando se pensa no primeiro deles (as crenças). Pior que não tem jeito: tem que estudar e ler de forma inteligente a literatura especializada e também a não-especializada. Daí é que eu, agora sim, agradeço ao Diogo Costa pela dica de leitura deste livro. Só agradeço agora porque pude, ainda que imperfeitamente, explicar o fascínio que o livro exerceu sobre mim e sobre a forma como vejo o mundo (irônico…) e também sobre minhas pesquisas sobre história econômica e desenvolvimento.

Cores, matizes (escondidos ou não) e realidade…que viagem, heim?