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O debate da raiz unitária…no Brasil

Prometi um texto maior sobre a – obviamente – relevância do debate da existência de raiz unitária no PIB. Chamei a atenção, anteriormente, do leitor do blog para o debate nos EUA. Erik, por sua vez, resumiu bem a intuição neste texto. Leia as cinco primeiras páginas deste artigo e você entenderá o debate. Aliás, Erik encontrou fortes evidências favoráveis à existência de raiz unitária no PIB brasileiro.

Significa isto (a existência de raiz unitária no PIB), basicamente, que políticas econômicas podem alterar a trajetória de longo prazo da economia de uma forma bastante séria. A visão antiga – muito comum em capítulos iniciais de livros de macroeconomia – é a de que uma recessão no curto prazo seria apenas um desvio de uma tendência fortíssima de crescimento gerada pelos fatores reais da economia (estoque de capital físico, quantidade de trabalhadores, capital humano, etc). 

Em síntese: se o PIB tem raiz unitária, políticas econômicas desastrosas podem nos condenar a uma trajetória de longo prazo pior. Nada desta história maravilhosa de voltar à tendência de longo prazo. Em verdade, há quem diga que a política econômica “não teria importância no curto prazo”, neste caso. Não sei se esta é uma boa interpretação da hipótese de existência de raiz unitária. Basta lembrar que existem muitos outros aspectos de política econômica do que apenas a política fiscal ou monetária.

Mas voltemos ao problema. Já citei aqui que o debate, lá fora, está em outro nível (mesmo). Mas o que dizem autores brasileiros sobre nosso PIB? Há ou não raiz unitária?

Fava & Cati (1995) encontraram evidências mistas para o Brasil. Mas o trabalho – clássico – estaciona o estado das artes em mais de dez anos. Lima, Lopes, Moreira & Pereira (1995) encontram evidências favoráveis à hipótese de raiz unitária na série do PIB. Aguirre & Ferreira (2001), por sua vez, não encontram evidências de raiz unitária. Finalmente, o já citado Erik, Figueiredo (2006), com um teste diferente, encontra resultado favorável à existência de raiz unitária.

Poderíamos continuar indefinidamente (realmente esta era minha intenção ao iniciar este texto), mas eu teria que detalhar aspectos de cada artigo. De qualquer forma, só posso dizer uma coisa: aguardem que vem novidade aí.

p.s. ver também Figueiredo & Leite Filho (2005).

Um comentário em “O debate da raiz unitária…no Brasil

  1. Espero que a “novidade”, se falar de dados do Brasil, cite algo relacionado a Aguiar & Gopinath (2004) – o texto que enlouquece qualquer professor de teoria do crescimento… rsrsrsrsr

    Abraço!

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