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Perguntas curtas com longas respostas

Professor, posso fazer as questões fora de ordem?

Eis clássico da pedagogia paulofreiriana: a pergunta típica de todas as classes sociais, credos, gêneros, etc. Pergunta ferina, curta e muito reveladora sobre as angústias do ser (em si, para si e por si, senão fora de si).

Que resposta deve o educador fornecer para a construção do conhecimento de um jovem mancebo inocente, indefeso, que não pode ser culpado de atropelar alguém e não prestar socorro ou mesmo de ter espancado uma velhinha na rua? Como deve o educador agir diante de tal indagação? Eis algumas respostas para a reflexão e que não são definitivas porque, claro, é mais importante formular boas perguntas (não é este o caso, eu sei) do que boas respostas (o que mostra que muito professor não prepara suas aulas direitinho).

a) Pode.

Resposta simples, mas pouco didática. Não contextualiza a extrema desigualdade brasileira e não permite que se doutrine o jovem com os ideais de Lenin, Chávez e Castro. Péssima opção.

b) Depende de você. Fique à vontade.

Resposta simples, mas geradora de dúvidas. Se o jovem em questão foi capaz de formular tal pergunta é porque cresceu em um meio repressor (contrário aos ideais de Lenin, Chávez e Castro….e aquele presidente iraniano de nome esquisito), acostumado a um modo de fazer história no qual se decoravam datas, mas não se apreendia a dialética histórica.

Ficar à vontade, por sua vez, é um incentivo ao individualismo, à leniência, à inatividade, péssimo para um futuro “bucha de canhão” (militante de fileira…de banheiro).

c)  Não, não pode.

A tradição autoritária latino-americana transparece cris-ta-li-na-men-te nesta resposta caudilhesca. Como assim “não, não pode”? E a Revolução Francesa? E os direitos humanos? Não vivemos a luta pelo poder? Poder de que? De mandar nos outros, claro, que é o objetivo social e democrático de toda revolução popular. Então, claro, poder é uma realidade intrínseca do meio social (e não testável por frias relações econométricas sem coração, malvadas e feias, exceto as “heterodoxas” que falam o que eu quero ouvir).

Agora que você já leu tudo, escolha sua resposta e boa sorte.

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Um comentário em “Perguntas curtas com longas respostas

  1. Um dia eu tinha feito um gráfico numa prova de estatística (devo ter demorado uns 25 minutos fazendo). Aí eu percebi que eu tinha esquecido um detalhe, que em minha opinião não atrapalharia a questão.

    Aí eu perguntei para o prof. Oleto:

    – Professor, posso fazer o gráfico assim?

    E ele, tranquilamente:

    – Faça do jeito que é para ser feito.

    Resultado: uma bela borracha na questão…

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