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Citação do dia

“O estruturalismo – na história econômica, na análise econômica e na política econômica – não se situa no curso dos acontecimentos e sim no centro de dogmas, sofismas e idiossincrasias.

Os estruturalistas têm passado a história econômica do Brasil pelo Leito de Procustes. [Carlos Manuel Peláez, “História da Industrialização Brasileira, APEC, 1972, p.218]

Houve um tempo em que, a despeito da sombria história econômica que se pretendia descolada dos dados ou das teorias econômicas, alguns tentaram seguir o caminho correto.

Curiosamente, muitos pós-keynesianos de hoje não gostam de ler as obras de Peláez que, por sinal, gostava de Leijonhufvud. Ah, mas isso é fácil de entender. Basta ver a citação acima: diversos pós-keynesianos-estruturalistas-etc só gostam dos fatos que lhes agradam. O falecido Ernani Teixeira, por exemplo, sempre foi tratado sem o devido respeito por esta galera, embora fosse um leitor feroz deste mestre pós-keynesiano.

Aliás, Leijonhufvud é um leitor interessado dos austríacos, embora com eles não se confunda.

Este pessoal que gosta de dogmatizar a economia faz parte do que se chama de “fim da picada”. Se os dados não comprovam o que disse este ou aquele mané (que, para eles, é um oráculo), então que se culpe a econometria.

Peláez tinha razão. Aliás, ele continua com a razão: história econômica sem teoria e sem dados não passa de sonhos ou, no caso, pesadelos…

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Por que este IOF pode gerar ganhos para grupos poderosos afinados com a administração da Silva mas…

…pode ser ruim para, aham, o restante dos habitantes do Brasil.

Política econômica, nunca é demais lembrar, não deve ser feita de maneira irresponsável só porque a economia mundial (leia-se: a China) vai de vento em popa. Já sabemos o que acontece quando se esquece as lições do passado (já ensinamos história econômica do Brasil há anos, “nezte-paíz”, não é?): porcaria pura.

Quer pagar para ver, (e)leitor? Então prepare o seu bolso, mas não conte comigo. Como dizia aquela camisa engraçada: vá ao teatro, mas não me chame.

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A ineficácia do multiplicador keynesiano dos gastos

John Taylor lança nova luz sobre este problema. Qualquer discussão séria sobre a ineficácia deste multiplicador deveria ser urgentemente feita por aqui. José Oswaldo Candido Jr. tem um trabalho sobre isso, recente. Entretanto, tenho a impressão de que ele não tem interlocutores.

Talvez seja a hora de os defensores do ativismo keynesiano “a la anos 70” mostrarem seus modelos, já que muito falam, mas pouco mostram. José Oswaldo iniciou o debate no Brasil. Nos EUA, como o leitor habitual sabe, o debate começou com a crise. O lapso entre políticas e análises empíricas, lá, é menor do que aqui. Por que isto acontece?

Possíveis respostas:

a) No Brasil a academia é relativamente menor: não há tanta especialização;

b) Os incentivos nas universidades públicas não levam à publicação de artigos na quantidade socialmente ótima;

c) Os incentivos nas universidades privadas são para uma quantidade aulas maior do que uma quantidade de pesquisas (artigos);

d) Os incentivos políticos são tais que os economistas se desencantam com a academia e fogem para o setor privado (não-educacional). Os que ficam, na maior parte das vezes, dedicam-se a campanhas políticas, public funds-seeking, rent-seeking, etc.

Será que é por isso que temos tão pouco debate sobre políticas recentes?

p.s. as exceções de praxe sintam-se devidamente citadas.