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A solução keynesiana para Vila Prudente

Outro dia alguém saiu por aí dizendo que havia poucos funcionários públicos por quilômetro quadrado no país o que, segundo o mesmo, era um argumento para se aumentar o número de concursos públicos. Economista bom tem emprego. Economista ruim, claro, corre para um concurso público, onde quer que seja. Talvez haja algo de “altruísta” na proposta estranha…

Mas, sim, isto não é privilégio de economistas: outros profissionais adoram fazer o mesmo.

Dito isto, eu leio que:

?Senhor Felipe. Sua obrigação é cuidar do bairro (…) Você quer se promover para seu chefe e anda fazendo serviço de polícia. (…) Não iremos matar você, mas vamos deixá-lo alejado (sic), pois só assim sentirá pelo resto da vida.? A carta enviada ao subprefeito de Vila Prudente, Felipe Sigollo, mostra o novo desafio das autoridades em São Paulo: o domínio territorial do Primeiro Comando da Capital (PCC). Desde que assumiu, em novembro de 2006, Sigollo recebeu, além da carta, duas ameaças de morte por escrito, outra por telefone, teve equipamentos roubados e foi assaltado. O motivo: quis abrir ruas, remover favelas, apoiou a interdição de bingos, a apreensão de caça-níqueis ou circulou por redutos do PCC na zona leste.

O tal “?” é um erro do jornal que adora menosprezer blogs, o Estadão (para mim, ainda assim, o melhor que há em termos de jornalismo impresso). No lugar do “?”coloque-se aspas. Que feio, heim, Estadão? Aqui, na blogosfera, a gente te corrige, tá?

Mas voltemos ao raciocínio estranho dos “funcionários por quilômetro quadrado”. Em uma perspectiva pterodoxa, sem microfundamentos (existem pterodoxos pró e contra a microfundamentação), bastaria jogar hordas de funcionários de um helicóptero em Vila Prudente que o problema da criminalidade estaria resolvido, certo? Caso contrário, a proposta seria apenas para empregar amiguinhos e coleguinhas.

Aí é que está a diferença entre os liberais e os não-liberais (o que, claro, inclui padres, como o ameaçado pelo PCC na reportagem do link acima citado): ambos não vêem com bons olhos a ação de grupos criminosos. A diferença é que os liberais fariam a pergunta certa: por que tantos recursos em ilusórios programas desenvolvimentistas e nenhum para ajudar nas comunidades escravizadas pela ordem alternativa, a do PCC?

Eis mais um ponto para você debater com seu professor: o que é e o que não é hipocrisia no discurso não-liberal? Por que padres têm, no Brasil, uma dificuldade (quase patológica, eu diria) de entender que vivem sob um governo que nunca foi liberal e que, a cada dia, promove menos o liberalismo e mais a intervenção estatal? Trata-se de lavagem cerebral? Ou é wishful thinking? Ou é uma estratégia que oculta outros interesses?

Difícil entender este povo. Mas é fácil ver que, do jeito que vai, a solução pterodoxa deveria ser adotada. Sou favorável a que vários concursados sejam alocados para ajudar no real combate à pobreza. Vamos colocá-los em um helicóptero keynesiano e despejá-los em Vila Prudente.

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