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Recado para a academia da selva

Em um parágrafo realmente inspirador, diz Arnold Kling:

I would say that prior to Samuelson’s formalization in economics, there were a lot of papers published that lacked clarity and insight. Now that formalization dominates, we also see a lot of papers that lack clarity and insight. If you compare the most insightful mathematical papers with the average non-mathematical papers, math wins. But one can also run the comparison the other way and reach the opposite conclusion.

Ele está correto. Verborragia e matemática podem ser utilizados para o mesmo fim: esconder a melancólica falta de idéias do autor de um artigo. Eis acima nosso parágrafo inspirador de Natal.

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Excelente pergunta do Adolfo

Reproduzo na íntegra:

O Lado Triste da ANPEC e da SBE
O encontro da ANPEC e da SBE, em teoria, reúne os melhores pesquisadores em economia do Brasil. O nível das sessões está bom e melhorando a cada ano (o que confirma alguns estudos sobre os níveis de publicação internacional).

O lado triste do encontro da ANPEC e da SBE fica por parte do silêncio absoluto de vários pesquisadores ortodoxos sobre a taxa de câmbio. Os heterodoxos nadaram de braçada no encontro: sempre havia um deles disposto a defender algum mecanismo de ajustamento do preço do câmbio (claro que nenhum deles sugere o óbvio: abrir o mercado).

Digo que isso é triste, pois mostra uma falta de força, ou de vontade, de intervir no debate nacional num momento crítico. O conhecimento traz consigo responsabilidades, e os ortodoxos brasileiros estão se esquivando desse debate. Uma pena, pois cedo ou tarde o preço disso irá aparecer.

Gostaria de fazer um pedido aos alunos da EPGE e da PUC-RJ, no papel os centros mais ortodoxos do Brasil, para que cobrem participação de seus professores. Claro que para alguns professores da PUC-RJ é díficil pedir pela liberação do câmbio (uma vez que boa parte deles são contrários a isso). Mas as escolas devem ser consistentes com o que ensinam: se você ensina que preços devem ser flexíveis, então deve ensinar também que o câmbio deve ser flexível.

Câmbio é preço e do ponto de vista ortodoxo preços devem ser flexíveis. Se o câmbio está valorizado isso decorre de impedirmos que as importações aumentem (ou de estarmos estimulando artificialmente as exportações). A solução para o dilema cambial é simples: abertura comercial.

Eu entendo a UFRJ, a UNICAMP e mesmo alguns professores da UnB irem contra essa idéia. Afinal, como heterodoxos eles tem outro modelo em mente. Contudo, é difícil ser contra a liberação da taxa de câmbio sendo ortodoxo. Essa é uma contradição razoável.

O Adolfo tem um ponto interessante que me faz pensar sobre que tipo de incentivo alguns ortodoxos seguem para se portarem como postes ou árvores (geralmente frondosas, quando falam de si mesmos) diante da economia brasileira. Será simplesmente o olímpico desprezo pela realidade em prol da abstração? Ou os fundos públicos falam mais alto? Ou, claro, há outra hipótese para se explicar isto?