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Pesquisas interessantes

O último número da Revista de Economia e Administração (vol.10, n.1, em breve já disponível na página da revista) tem alguns artigos que me chamaram a atenção (sem falar no meu próprio, com Ari e Juliana). Vamos a eles:

1. “Sistema financeiro, segurança jurídica e crescimento econômico” – Este é um excelente exemplo de artigo que procura fazer com que o leitor entenda o que os autores fazem. A explicação dos procedimentos (que culminam em um VECM e nos testes de causalidade) está ótima. Não chequei se o teste de causalidade foi feito sobre o VECM ou não, mas é um belo artigo.

2. “Industrialização do Brasil na década de 1930: uma análise com teoria dos jogos” – O autor é da área de história econômica e, de certa forma, a parte da história ocupa 2/3 do artigo. Sempre é bom contextualizar, mas o bacana do artigo é a modelagem do autor. Mais uma vez, alguns aspectos das hipóteses que Furtado criou (e nunca testou) são refutados, neste caso, pelo modelo do autor.

3. “Persistência inflacionária: comparações entre três economias emergentes” – Vamos falar sério. A última coisa que me interessou no artigo foram as três economias emergentes. Ok, é o tema principal, mas os autores foram muito bem-sucedidos na parte mais difícil do artigo que foi a de explicar os modelos ARFIMA. Até eu que sou burrinho consegui pegar a idéia.

Assim, meus parabéns aos autores destes artigos. Há tempos eu não via artigos que eram realmente “bens públicos”. Aprendi algo novo com cada um deles. Seja na forma de explicar um tópico, seja no aprender um novo método, ou admirar um artigo bem escrito.

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Como a esquerda conseguirá destruir o capital humano brasileiro

Rolf Kuntz tem uma crítica muito bem elaborada com respeito ao ministério da desigualdade (MEC). Parece aquela história antiga: os caras se agarram a um livro nunca revisado de Celso Furtado e a algumas idéias estranhas dos anos 50. Ou seja, não querem saber de gente bem educada (que, inclusive, é mais consciente e “participativa”), mas sim de substituição de importações. Só que agora querem importar engenheiros e técnicos de Cuba ou sei lá de onde mais.

Afinal, nem educação de qualidade eles querem dar, embora pressionem o setor privado a absorver semi-analfabetos em seus bancos, condenando os mesmos a um sofrimento muito maior do que teriam se bem educados fossem. Curiosamente a UNE, a CUT e outros que se vendem como “neutros defensores” de trabalhadores ou educadores preferem se calar e construir prédios ou lutar pelo imposto sindical (embora se digam contra o mesmo).

Os pais, claro, acham bonito que a educação seja de “esquerda” porque dividem o mundo entre bons e maus, tomando como referência os anos da ditadura militar estatizante (que eles chamam de “direita” apenas por conta do caráter religioso, imagino, já que liberalismo é o oposto de estatizante). Já ouvi várias vezes que “uma coisa é um cara que mente para se eleger (digamos, hipoteticamente, o Maluf)” e outra é “quem mente para se eleger (digamos, hipoteticamente, um da Silva que literalmente rasga seus gritos de guerra históricos para se vender como candidato palatável ao eleitorado sério). Ou seja, mentiu e eu gosto dele, pode. Mentiu e eu não gosto, não pode.

As pessoas gostam de double standards para avaliar aqueles que cuidam do dinheiro que lhes é arrancado sob a forma de impostos. Curiosamente, em um casal, o mesmo comportamento leva a brigas intermináveis e, claro, ao divórcio.

Interessante, não? Bem, mas se você leu tudo até aqui e concorda ou não comigo, fico feliz. Afinal, você ainda entende a língua portuguesa que estudamos em boas escolas.

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Análise crítica de certa imprensa no conturbado caso Palocci.

Ângelo (da CIA) tem uns bons comentários sobre a imprensa neste caso estranhíssimo (toda vez que membros do governo vazam para a imprensa que estão blindando alguém em casos que envolvem o imposto de renda, é difícil pensar que tudo está em sua absoluta normalidade) do ex-ministro Palocci.

Enquanto isto, claro, a suposta oposição baba e balbucia sons incompreensíveis, quando não fala besteira. Ou seja, vivemos em um país mexicanizado-cubanizado, muito similar ao que se observa na Venezuela que, aliás, segundo o maior admirador contemporâneo de Geisel e Chavez, o ex-presidente e sempre verborrágico, da Silva, é algo desejável porque isto é, para ele, sinônimo de democracia.

Se eu tivesse dupla cidadania (envolvendo ao menos um país civilizado), eu também falaria coisas como esta…

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Organização Industrial – uma área de temas interessantes inesgotáveis

The Economics of Collective Brands

Arthur Fishman
Bar Ilan University – Department of Economics

Avi Simhon
Hebrew University of Jerusalem

Israel Finkelshtain
Hebrew University of Jerusalem

Nira Yacouel
affiliation not provided to SSRN

September 12, 2010

Bar-Ilan University Department of Economics Research Paper No. 2010-11

Abstract:
We consider the consequences of a shared brand name such as geographical names used to identify high quality products, for the incentives of otherwise autonomous firms to invest in quality. We contend that such collective brand labels improve communication between sellers and consumers, when the scale of production is too small for individual firms to establish reputations on a stand alone basis. This has two opposing effects on member firms’ incentives to invest in quality. On the one hand, it increases investment incentives by increasing the visibility and transparency of individual member firms, which increases the return from investment in quality. On the other hand, it creates an incentive to free ride on the group’s reputation, which can lead to less investment in quality. We identify parmater values under which collective branding delivers higher quality than is achievable by stand alone firms.

Eu já fui mais entusiasta de Organização Industrial – ainda sou, mas menos do que antes – e devo dizer: há temas inesgotáveis nesta área de pesquisa. Este texto aí citado é um dos que dá vontade da gente parar de fazer o que está fazendo para estudá-lo. Mas meu tempo é muito escasso.

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Violência no campo, governos e conflito

Um bom texto para discussão do Barros, Araujo Jr e Faria.

Veja o resumo:

This paper analyzes conflicts and violence in Brazil involving landless peasants occupying privately-owned land, for the period 2000-2008. It is the first study to be undertaken at a national level, with a contemporary data span, using a count data model that allows for heterogeneity, endogeneity and dynamics. Results from the estimated model show that the violent land occupation grows with left-wing political support for land occupation, rural population density, and agricultural credit, and decreases with poverty, agricultural productivity. The study discusses the interconnection of land reform, poverty and conflict.

Fascinante, não? Se você gosta do assunto, veja também este outro texto, para Minas Gerais e vários dos textos do Bernardo Mueller (com seus bons co-autores) que se encontram aqui.

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Julian Assange presta um (des)serviço?

O pessoal não costuma gostar do Rumsfeld (embora adore um Lamarca fuzilando gente), mas o argumento dele, neste texto, merece leitura. Eu sei que é duro ouvir isso, mas Julian Assange não um santo, nem um utópico. Ele é humano, tem interesses e, eventualmente, coloca seus interesses acima das vidas de alguns.

Não entendo seus motivos, nem como adquiriu o direito a expor informações sigilosas de quem quer que seja, mas o fato é que ele o faz e, infelizmente, para ele, ações têm consequências…