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Relevância da economia

Após ler o jornal da manhã, não há como reparar os danos ao humor de qualquer brasileiro alfabetizado. Mas eis que o Ronald, como eu, leu o Mark Thoma ontem (via James Hamilton), e resumiu de maneira perfeita o ponto central do argumento:

Existe, de fato, entre alunos de pós-graduação, um fascínio natural pelas técnicas, que, diga-se de passagem, são importantes por fazerem parte do arsenal indispensável do economista. O problema não reside no desenvolvimento de competências técnicas, mas na falta curiosidade de buscar entender melhor a natureza de problemas concretos, o que de certa forma reproduz a postura de seus professores. Sem uma postura mais adequada, continuaremos em debates estéreis sobre questões menos relevantes.

Acho que foi ele quem me disse isto uma vez, há quase dez anos, de maneira mais ou menos similar ao que está escrito aí em cima. Claro que alguém poderá entrar na infindável discussão (eu já entrei: é realmente infindável) sobre o que é um “debate estéril” ou uma “questão relevante”. Entretanto, acho que quase todo mundo entende a diferença entre beijar a furadeira e usar a furadeira e, claro, daí para frente, pode-se até ter uma discussão relevante (ou fugir).

Não é fácil, com certeza, fazer economia como defendem Thoma, Hamilton ou o Ronald (e eu). É difícil ensinar teoria e prática numa camisa-de-força inescapável que é a carga horária de qualquer disciplina em qualquer curso. Por isso é realmente difícil ensinar. Alguns pensam que ensinar é algo que se avalia com perguntas de questionário como “o professor usou o quadro? Sim ou não”. Isso é apenas uma parte do problema. Preparar uma aula – e não precisa ser de “cases” – exige a leitura de artigos avançados (para a graduação), mesmo que você não os use diretamente, vários livros-textos, muita checagem de tradução e cálculos e, além de tudo isso, claro, deve-se dourar tudo com exemplos para a economia brasileira o que não é nada fácil quando se vê a escassez de dados (e até de dados públicos que não são divulgados por falha burocrática ou algo pior) no Brasil.

Meu bom e sumido amigo Daniel resumiu muito bem o que é um bom professor. Consiste em um questionário simples:

1. Você prepara a aula (antes da aula)?

2. Você explica?

3. Você faz os alunos se exercitarem?

4. Você usa o quadro?

Se você respondeu “sim” a todas as perguntas, então está no caminho certo.

Dia destes eu volto a falar sobre como aprendi mais sobre o ensino superior sofrendo no próprio couro.

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Um comentário em “Relevância da economia

  1. Claudio,

    Geralmente em alunos de pos extiste um outro problema; dada a paixao pela ferramenta, quer resolver problemas exageradamente complexos soh com esta tecnica, ao inves de aplicacoes focadas.

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