Banco Mundial · Base de Dados · economia

Dica boa

Marcelo Soares e uma excelente dica:

O Banco Mundial colocou na internet uma nova ferramenta interessante pra quem tem o costume de lidar com números. É o Do Your Own Analysis – Enterprise Surveys. Nesse serviço, você pode fazer suas próprias tabelas sobre os temas analisados pelo banco e fazer sua própria análise sobre as informações.

Caso prefira escolher um tema de países emergentes, você também pode montar uma planilha e exportar para o Excel.

brasil · economia · falácias econômicas

Leia o trecho, pense, depois leia o resto: não tem erro

Poucas coisas me alegram tanto quanto escrever esta coluna. Tenho que dizer, porém, que, até hoje, nada se compara à satisfação de ler a reação de João Sicsú a meu último artigo, não apenas por confessar publicamente ter subestimado a inteligência do público, mas principalmente pela sua incapacidade de contrapor qualquer argumento aos pontos que destaquei. Sua única resposta foi afirmar, envolto em pretensa ironia, que sou bobo, feio, mau e chato, o que, cá entre nós, é muito pouco, até para Sicsú.

De fato, o máximo que consegue é repetir o mesmo argumento nanico: temos poucos fiscais de impostos relativamente à área e à população (em breve vai fazer a mesma conta com relação ao perímetro e, fracassando esta, com relação à profundidade da plataforma continental). Peço, pois, perdão ao leitor por ter que explicar o óbvio, mas parece haver mesmo certa dificuldade de compreensão.

Alex não se cansa de ensinar economia…

brasil · Humor

É tudo menor de idade?

Antigamente, nomes de gente algemada eram substituídos por acrônimos quando a idade lhes era, legalmente, uma vantagem. Assim, o assassino de mulheres hipotético João Antônio da Silva era J.A.S. Agora, veja isto:

De acordo com a polícia, os chefes da quadrilha eram os brasileiros J.M.T., que já havia sido fichado pelas autoridades na Espanha por tráfico de drogas, o gerente do prostíbulo S.L.M. e a responsável pelo aliciamento das mulheres E.B.D.S.

Todos foram acusados de crimes contra os direitos dos cidadãos estrangeiros, tráfico de drogas, prostituição e coação com agravante (ameaças de morte). Já as prostitutas foram acusadas de estar irregularmente na Espanha.

São todos menores de idade? Assessoria jurídica, por favor.

aborto · Econometria · Freakonomics

Aborto funciona?

Laurini tem dúvidas. Mais ainda, eu e ele queremos ler o tal artigo do Samuel Pessôa e do Gabriel Hartung. A dúvida do Laurini é pertinente. Veja o trecho abaixo:

Eu particularmente não sou um grande fã do artigo do Levitt e Donahue (2001), já que acho que a metodologia econométrica não é adequada para testar a hipótese em questão, já que é basicamente uma análise de correlação. O que seria adequado seriam os modelos de tratamento dinâmico ( evoluções dos modelos de dinamic choice como Carneiro, Hansen e Heckmann (2003)), mas creio que os dados existentes não permitam este tipo de análise.

Pô, Samuel, divulga o artigo!

bem de luxo · economia das drogas · tropa de elite

Filhinhos de papai na ponta do tráfico?

Não é à toa que essa cena, do filme Tropa de Elite, é uma das que mais chocam os espectadores. Ela toca numa questão crucial do tráfico: a taxa de responsabilidade dos consumidores. Uma pesquisa divulgada na semana passada pela Fundação Getúlio Vargas aponta o dedo para uma parcela da elite. Maconha e cocaína no Brasil são bens de luxo, para a população com maior poder aquisitivo. De acordo com o levantamento, o consumidor-padrão de drogas no Brasil é homem, tem entre 20 e 29 anos, é da classe média alta e mora com os pais. Gasta, em média, R$ 45 por mês com drogas. “Estatisticamente, a visão de Tropa de Elite é correta: quem financia o tráfico é a classe média”, diz o economista Marcelo Neri, coordenador da pesquisa. (…)”

Então as drogas e os meninos da classe média estão, digamos, intimamente relacionados, não é? Bem, isto explica tanta dissonância cognitiva entre eles após verem o filme: não conseguem assumir sua parcela de culpa pela morte de outrem, tão distante, lá na favela…uma estatística, simplesmente, né? Triste vida esta. Talvez por isto alguns espanquem faxineiras e torçam para seus papais os tirarem da delegacia antes da derradeira hora…

Agora, vejamos o lado científico disto. Para mim, a melhor coisa de “Tropa de Elite” foi, digamos, fazer o modelo de “equilíbrio geral” do tráfico de drogas ilegais. Antes, é verdade, eu pensava no tráfico como um mercado no qual, sim, a violência diminuiria em caso de liberação, por conta da menor necessidade de um consumidor de drogas, que não mais precisaria roubar e matar para manter seu vício. Agora, por outro lado, vejo que há um efeito indireto: a redução de mortes no mercado de insumos da droga.

