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The Worst Ten of 2011

Espero não ter muito o que dizer aqui.

1. O falecimento dos familiares – Baatyan e tia Terezinha resolveram se despedir de mim e dos meus parentes sem direito a volta. Incrível como estas coisas sempre nos atingem, mesmo sendo esperadas. Eu poderia falar muito sobre as duas aqui, mas este blog não é o espaço adequado para tal.

2. Fukushima – A incompetência do agente regulador japonês – o governo, claro – mais o azar de encarar um tsunami de proporções jamais vistas fizeram minha tristeza no início deste ano. Embora não tenhamos perdido parentes por lá, o mundo ficou mais triste para mim. Entretanto, é muito bacana ver como a solidariedade mundial ainda funciona razoavelmente bem, a despeito de tudo. Mais ainda, a quantidade de cantores japoneses envolvida em atividades de solidariedade me faz pensar no porquê dos nossos se preocuparem mais com reservas de mercado ou fundos públicos para blogs, enquanto enchentes devastam o Rio de Janeiro todo começo de ano.

3. A inação de Obama – A sensação de que a inexperiência de Obama é maior do que seu apelo de marketing parece-me uma constante em 2011. Só ganhará a eleição porque os republicanos parecem os democratas dos anos 80: perdidos e incapazes. Talvez o grande herói dos EUA em 2011 seja o Bernanke , a despeito de todas as críticas que se possa fazer ao FED.

4. A população brasileira, digo, os eleitores – Como é que pode as pessoas insistirem em incluir elementos ideológicos em discussões que são puramente relacionadas com a safadeza e a cara de pau de políticos? O ministério da administração Rousseff parece um exemplo de jogo de dados em livro de Estatística: a cada dia cai um. Quando você tenta argumentar racionalmente, as pessoas começam com discursos do tipo: “mas o FHC também fez” ou “melhor isso do que o capitalismo”. É simplesmente um retrocesso na qualidade do debate. Talvez tenha a ver com a péssima formação educacional brasileira que não apenas gera ignorância em aritmética ou em português, mas também uma paralisação do desenvolvimento individual enquanto sujeito com capacidade de (auto-)crítica. Não jogo a culpa nos safados que controlam a imprensa com recursos públicos ou que infestam as instituições. Culpo, sim, o povo que se recusa a pensar.

5. A forma de agir do governo brasileiro no cenário mundial – Protecionismo, apoio a governos de qualidade institucional duvidosa (ou podre) sem qualquer esclarecimento aceitável em termos econômicos (vá lá, sejamos maquiavélicos, ainda assim não há como dizer que teremos ganhos econômicos com a economia da Síria ou da Bulgária). Nada mudou nesta continuação da dinastia da esquerda no poder (aquele papo de alternância de poder desapareceu, né?).

6. O fim do Google Reader – embora anunciado, ainda não o vi acabar. Mas será uma má notícia quando acontecer. As expectativas já diminuíram.

7. Minha falta de criatividade – Tenho escrito tão pouco ultimamente e não sei bem o porquê. Mas, de fato, incomoda-me minha parada do lado direito (ou esquerdo, sei lá) do cérebro (talvez devamos dizer: de alguma região do cérebro). Até para fazer este blog tem sido difícil. Textos maiores e mais analíticos são pedidos por uns dois dos meus três leitores e eu concordo que seria bom fazer mais disso aqui. Mas o tempo ou a falta de organização de minha parte não parecem me ajudar. Talvez em 2012 eu consiga minorar este problema.

8. A oposição brasileira – Quando todos os candidatos à presidência dizem que o Banco Central deve fazer o que eles quiserem, então você sabe que não existe oposição. Criam-se partidos para, em seguida, dizerem que são aliados do governo. Discursos perdidos, confusos, disputas mesquinhas (bem, tudo em política é um pouco mesquinho mesmo, mas vá lá…) e tanta paralisia distorcem um dos mais importantes mecanismos do bom funcionamento da democracia que é, de fato, a própria oposição a um governo. Sem ela, vive-se como em Cuba ou na Coréia do Norte.

9. A falta de compromisso  – Neste último semestre, mais do que nunca, notei como isto tem infestado certos círculos sociais. Todos querem o bem público mas, como em um bom livro-texto de Economia, não querem trabalhar. É ótimo ouvir que “meu comportamento segue o livro de Economia”, claro. Entretanto, a vida não é uma boa transcrição de um livro-texto de Economia. Bens públicos são gerados e os economistas, em estudos mais avançados, mostram que há muitos incentivos interessantes – e nem sempre fáceis de se entender – pelos quais as pessoas geram avanços maravilhosos para todos, mesmo que se comportem racionalmente. Falta de compromisso é um mal e deve ser extirpado. No nível em que vejo a coisa toda, acho que deve ser extirpado a qualquer custo.

