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Como eu sei que o Brasil é um país selvagem

Um país não é civilizado se as pessoas acham que o principal – para alguns, único – meio de melhorar de vida é roubando os outros. Tivemos a escravidão – que é o maior crime contra as liberdades individuais – e hoje temos o mais comum: furto (ou roubo, se quiserem usar uma terminologia júridica, mas vou me referir a ambos como sinônimos).

É muito fácil ver que nenhum, mas nenhum governo brasileiro, desde o regime militar, provavelmente, conseguiu vencer este problema. Não falo de estupros, assassinatos ou arrombamentos. Falo de algo mais simples. Um crime que testemunhamos toda vez que entramos em um estabelecimento qualquer. Vá comprar seu marmitex e você encontrará um cartaz dizendo que “não aceitamos cheques”.

Claro que não é fetiche do empresário. É que os calotes ocorrem com uma frequência muito acima do normal, ou não teríamos tantas lojas com estas placas.

A elite brasileira – esta que pára em fila dupla, joga giz em faxineiros e urina fora do vaso em banheiros públicos – não enxerga este problema porque não precisa usar cheques. Que bom para eles. Mas, infelizmente, eles são poucos e nem todos ganharam sua riqueza honestamente, mas também dando calotes em outros.

Assim, quando alguém me fala de liberdade econômica no Brasil e sobre a saúde da moeda, eu penso duas vezes. Há lá uma política monetária – que inclusive vem perdendo credibilidade de forma preocupante – que se preocupa(va) com inflação e não em agradar o ministro X ou Y. Mas há uma doença social: uma parte da moeda, os cheques, não é aceita como tal. O presidente do BCB poder ir à TV e fazer um pronunciamento bravo sobre o tema, mas não é com bravatas que se resolve o problema.

Eis meu indicador de subdesenvolvimento – nível selvageria latino-americana – o número de comerciantes que não aceitam cheques como moeda.

p.s. a nossa elite, tão viajada pelo mundo, deve ter notado que cheques, em países civilizados, não são “não aceitos”…

9 comentários em “Como eu sei que o Brasil é um país selvagem

  1. E prática cartorialista então? você é só você se algum cartório carimbar que você é você mesmo, pelamor…!

  2. Tem um posto de gasolina aqui na minha cidade que não aceita NEM CARTÃO, NEM DE DÉBITO. Só em dinheiro. Moral da história: o posto vive sendo assaltado!
    Seria cômico não fosse trágico!

  3. Ótimo post.

    Lendo ele, lembrei que tenho um amigo advogado que trabalha nessa área. Ele me disse com todas as letras que a tal elite é quem mais deve e mais dá calote em empresas. Geralmente se aproveitam do nome que possuem e da velha aparência de saúde financeira.

    tsc tsc…

    no brasil, que é honesto só se F%$@!

    Abraços.

  4. Cheque, em qualquer lugar do mundo, não é equivalente a dinheiro, até pq é um ato privado, e como todo ato privado só pode ser praticado se os 02 lados aceitarem.

    O mesmo vale para cartão de débito e de crédito.

    E mais importante, a prevenção do calote pelo estado é igualmente problemático, pq exigiria que o estado tivesse acesso a minha conte e indicasse que eu tenho no momento da expedição do cheque capacidade de pagá-lo.

    Certamente um ato de intervenção estatal radical.

    É disso que vc está falando?

    1. Na verdade, não. Só fico chocado com a baixa credibilidade da moeda gerada, creio, por anos e anos de calotes para os quais a Justiça não conseguiu imprimir o incentivo adequado (ou as pessoas aceitariam cheques sem medo).

  5. Gostaria de saber qual economia que trabalha dessa forma, pois em regra cheque é usado lá fora para grandes transações, até pq não é qualquer um que tem acesso a ele.

    No mais, a justiça pouco pode fazer a respeito, pois se o “caloteiro” for desprovido de bens nada pode ser feito a respeito.

    Acredito que vc está com altas expectativas quanto ao que pode ou não fazer o Judiciário, que age mais como o faxineiro que limpa o leite derramado…

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