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Sem pesquisa na graduação não vai não…

George Mason University se sai consistentemente bem os últimos anos como a melhor universidade dos EUA no que diz respeito aos cursos de graduação. Não, não, leitor. Lá não é um burocrata – ou alguns pesquisadores reunidos em alguma agência, com subsídios do governo – que determina a posição no ranking. É a própria sociedade, no que ela tem de mais eficiente para mensurar excelência: o mercado. A pesquisa é feita pela U.S. News & World Report e é muito bacana ver uma universidade com um departamento de economia tão dinâmico ir bem neste ranking por vários anos.

Como eles chegaram lá?

Some highlights of recent years include:

  • An investment of nearly $700 million in construction on the campuses since 2009, which includes new academic, residential and recreational facilities.
  • Introduction of the Students as Scholars program, which encourages and promotes undergraduate research.
  • Construction of a high-level biomedical research laboratory, one of only 13 in the country built through a competitive grant from the National Institute of Allergy and Infectious Diseases.
  • Steady growth in the university’s student residential population, now numbering 6,000.
  • Partnering with the Smithsonian Institution to create the Smithsonian-Mason School of Conservation in Front Royal, Va., where undergraduate and graduate students can study endangered species.
  • Leadership of the 4-VA program, a statewide initiative that increases student access to science, technology, engineering and math courses through technology.

Repare na importância da pesquisa na graduação para o sucesso da GMU. A lição da história (que nem todo historiador entende mas…a história é importante demais para ser deixada nas mãos dos historiadors apenas…) é que com mercados flexíveis (muitas universidades públicas e privadas), com o entendimento de que o capital humano deve ter seu sucesso avaliado pela sociedade (empregadores, consumidores, os próprios estudantes recém-formados, provando-se bons para a produtividade da firma) e com o incentivo à meritocracia, não tem erro.

Claro, no Brasil, é tudo ao contrário e nosso governo acredita que quanto pior, melhor. Digo, não diz que acredita, mas os atos…

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Intolerância: o caminho para a perpetuação das ditaduras

Tem horas em que eu me lembro de alguns filmes. O “Intolerância”, de Griffith, filme mudo de 1916 é um que deveria estar na pauta dos professores em escolas, não apenas no Brasil, mas lá no Irã, no Egito, ou em qualquer outra teocracia islâmica (islâmica? muçulmana? Sei lá.).

A melhor coisa do mundo é ligar religião ao governo, promover-se presidente e censurar qualquer atitude considerada desrespeitosa à sua crença. Foi assim no nazismo e é assim no Irã e assim se pensa em diversos grupos espalhados no mundo árabe. Aqui, no odiado mundo ocidental (odiado por 99% dos supostos professores de geografia e história brasileiros), a tolerância ainda é a marca que nos torna mais humanos do que estes radicais e isto foi belíssimamente captado por esta irônica matéria da The Onion.

Talvez, no Brasil, alguns padres (muitas vezes envolvidos em práticas sexuais obscuras) reclamem. Mas ninguém é assassinado por isto. O Papa não emite uma sharia fatwa exigindo a morte de cartunistas. Nos EUA, a tolerância é maior ainda. Mas, para alguns, desenhar o tal Maomé é pecado capital. Desenhá-lo com um capacete, nem pensar. Com calção Adidas, nunca! Fazer um filme mostrando que ele transou com alguma Maria Madalena, claro, causaria uma histeria coletiva.

A The Onion conseguiu resumir tudo isto em uma pequena, divertida matéria. Sua mensagem é poderosa e clara. Ah sim, existe “Intolerância” em DVD. Vou revê-lo no sábado. Comprei-o há algum tempo – sempre achei este filme maravilhoso, ainda mais para 1916..baita produção! – e esperava uma oportunidade de esquentar o aparelho de DVD. Bem, aí vou eu. Vou tomar umas cervejas no sábado, durante o filme, em homenagem a Osama Bin Laden, Maomé e nossos intolerantes brasileiros, desde a esquerda até a direita, passando por supostos libertários, conservadores e liberals (os socialistas/social-democratas norte-americanos, aqui, erroneamente traduzidos como “liberais”).

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Novamente a conta de luz

Um leitor atento chamou a atenção deste blogueiro para imprecisões no vídeo que mostra possíveis implicações políticas da desoneração da conta de energia elétrica divulgado, dentre outros, aqui. Segundo ele, uma coisa nada teria a ver com a outra, o que me faz pensar que ainda há algo por vir.

De qualquer forma, parece que nem tudo são flores. O assinante do Estadão pode procurar pelo novo artigo do prof. Rogério Werneck que mostra que a desoneração aos consumidores pode significar problema para os contribuintes. Como ambos se equivalem…

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Capital Humano no Brasil – os bebês

Uma excelente matéria do Estadão, de hoje, resume uma pesquisa do IBOPE sobre o que poderíamos chamar de ranking de preferências no que diz respeito aos cuidados com os filhos, de 0 a 3 anos.

Quem é assinante tem acesso a uma versão mais bem detalhada, com os famosos infográficos que só os bons jornais conseguem fazer.

É ótimo saber, claro, que pais cuidam da saúde da garotada. Mas é ruim saber que eles não entendem bem o que é isto. Temos 51% dos entrevistados mostrando que sabem a importância dos pediatras, mas só 11% fazem o dever de casa de “proporcionar estímulos auditivos, visuais e táteis” das crianças.

De certa forma, estes estímulos dizem respeito não apenas à saúde, mas à educação. Sem falar na pouca importância dada a “estabelecer limites” (17%), o que explica porque alguns alunos se acham donos da verdade, mostram comportamento anormal, anti-social e arrogante. Converse com alguns pais e você descobrirá que os mesmos pensam que isso tudo é sinônimo de boa criação. Aparentemente, ir à creche ou à escolinha é menos importante ainda (6%). Bons exemplos dos pais, vá lá, recebe um positivo de 17% da amostra.

Parece que o resultado nos permite especular que muitos pais e mães não entenderam que trabalhar fora não é sinônimo de terceirizar a criação dos filhos. A geração seguinte é quem manterá a economia do país em marcha e, para ser cínico, a sua aposentadoria pública. Logo, criar bem é garantir cidadãos felizes (e seu fluxo de renda mensal do INSS).

O modelo psicopedagógico de “liberdade sem limites” já fracassou de maneira estrondosa. Basta ver a quantidade de pais e filhos que não entendem a vida em sociedade soltos por aí, com o mesmo direito a voto que o do leitor.

Bela pesquisa e que vem a calhar. Quer melhorar o capital humano do país? Crie seus filhos direito.