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Lembra do debate sobre estados falidos?

Tentei um diálogo aqui – com pouca participação – sobre o tema, há algum tempo (use a busca aí ao lado). Bem, eu, Homo Ecoometricum e Ari somos os autores do artigo que comecei a fazer durante o debate e que será apresentado no 5o Seminário de Economia de Belo Horizonte. A programação, com o arquivo do texto está aqui.

Se estiver em BH na época (quarta que vem), apareça. Nosso texto é: “Sociedades Menos Individualistas Possuem os Piores Estados?” e, a resposta, adianto, é: sim. Quer entender mais ou debater cientificamente o artigo? Então se inscreva e venha. Há muito mais no seminário do que apenas este texto.

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Finanças é picaretagem – a polêmica continua

A discussão está boa. Claro que há gente que fala sobre o que não entende acerca desta crise, mas vamos aos bons colegas.

Você que já esteve aqui ontem, sugiro dar uma olhada nos blogs indicados. Valem, todos, muito a pena.

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Mais Laurini

Os problemas na modelagem

(…)
Também acho que a crise tem outros motivos, sendo que o principais estão relacionados a seleção adversa e risco moral. As formas de remuneração dos executivos, ligadas ao desempenho da empresa, como stock options, incentivam posições extremamente arriscadas. E outro fator óbvio está na expectativa implícita do resgate de instituições com dinheiro público, devido ao risco sistêmico. Apesar que mesmo esta explicação tem seus limites. Se sua instituição conseque empréstimos da autoridade monetária toda a direção é substituída, e assim isso não me parece uma explicação muito racional. Creio que a explicação mais razoável desta hipótese seria um resgate de mercado, no máximo coordenado pelo banco central. Resgate público é a solução mais drástica e com perdas enormes para os gestores.

Não é necessário nem pegar um artigo, um bom livro texto já resolve. Só olhar o capítulo 6 do Mas-Collel (Choice Under Uncertainty) para perceber que teoria econômica e teoria de finanças estão totalmente relacionadas. É impossível de separar as duas teorias.

Na minha opinião pessoal a formação básica dos economistas é bastante insuficiente para os padrões atuais de modelagem financeira (e como coloquei no post anterior, eu aposto nessa opinião, tanto que fui fazer um doutorado em estatística justamente por ter essa opinião).

Eis aí mais uma resposta ao Selva Brasilis, sobre Economia e Finanças. Destaco os trechos seguintes:

As formas de remuneração dos executivos, ligadas ao desempenho da empresa, como stock options, incentivam posições extremamente arriscadas. E outro fator óbvio está na expectativa implícita do resgate de instituições com dinheiro público, devido ao risco sistêmico.

E:

… a formação básica dos economistas é bastante insuficiente para os padrões atuais de modelagem financeira (e como coloquei no post anterior, eu aposto nessa opinião, tanto que fui fazer um doutorado em estatística justamente por ter essa opinião).

Eu sei que para bom entendedor, meia palavra basta, mas a blogosfera não é conhecida por terem bons entendedores em abundância. Por isto, resumo mais ainda:

(a) Incentivos –  o problema do incentivo no mercado financeiro (a questão da remuneração do mané) não é diferente do problema do incentivo na administração de bancos, faculdades, hospitais, etc: há sempre um péssimo administrador criando sistemas de incentivos irresponsavelmente ruins, que estimulam os mais diversos problemas. Só um gerente muito sem-vergonha é capaz de esconder isto dos acionistas para obter ganhos no curto prazo. Portanto, acionistas, estudem Economia e Finanças ou apliquem seu dinheiro em empresas minúsculas, familiares ou tribais (e olhe lá que índio não é bobo não…)

(b) Finanças e Estatística – conheço gente que leciona na área. A diferença entre o bom professor de Finanças e o mau caráter é a seguinte: o bom professor respeita o que não conhece (no caso, Estatística) e o mau caráter fala mal da Estatística de maneira sutil (“eu não entendo nada disto, é coisa de gente estranha que não toma banho”, etc) e diz que o mercado é muito diferente do que dizem os livros de Finanças, não no sentido de alterações nas hipóteses sob um modelo teórico básico (como diria o Laurini, o Mass-Collel…), mas naquele sentido pterodoxo de que “o mundo, o inconsciente, o meu tesão pela professorinha são mais importantes na determinação dos preços dos ativos do que este livro chato que nunca li e nem consigo porque não sei somar e subtrair”.

Preciso deixar claro isto porque, como diria Coase, se a blogosfera fosse abundante em sábios, comentarista mal-educado ou blogueiro safado não existiriam e, como sabemos todos, este tipo de gente (gente?) é ótima para deseducar as pessoas sinceras que encaram a própria ignorância como uma barreira a ser superada, não algo a ser elogiado ou visto como um sinal de sucesso (principalmente quando ocupa algum cargo público besta…).

E a dança das bolsas continua. Vejamos a imprensa ao longo do dia…

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Polêmica – UPDATED

Wednesday, September 17, 2008

Finanças é Picaretagem

Depois de mais um bail out, dessa vez de U$ 85 bilhões para o AIG, todos se perguntam de quem é a culpa desse financial meltdown. O SB tem uma hipótese: Um dos grandes culpados [além do tesouro e do Fed] são as decisões do oligopólio formado pelos intermediários financeiros. Especificamente, as decisões são tomadas com base num conhecimento pretensioso, aparentemente sério, mas fundamentalmente fraco e falho, esse conhecimento é para os incautos uma ciência, para outros uma picaretagem, chamada finanças.
Todo economista, talvez até mesmo alguns economistas de porta de cadeia, sabe que um Ph.D. em finanças garante um excelente salário e muito pouco conhecimento. Os profissionais de finanças, munidos de uma infinidade de dados, rodam modelos cujos fundamentos pouco entendem. Ganham milhões nos mercados financeiros para dar conselhos no mais das vezes óbvios e, não raramente, desastrosos. Tomem o caso do AIG como ilustração. Será que não havia um único analista de finanças dentro do AIG, provavelmente ganhando meio milhão de dólares por ano, com a mínima capacidade de identificar uma bolha no mercado imobiliário a ponto de dizer que uma carteira com U$ 57.8 bilhões segurando subprime mortgages é o fim da picada?

O texto acima é do Selva Brasilis e, creio, é útil para uma boa e saudável polêmica.

UPDATE: