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Jornalismo econômico sério

Leo Monasterio surtou…mas voltou ao normal. Ora bolas, com razão, não?

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Sobre o liberalismo

Um trecho de longo texto de Milton Friedman:

Qualquer que seja a razão para o seu apelo, a adoção do laissez-faire teve algumas conseqüências importantes. Uma vez que o laissez-faire foi adotado, o incentivo econômico à corrupção foi removido. No fim das contas, como os funcionários do governo não possuíam favores a conceder, não havia necessidade de suborná-los. E se não havia nada a ser ganho a partir do governo, ele dificilmente poderia ser fonte de corrupção. Além disso, as leis que sobraram eram em sua maior parte – e mais uma vez estou simplificando e exagerando um pouco – leis amplamente aceitas como apropriadas e desejáveis; leis contra roubos, furtos, assassinatos etc. Esse é um contraste gritante com a situação na qual a estrutura legislativa considera crimes o que as pessoas individualmente não consideram crimes ou torna ilegal a prática de atividades que parecem sensatas. Essa última situação tende a reduzir o respeito às leis. Dessa maneira, um dos efeitos indiretos e inesperados do laissez-faire foi o estabelecimento na Grã-Bretanha de um ambiente de maior obediência e respeito pelas leis em relação à situação anterior. Provavelmente havia outras forças trabalhando nesse desenvolvimento, mas acredito que o estabelecimento do laissez-faire foi o fundamento para a reforma do serviço público na última parte do século – o estabelecimento de um serviço público cuja escolha era baseada em exames, no mérito e na competência. Você conseguiria esse tipo de desenvolvimento porque os incentivos para se buscar tais empregos com o propósito de se exercer influências “impróprias” foram drasticamente reduzidos quando o governo passou a ter poucos favores a conceder.

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Grandes momentos do keynesianismo pterodoxo

Vai na íntegra, direto do Mão Visível:

Cachinhos de Ouro e keynesianos de quermesse

“O problema é o câmbio”. Este foi, nos últimos anos, o mantra dos keynesianos de quermesse, segundo quem o problema do Brasil resumia-se ao câmbio “fora de lugar”, apesar de, precisamente neste período, a economia brasileira ter acelerado para patamares há muito não vistos. Até aí, sem surpresa. O surpreendente mesmo é, depois da maciça desvalorização da moeda, ainda ter que ouvir que, sim, “nosso maior problema é o câmbio”.

A lamúria agora é que o câmbio desvalorizou-se demais, sem motivo, e que, portanto, o regime de câmbio flutuante, conivente com este fenômeno, não seria adequado ao Brasil. Esta visão, porém, está errada. Confunde sua própria incapacidade de entender os movimentos da taxa de câmbio com uma suposta irracionalidade do câmbio flutuante e, por este motivo, chega a conclusões equivocadas tanto no que se refere à necessidade de mudança de regime, como às condições necessárias à adoção de políticas anticíclicas.

De fato, como destaquei muitas vezes neste espaço, a quermesse sempre atribuiu peso muito elevado à taxa de juros como determinante da taxa de câmbio e, por conveniência ou ignorância, deixou de lado desenvolvimentos externos que têm sido muito mais relevantes para moldar a trajetória do câmbio, em particular os preços de commodities.

Assim, entre o início de 2005 e meados de 2008 os preços de commodities, medidos em dólares, aumentaram cerca de 60%. Medidos em reais, porém, caíram 4%, fenômeno que já sugeriria uma forte relação inversa entre preços de commodities e a taxa de câmbio. Não por acaso, portanto, a queda abrupta destes preços em dólares nos últimos meses (quase 30%), transforma-se em estabilidade em reais, observação também consistente com a relação inversa entre a taxa de câmbio e preços de commodities.

Não há, pois, nada de misterioso no comportamento do câmbio que lance dúvidas acerca da adequação do regime no que diz respeito à sua capacidade de transmitir, de forma muito rápida, os sinais de mudança brusca nas condições internacionais.

Pelo contrário, a desvalorização do real tem nos comunicado que, devido à queda do poder de compra das exportações, nossa capacidade de importar para satisfazer a demanda doméstica foi drasticamente reduzida. Assim, se até há pouco aumento do poder de compra das exportações permitia que a demanda crescesse à frente do produto, trata-se agora de percorrer o caminho inverso, qual seja, reduzir a taxa de crescimento da demanda relativamente à produção. A taxa de câmbio é apenas a mensageira de uma radical mudança de cenário. Pode-se não gostar da mensagem, mas de pouco adianta silenciar o portador.

Não é correto, portanto, concluir que o país precise proteger sua moeda e estabilizá-la, abandonando o regime de câmbio flutuante, para ter condições de fazer uma política anticíclica. É, na verdade, o oposto: impedir que a moeda se deprecie em reação à piora das condições externas requereria uma contração ainda mais forte da demanda doméstica para equilibrar o balanço de pagamentos, reduzindo adicionalmente o espaço para políticas anticíclicas.

Eis a quermesse: reclama quando o câmbio aprecia e também quando o câmbio deprecia. Quer o câmbio estável, para que as empresas possam projetar suas vidas em longo prazo, mas não hesitaria em mudar regras para impedir a flutuação do câmbio, dificultando exatamente o planejamento das empresas. Querem ser nossos Cachinhos de Ouro, se esforçando para fazer aquilo que o mercado de câmbio faz de graça.

(Publicado 10/Dez/2008)

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Indicadores para que te quero?

Ok, eis uma pesquisa sobre indicadores. Segundo o ponto-de-vista da ONU – que tem sérios problemas em pontos-de-vista como vejo em suas catastrofistas previsões sobre clima e fome – algumas cidades mineiras estão longe de cumprir seus critérios.

Mas aí eu pergunto: e no quesito “liberdade econômica”? Alguma cidade vai bem neste critério? Em resumo, o que eu quero dizer é que há indicadores e indicadores e não sei se é tão relevante eu me preocupar com o que um burocrata da ONU achou ou deixou de achar sobre Tuiutu do Norte quanto com a liberdade econômica, cujo impacto sobre o crescimento econômico e sobre a redução da pobreza já acumula alguns muitos artigos (claro, há controvérsias, pois falamos d ciência, não de fé ou política).

Menos, ONU, menos…

p.s. eis algo mais útil sobre os interesses e os incentivos em acordos globais como os que fazem o ganha-pão dos funcionários da ONU.