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Quem disse isso?

“À Venezuela e aos povos da América Latina foi imposto um sistema de rotação de governos tão acelerada que era impossível surgir um projeto nacional de longo prazo. Agora, na Venezuela, derrubamos essas limitações. Aqui construiremos a Venezuela potência, em longo prazo.”

A ciência política e a historiografia têm muito a nos dizer sobre a sapiciência de tais frases, não?

4 comentários em “Quem disse isso?

  1. Uns dois anos atrás eu consolava um pessoal explicando que não precisavam arrancar pelancas por causa de George Bush, que por pior que fosse, em dois anos estaria fora.

    A resposta, típica de cucarachos latino-americanos:

    “Isso se ele aceitar deixar o poder, né?”

    É bom ver como as pessoas percebem a democracia latina cada vez mais porte a a americana à beira de um golpe…

  2. Eu levanto uma pergunta: se supormos eleições legítimas e a regra de reeleições sem limites, é democrático a perpetuação de um líder se a população realmente o quiser? Não digo obviamente no caso do Chaves, mas num ambiente em que se tenha uma constituição forte e instituições maduras, a ponto de impedí-lo de se tornar um ditador. Por que limitar o número de reeleições, se você as permite pelo menos uma vez?

  3. Penna, respondendo à sua pergunta: eu acho que seria democrático sim, só não seria recomendável(no longo prazo enfraqueceria a própria democracia). Vale lembrar que nos EUA a reeleição para presidente era ilimitada até que as sucessivas vitórias de Roosevelt(que foram interrompidas, vale dizer, mais pela sua morte do que qualquer outra coisa – afinal o vice que terminou seu mandato foi eleito na eleição seguinte) gerou uma certa desconfiança em relação a tal regra.

    No fim do governo Reagan correu uma idéia de emenda constitucional para possibilitar um terceiro mandato do republicano, mas parece que ele mesmo declinou da idéia. O Bill Clinton também chegou a insuflar a idéia de possibilitar uma nova reeleição, desde que não consecutiva(semelhante ao que temos no Brasil – não há nada de inconstitucional numa nova reeleição do Lula em 2014), mas não obteve muito sucesso.

    No parlamentarismo europeu é comum que o primeiro ministro fique no poder por vários anos, e não creio que eles sejam menos democráticos por isso(muito embora a permanência do primeiro-ministro dependa da sustentação de uma maioria que é sempre frágil – ele pode ficar tanto 10 anos como 3 meses, portanto a permanência do poder me parece menos séria do que no presidencialismo).

    No caso do Chavez, pode-se dizer que o mais grave não é tanto a chance da reeleição ilimitada, mas sim o fato dele pode usufruir de uma regra modificada por ele mesmo. Será que os chavistas apoiariam tal mudança se ela só valesse para as eleições seguintes e não para a próxima? Creio que não.

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