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Por que não te calas, imprensa? – um resumo didático que nos fala sobre como a liberdade de imprensa é boa para você e ruim para certos grupos poderosos

O presidente perdeu a oportunidade de não falar bobagem. Liberdade de imprensa, pessoal, é muito mais do que esta gente diz ser. Aliás, é difícil saber o que eles pensam sobre a liberdade da imprensa. Na época da ditadura, a esquerda chorava lágrimas e até se dizia torturada pela liberdade.

Quanto disso era sincero? Pelo visto, pouca coisa. Os nossos colegas esquerdistas têm tão pouco apreço à liberdade que não se os vê protestando na rede ou nos jornais contra tentativas de cercear a imprensa. Não é preciso dizer mais. O silêncio da galera é um testemunho das preferências deste pessoal. As exceções, caso existam, são convidadas a dizerem que são a favor, sim, da liberdade de imprensa e outras liberdades.

Para não dizer que estou apenas usando as mesmas armas deste pessoal (a retórica, aliás, fraquinha), vejamos o que diz este estudo da ONU, onde o presidente sonhou, um dia, conseguir uma cadeira no Conselho de Segurança.

A free press always has a positive infl uence, whether it be on poverty and its different aspects (monetary poverty and access to primary commodities, health and education), on governance or on violence and confl ict issues. It serves as an intermediary between individuals and government, informing the latter of people’s needs and acting as a buffer against crises and situations of extreme deprivation; it holds governments accountable and makes their actions more transparent; and, along with other indicators of good governance, it creates a business-enabling environment, a climate conducive to more effective public affairs management, and so forth. The results thus suggest that a freer press can contribute to achievement of the Millennium Development Goals and, most importantly, to attainment of an acceptable and viable level of development. By promoting freedom of the press, States and international organizations provide themselves with a powerful development tool. A free press constitutes an instrument of development as such, in the same way as education or investment.

Satisfeito? Não? Ok, é um direito do bom ceticismo. Então, que tal isto? Mais um pouco das conclusões:

A free press is strongly associated with a good level of development and reduced poverty. Income poverty is of course obviously strong when FOP does not exist, but this is also the case for povertyheadcount ratio and Gini index. Access to primary goods and better nutrition also coexist with strongFOP. However, some countries, even if they reach some decent standards of living, still do not have afree press.A free press is well associated with decent medical environment: where medical staff is missing, afree press can help spreading the word about it, and thus help improve the situation.FOP and education have a double relationship: education seems to play more on FOP than FOPdoes on education. But of course, people do care about their education when they are free from fearand free from basic needs, from want. This means that in developing countries, where survival comesfirst and freedom second , the press needs educated people who use their abilities to help their fellowcitizens attain other types of freedom.

Algo menos ambicioso está aqui. Por que será que alguém teria interesse, então, em restringir a liberdade de imprensa? Bem, eis uma boa pista.

We test the relationship between aggregate press freedom and corruption performing a modified extreme bounds analysis. We also test the relation among different forms of restrictions to press freedom usingpreviously unexplored disaggregated data. Our results support the theoretical view that restrictions to press freedom leads to higher corruption. Furthermore, we obtain that both political and economic influences onthe media are strongly and robustly related to corruption, while detrimental laws and regulations influencing the media are not. In all cases the evidence indicates, although not conclusively, that thedirection of causation runs from a freer press to lower corruption.

Notou, leitor? Quem se envolve com corrupção tem sempre problema com liberdade de imprensa. Claro que você pode continuar cético. Eis outro estudo e mais algumas conclusões (mas apenas teóricas):

In a theoretical model we find the impact of education on corruption to depend on the capacities of civil society to oversee government officials.If those capacities are well developed, education decreases corruption,whereas it may lead to higher corruption if civil monitoring is low. Wefind empirical evidence to support this result for secondary and higher education.Furthermore we investigate the direct relation between corruption and press freedom. We find no evidence that corruption negatively affectspress freedom. We find, however, strong empirical evidence that a lack of press freedom leads to higher levels of corruption. This implies that strengthening press freedom should be among the priorities in the fight against corruption.

Quer mais informação? Então tome outro estudo. Eis algo a se pensar:

I offer empirical evidence that whether an autocracy censors the media or not depends on the type of non-democratic regime under discussion.

Ou seja, fica difícil mesmo defender as restrições à liberdade de imprensa, não fica? Se até as Metas do Milênio são favorecidas por esta característica de uma democracia liberal (ué, tem liberdade, é liberal, né?), porque será que o sr. da Silva, sua candidata e seus aliados mais íntimos insistem tanto no contrário? Eu não diria que o presidente quer piorar o desempenho do país em direção às metas citadas, mas fica a impressão desagradável de que ele pretende alcançá-las de modo autoritário, forçando procedimentos anti-democráticos goela a baixo dos eleitores brasileiros.

Engraçado também é ver que mesmo a outra candidata, a derrotada, não tem sido muito enfática neste segundo turno. Uma coisa é liberar o voto, mas o silêncio diante destas agressões pesa contra sua reputação de democrata. Bem, não só ela. Há gente do lado do outro candidato que também não quer saber de imprensa livre. Entretanto, os ataques mais virulentos ainda são oriundos da rede de transmissão da esquerda brasileira. Após este breve resumo, acho que todos sabemos a quem serve o discurso das restrições à liberdade de imprensa…

Acho mesmo que qualquer um que não se manifeste neste momento está desinformado (bem, agora não mais) ou de má fé. Faça sua escolha.

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O governo e a liberdade

Igor tem uma lista de eventos recentes que atentam contra seu direito de discordar. Se um jornal pode ser calado, porque um jornalista não pode?

Claro, tem jornalista que ganha muito bem do governo para defender seu monopólio da (suposta) verdade, ou seja, para calar a boca dos outros. O que preocupa, no caso, é que tem gente comprando o discurso do “liberdade de imprensa só serve para os poderosos”. Uma simples examinada nos dados ou mesmo na literatura especializada mostrará evidências de que, em geral, países com menos liberdade de imprensa também são os piores colocados em vários rankings.

Faça você mesmo a busca e me diga se o discurso do monopólio da verdade não é um papo muito furado.