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Discordo de Rizzo

Mario Rizzo está todo lamentativo com um parágrafo ou dois de Alesina. O ponto é que ele não gostou do fato de Alesina achar que, apenas porque houve uma crise econômica, devemos mudar o ensino de economia.

Corretamente, ao meu ver, Alesina afirma que o que muda é o que estudamos, em resumo, a agenda de pesquisa deverá mudar um pouco.

Rizzo me sai com esta:

It is actually quite depressing because Alesina is one of the better “top” economists around. And yet he is tied to a way of thinking that seems intolerant of other methods.

I do not expect economists to give up their own predilections But is it too much to ask that in a time of policy disarray and questioning among the wider intellectual community that there be a little more self-examination among mainstream economists?

Em resumo, para ele, há um problema sério no pensamento econômico dominante (mainstream) devido à intolerância com “outros métodos”. Se ele estiver falando de métodos místicos, está errado. Se não arrisca tanto – como acho que não arrisca – e está expressando seu desapreço por conta de suas predileções austríacas, então ele ainda tem um grande problema.

Vejamos: o pensamento econômico incorporou análise de insumo-produto, cálculo estocástico, teorias exóticas de história econômica, tudo em nome da tentativa de entender melhor a realidade. Quando a profissão incorporou a linguagem matemática no começo do século XX, com Marshall e, depois, Samuelson, não faltaram críticas, mas fomos em frente.

Agora, Rizzo é um austríaco e, como tal, sabe que um elevado percentual de seus companheiros se recusa a analisar a realidade com…gráficos. Despreza-se o uso de…equações. Claro, não estamos falando de gente como Roger Garrison que criou um modelo notável (simples, problemático, mas é o único modelo) para se comunicar com o restante da profissão.

A pergunta de Rizzo poderia ser direcionada para ele e seus amigos austríacos. Afinal, é pedir demais que os austríacos considerem outros métodos durante uma crise econômica como a que vimos em 2008?

Veja, a questão nem é ideológica, mas de percepção. Se você quer discutir macroeconomia e tem uma visão, digamos, diferente da de todos os demais, então tem que, primeiro, entender bem a visão alheia (ou as visões alheias) para depois propor algo. Quando leio austríacos como Peter Boettke, sinto que ele e eu pensamos de forma similar.

Isto me leva ao último ponto: críticas e ceticismo são sempre bem-vindos. Eu não tenho problemas com isso, mas apenas com grosseria e fanatismo. Grosseria apenas é feio entre cientistas. Já fanatismo, bem, fanatismo não é uma questão científica, mas de fé.

Enfim, Rizzo exagerou e argumentou de maneira muito ruim. Que ele tenha algo interessante a dizer sobre o funcionamento de mercado do ponto de vista austríaco, ótimo. Mas nesta, ele escorregou.

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Caplan e os problemas do pensamento keynesiano elementar

Caplan novamente ataca com a história da “introspecção”. Parece-me que tem sido um inovador na microfundamentação macroeconômica, no sentido genuíno de pensar a idéia antes de modelá-la. No estágio atual, as discussões ficam muito interessantes, como o caso em questão.