economia política · ONG · regulação

Ligações perigosas

O discurso “social”, a cada dia, perde um pouco de sua máscara. Veja só esta:

Catorze dos 51 gerentes de unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs) da capital paulista, todos funcionários públicos, recebem um salário complementar de entidades parceiras sem fins lucrativos que eles deveriam fiscalizar.

Daí a importância de um modelo regulatório sério. Quem fiscalizará os fiscalizadores? Se levarmos este raciocínio ao absurdo, não teremos solução. Logo, você precisa formatar os incentivos.

Ah sim, é previsível que todo grupo de interesse se organize (as ONGs têm a ABONG) e, claro, veremos nos próximos dias algumas discretas queixas contra o “poder da grande imprensa”, como se um jornal pequeno fosse sinônimo de “imparcialidade”. A cabeça deste pessoal funciona assim: “se eu edito um boletim e divulgo, sou muito mais crível do que o grande jornal”. Como se o Brasil só tivesse ladrão rico. Sacou?

Ontem me contaram uma história ótima. Em Belo Horizonte havia uma peça de teatro e os sujeitos garantiram vagas porque contrataram um serviço privado. A prefeitura de Belo Horizonte proibiu e deixou todos na mão, porque afirmou que o serviço privado prejudicava o serviço dos “guardadores voluntários de carros”, os mesmos que, sem uma moedinha, podem arranhar o seu carro com – pelo visto – a complacência da prefeitura.

Este é o discurso “social”, sem máscaras. E é por isto que de “social” eu nada tenho e nunca terei.

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