10. A logística brasileira – É muito bom ver gente com pouca instrução arrumando emprego (de fato, é ótimo), mas é péssimo ver como as empresas continuam com uma das piores logísticas do mundo. Prometem entregar um produto em 10 dias e não o fazem. Até empresas de táxis (em BH, notadamente, chega a ser um insulto) fazem o disparate de te prometerem um táxi ou, claro, ligarem para você em 15 minutos caso não consigam um e, finalmente, não fazerem nada, deixando a pessoa esperando como um imbecil. Assim, temos pessoas que não conseguem entender um pedido simples em um bar, não são capazes de operar uma máquina um pouco mais sofisticada e, por outro lado, temos empresas tão mal administradas que, mesmo desta mão-de-obra não conseguem um mínimo de qualidade. O empresariado brasileiro parece incapaz de empreender, ao invés de chorar pela taxa de juros ou pela taxa de câmbio. O empresariado brasileiro, salvo raras (raras mesmo) exceções, é uma classe de gente que não almeja empreender. Há muito de incentivos nisto, claro. Incentivos mal desenhados e tal. Mas há muita incompetência mesmo.

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The Best Ten of 2011 – part II

Talvez eu deva dizer que há também os “The Worst Ten of 2011”. Depois eu mando alguns…

1. Novos professores da casa – Diogo e Jonathan reforçaram o time da faculdade neste semestre. Desnecessário dizer que ambos trouxeram novo ânimo para todos. É incrível o entusiasmo dos novatos – e também é incrível a falta de entusiasmo de muitos alunos que deveriam estar entusiasmados com sua escolha profissional – e talvez a gente precise sempre se lembrar de como éramos há quase 20 anos atrás…

2. Casamentos – Um grande amigo e colega da casa também deu um salto este ano, para dentro do balaio dos casados (novamente). Foi uma das melhores coisas estar lá para compartilhar com ele a alegria (e o whiskey na festa). Esta coisa de entrar na igreja em casamentos é sempre como se fosse a primeira vez…

3. O I Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia – Lá na USP. Foi divertido e também, inesperadamente, uma boa chance de vender os últimos exemplares do “Tire a mão da minha linguiça“, o clássico da literatura luso-lusitano-brasileiro-africana-timorlestiana. Os debates foram muito legais e, se tudo der certo, teremos a segunda edição este ano. Só para o Cristiano – agora um fominha de links – não dizer que não o citei, aí vai. Afinal, ele é o pai da criança…

4. As cervejas importadas – A vida continua alegre com a abertura – sim, a globalização que te dá toda esta variedade de consumo (até livros de protecionistas, no original e mais baratos você consegue!) – e, espero, com a entrada da Kirin no Brasil, o mercado se renove com as cervejas nipônicas (mas duvido que trarão todo o portfolio, infelizmente).

5. O Tea Party – A despeito do ódio dos repórteres e artistas globais, a renovação popular do sentimento de que o governo pode estar nos atrapalhando mais do que ajudando deu novo ar à política dos EUA . Eu esperaria debates mais interessantes também, mas os nossos “analistas” políticos são muito primitivos para publicarem algo mentalmente relevante. Às vezes a gente lê um ou outro, mas ainda somos um país que confunde debate acadêmico com brigas pessoais.

6. O Ipad – Eu pensava em comprar (ainda penso) o Motorola com o Android, mas uma oferta irresistível (não pense em “O Poderoso Chefão”, por favor) fez-me comprar o Ipad, 1.0. Como recurso de leitura, superou minhas expectativas. Também será um poderoso recurso pedagógico no próximo semestre. Imperdível mesmo é conseguir se livrar do (nem sempre útil) firewall da faculdade, que deixa alunos e professores extremamente chateados quando, por exemplo, querem baixar a PNAD pela rede wireless.

7. Google Plus – Fiquei em dúvida se o colocava aqui. Acho-o muito melhor do que o Facebook, mas não pegou. Deveria ser um dos “piores do ano”? Bem, talvez para a Google, mas continuo pensando que vale a pena investir mais nesta rede do que na outra. Quem sabe não mudo a trajetória em 2012?

8. Bin Laden – Ah, que satisfação! Fale o que quiser, leitor, mas de um país que abriga terroristas e cujo povo nem liga, não espero mesmo comentários relevantes. O fato é que teria sido bom ter pego este criminoso vivo, mas morto também serve. Infelizmente o covarde não foi enjaulado e examinado como Saddam, para acabar um pouco com esta aura de “mártir” que ele mesmo disseminou entre seus simpatizantes. O mundo ficou um pouco melhor sem Bin Laden.

9. O Android – Já falei dele aí em cima, mas vale repetir que tem sido um belo sistema operacional para celulares. Falo como usuário, claro.

10. O fim da obra no apartamento – Preciso dizer mais?