Uncategorized

A internet, o governo e você

Você, leitor ocasional deste blog, que entrou aqui por acaso e provavelmente não ficará aqui por muito tempo, deve ter chegado aqui porque “surfou” no google e, por meio de alguma palavra-chave, chegou. Talvez não tenha encontrado a informação como queria ou não entendeu as sutilezas de meu diálogo com meus leitores permanentes.

Você, então, tem uma escolha: ou continua lendo, ou vai embora.

Caso escolha a primeira opção, tem outra escolha: ou comenta, ou não.

Neste caso, mais uma: ou faz comentário bem-educado ou faz aquelas bovinices (finge que “quer dialogar”, fala palavrão, xinga e vai embora, estas coisas que crianças fazem e imbecis também, após os 5 anos de idade, claro).

Tudo isso só acontece porque você tem acesso à internet, algo desenvolvido a partir de uma rede centralizada (de uso militar?) lá nos longínquos anos 80 e 90. Esta rede se desenvolveu, saiu do controle original e se tornou o que é: um grande boteco. Ao contrário dos botecos, contudo, você não vê (ainda) as pessoas com quem fala. Digo, vê, mas não em tempo real. Então você lê o que está aqui e, bem, voltamos ao início do texto.

Bacana? Também acho. Mas sabe quem não gosta disto? O presidente Chavez.

Eu sei que você sempre ouve elogios sobre ele de seu professor de história que sempre te convida para passeatas ou para se revoltar contra “o sistema”. Também ouve elogios dele de boa parte dos amigos diplomatas importantes do seu pai e, claro, daqueles diretores de cinema e artistas famosos cujos filmes você viu em Gramado ou na TV, direto de Hollywood ou Cannes. Talvez até a Patrícia Pillar tenha dito algo sobre ele, não sei. Acho que não. Ou talvez o Verissimo tenha publicado uma crônica insinuando que não gostar de Chavez é uma reação “burguesa” contra a ameaça de seus privilégios. Realmente não dou a mínima para o que alguém tenha dito sobre o presidente venezuelano. A internet me permite até não dar a mínima para o papa, afinal, não existe apenas o site do Vaticano na internet.

Acho que não é muito exótico dizer que toda esta liberdade é boa porque cada um acha o que quer, desenvolve seu poder crítico se quiser e paga o preço pela falta de educação (ou gera intermináveis discussões) se puder e quiser. Ótimo. Aposto que você não se sentiria bem se o governo resolvesse controlar a informação e limitar seu acesso a alguns sites. Eu sei que isso te incomodaria. Mais ainda, seria bem chato se o governo resolvesse que todos deveriam publicar apenas conteúdo uniforme, pseudo-pluralista (como aqueles “debates” entre trotskistas, leninistas, gramscianos….supostamente representando todo o espectro político).

Eu sei que você me acha um sujeito simplório quando falo do “governo”. Deixe-me esclarecer: o governo, este que pretende, no meu exemplo, cercear seu acesso à informação (este as ONGs não pretendem incorporar aos direitos humanos “ampliados”, né?), é uma entidade certamente complexa. Até outro dia, o governo do Distrito Federal estava nas mãos de um sujeito, hoje, o governo é outro. Outros, ainda no governo, já foram citados em matérias que deveriam ser censuradas pela pornografia relatada envolvendo políticos e o dinheiro público. O governo é um emanharado de gente que vai desde vereadores até o presidente. O governo também é, de certa forma, os seus procuradores e juízes (principalmente quando não ponderam as decisões, mas apenas ratificam-nas). O governo, claro, são os burocratas dos ministérios, das secretarias estaduais, etc.

Com tanta gente, quem será que dirá o que você pode ler na internet? Deve ser uma tarefa árdua reunir tanta gente, não é? Não se preocupe. Não é feito desta forma. Mas uma coisa eu sei: assim que for feito – caso você deixe que isto aconteça – você poderá até se sentir feliz no início mas, depois, descobrirá que sua visão do mundo, antes passível de aperfeiçoamento em um processo certamente caótico de erros-acertos, agora se limitará a umas poucas esmolas que lhe chegarão por meio dos espaços entre as novas grades de sua também nova cela.

Bem-vindo ao admirável conceito de “função social da internet”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s