Em outras palavras, a pergunta relevante, agora, é: caso o mercado de drogas fosse liberado (suponha que sejam seguidas as tradicionais sugestões de Gary Becker e Milton Friedman), qual seria o ganho de bem-estar para a sociedade derivado da diminuição da violência entre os meninos da classe média e entre as crianças da favela? Provavelmente o efeito seja até maior e a defesa deste arranjo para o mercado de drogas fique fortalecida. Mas este é um tema de pesquisa no qual nunca me aventurei.

crescimento do governo · economia da defesa · gastos militares

O tamanho do governo, os militares e a defesa nacional

Brazil Sunday announced it plans to boost its military spending by more than 50 percent in 2008, to around five billion dollars, and draw up a new defense plan, but told its neighbors they should not worry.

Os tradicionais opositores dos militares – a esquerda bolivariana na época em que não se assumia tão bolivariana assim… – estão bem calados quanto a esta notícia. Nada de mais, claro, mas é interessante ver a aliança “chinesa” no Brasil dos intelectuais bolivarianos: militares, sindicatos, intelectuais chapas-brancas…nada como viver na China de Mao sem ter que falar chinês. ^_^

Quanto ao aumento do orçamento, não era difícil prevê-lo. Basta olhar para o restante do continente. Robert Higgs tem mostrado, há anos, que o crescimento do governo através de “ameaças externas” é prática comum no mundo. Não seria diferente na era bolivariana…

economia monetária · liberalismo · libertarianismo · Milton Friedman · Paul Krugman

Por que Paul Krugman errou em tudo que falou sobre Milton Friedman?

Krugman pode ter feito contribuições interessantes à tal Nova Geografia Econômica, mas, no afã de atacar qualquer pensador ideologicamente distante de seu próprio umbigo pop, falou muita besteira sobre Milton Friedman. Nada que bons economistas não possam corrigir com um pouco de esforço.

Hic Krugman, hic salta.

economia da defesa · Economia do Conflito · segurança privada

Segurança privada

Reproduzo da newsletter do The Independent Institute, um dos melhores Think Tanks que conheço.

Security Contractor’s Mistakes Reflect Government-Created Incentives, Not “Market Failure”

Earlier this month, the shooting deaths of 17 innocent Iraqi civilians brought unwanted publicity to Blackwater USA, a private firm under contract with the U.S. military to provide diplomatic security and similar services in Iraq and other hotspots. Some people may be tempted to view the Blackwater deaths as an example of the pitfalls of privatization, but in his characteristically nuanced column for the New York Times, George Mason University economist Tyler Cowen explains why this is gross oversimplification is highly misleading.

“The overall problem is not private contracting itself; contractors do not set the tone but rather reflect the sins and virtues of their customers, namely their sponsoring governments,” writes Cowen, co-editor of the Independent Institute book Market Failure or Success. “A private contractor doesn’t have a financial incentive to protect Iraqi citizens, who are not paying customers. Ultimately, this reflects the priorities of the United States military itself.”

Cowen notes some of the trade-offs that the use of private contractors entails. He also notes some of their unrealized potential. For example, had the UN chosen to hire private contractors in central Africa in the mid-1990s, as it had contemplated, instead of employing poorly trained police from Zaire, it’s conceivable that many of the 800,000 lives lost during Rwanda’s bloody civil war would have been spared.

Cowen also notes that his colleague (and Independent Institute Research Director) Alexander Tabarrok discusses the history of private contractors—namely, the privateers of the 19th century—in the spring 2007 issue of The Independent Review. Although Cowen doesn’t say so, Tabarrok’s article makes essentially the same point as his own. To paraphrase: the “contracting out” of security services should not be conflated with the full privatization of security, because the chain of “contracting out” is only as strong as its weakest link—in this case, Uncle Sam.

“To Know Contractors, Know the Government,” by Tyler Cowen (The New York Times, 10/28/07)

Market Failure or Success: The New Debate, edited by Tyler Cowen and Eric Crampton

“The Rise, Fall, and Rise Again of Privateers,” by Alexander Tabarrok (The Independent Review, Spring 2007)

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