Uncategorized

Fumar é uma escolha racional

Para quem não acredita em escolha racional, eis um contra-exemplo que me foi citado pelo amigo Reginaldo hoje. No artigo abaixo citado, como os fumantes reagem a um aumento de preços nos cigarros? Consumindo menos cigarros, mas aumentando o consumo de nicotina. Não sei se era este o artigo que ele me explicava (talvez seja este), mas a história era de que o monitoramento da amostra mostrou que os fumantes tragavam mais fortemente o cigarro mais caro porque, na verdade, o que importa para eles não é o número de cigarros, e sim a nicotina em seu sangue.

Simples, mas esclarecedor. Quantas vezes já ouvi colegas do Direito dizerem que o problema era apenas o de aumentar a carga tributária sobre os cigarros? Talvez pelo fato de alguns dos colegas não entenderem todas as implicações da economia, tenhamos políticas públicas que, efetivamente, não afetam tanto assim os fumantes.

Alguém mais maldoso dirá que os colegas citados têm racionalidade limitada, mas eu penso que é apenas questão de pouco estudo em economia. Como sempre diz o Ivo Gico: o pessoal do Direito tem que estudar Economia. Eis aí uma evidência de que ele está correto. Mas complemento: estudar Economia não é apenas ler um manual de microeconomia de graduação. Tem-se de ir além.

Vai um cigarrinho aí, seu juiz?

 

Anúncios
Uncategorized

Falta capital humano ao Conselho de Educação?

Quem nunca leu Monteiro Lobato, levante a mão. Aposto que há vários leitores que nunca leram. Bem, as gerações futuras, agora, correm o risco de nunca o lerem. Afinal, para esta gente (quem?), o famoso escritor escreveu um livro racista.

Curioso este pessoal. Quando alguém mostra evidências de que Zumbi seria homossexual (o que, aliás, seria até politicamente correto), pede-se censura. Por outro lado, permite-se que socialistas tenham partidos políticos, enquanto integralistas são proibidos de formarem um partido. O aborto deve ser liberado para o gozo da esquerda, mas os eleitores católicos são acusados de reacionários.

Democracia, desta forma, passa a ser uma palavra que designa apenas a regularidade eleitoral. Assim nasceram Hitler e Chavez.

Ah, claro, não posso me esquecer dos sucessivos – e orquestrados? – ataques da “operação condor” dos bolivarianos em todo o continente contra a imprensa livre. Se o argumento é o poder econômico, por que o monopolista da coerção e da emissão de moeda deveria ser quem decide sobre a liberdade alheia?

Uncategorized

Finalmente comprei…

…e poderei ler a nova edição de “Quem é John Galt?” traduzido com o novo título de “A Revolta de Atlas” (mais fiel ao original).

Eu gosto dos romances de Ayn Rand e de sua caracterização quase monotóna dos personagens. O Fountainhead (A Nascente) foi uma leitura que, após iniciada, tive que me conter para não terminar às custas de não fazer mais nada. Tentarei ler este novo livro em consultórios médicos, bancos de aeroporto ou de aviões. Senão eu não trabalho.

Ayn Rand é uma leitura sempre bem-vinda.

Uncategorized

A economia e o sexo

Outro dia um aluno perguntou-me, com certo incômodo: “- Mas professor, cada hora vem um aqui e nos diz que há evidências favoráveis a este modelo, depois vem outro professor e diz o contrário, é uma confusão na minha cabeça…”.

Há uma resposta simples para isto, oriunda da metodologia científica, mas eis uma outra resposta melhor: economia é igual ao que você pretende fazer com sua namorada (adapte conforme suas preferências hetero/homo/bi/(s)sexuais). Pense: você deixará de fazer sexo com ela porque….ela não é a Angelina Jolie?

Eu sei que o modelo ideal é a Angelina, mas sua namorada não é Angelina. Eu sei, eu sei, você investiu seu conhecimento na busca de um modelo ideal para testá-lo (na cama, no banco traseiro do carro, etc), mas, veja, sua namorada ainda não é a Angelina.

Você tem que escolher, meu caro.

Evidentemente, pode ser que você queira testar outros modelos. Ok, procure pela Angelina no bairro, na boate…mas acho que dificilmente você dirá que não vai tentar uma investida mais íntima porque….ela não é a Angelina.

Minha metáfora também nos permite ver que economista que não quer testar seus modelos não está na profissão certa. Ok, há quem ache que o teste é apenas um baita onanismo, sem econometria. Eu entendo estas pessoas. Mas também entendo os que desejam testar seus modelos com econometria.

Outro ponto a se destacar é que ciência não é fé. Não tem isto de um único modelo para tudo. Você não é Deus (e reze para ele não jogar dados) para dizer que sabe se existe mesmo apenas um modelo para explicar tudo. Enquanto se possa usar 9,8 m/s2 para a gravidade em qualquer lugar da Terra como boa aproximação, há Angelinas com preferências Cobb-Douglas e há Jennifer Anistons com restrições de liquidez. A modelagem é muito mais rica e interessante e, por isso mesmo, há modelos e modelos.

Aliás, também há mulheres e mulheres e seria um pouco injusto dizer que sua namorada se parece com apenas um modelo ideal.

Não se esqueça: embora tudo o que eu disse, há quem seja assexuado, há quem não goste de sexo, etc. De minha parte, eu prefiro testar os modelos, mas respeito o direito dos pterodoxos de praticarem a abstinência, as práticas bizarras, sexo com animais, etc. Só não vale sexo com menores e sexo não-consentido. Quando pterodoxos entram nesta área nebulosa, realmente, merecem meu desprezo.