Humor · off-topic

Perda de peso morto?

Considere o trecho – engraçadíssimo – abaixo:

Três homens invadiram uma agência do HSBC, na rua Boa Vista, no Centro, hoje, por volta das 17h. Um deles ultrapassou as portas de segurança e entregou um papel aos funcionários anunciando o crime: “Silêncio é asalto”. Depois, o homem rendeu um segurança e permitiu a entrada dos dois outros comparsas, sendo um armado.

Um segundo segurança percebeu a ação, deixou a agência por uma porta lateral e correu até a base da Polícia Militar no largo São Bento para avisar os policiais.

Nesse mesmo tempo, o alarme da agência também foi disparado. Os três bandidos se assustaram, estouraram a porta giratória de vidro e fugiram. Levaram apenas uma arma do segurança rendido. Na fuga deixaram para trás uma carteira e uma sacola com papéis em branco.

Em resumo, saiu para assaltar o banco e voltou com menos grana do que antes. Se ninguém pegou a grana…perda de peso morto!

bolivarianismo · brasil · jornalismo · jornalistas · mercados · rent-seeking

Jornalismo chapa-branca e os incentivos econômicos à sua formação

Um trecho de uma ótima reflexão do PH ácido.

Nas últimas décadas, tem havido uma tendência de concentração de produtores em alguns setores, inclusive na mídia. Essa é uma indústria muito peculiar, que suscita muitas análises românticas, completamente descoladas da realidade. As almas esquerdóides se alvoroçam a cada negócio fechado que poderia sinalizar uma concentração da produção jornalística numa determinada região ou no país. Diferentemente delas – que consideram “independente” um veículo desde que ele seja “progressista” ou qualquer outro lugar comum do jargão – meu conceito de independência de um jornal (ou revista, ou rádio, etc.) está relacionado a aspectos do mercado. Quanto mais ligado ao mercado, menos dependente do governo. E essa independência é que importa.

Aonde eu quero chegar? Vamos lá. Por exemplo: uma região onde quem dá as cartas é uma única organização de mídia, com rádios, jornais e emissoras de televisão. Isso é necessariamente ruim para o público? O senso comum diz que sim. Não há “pluralidade” de coberturas, de discursos (se preferirem).

Mas há um outro aspecto, o do mercado. Se a organização reina praticamente sozinha, deve abocanhar a grande maioria da verba publicitária da região. Se os anúncios vêm majoritariamente da iniciativa privada, a organização de mídia hegemônica (para usar um conceito deles) é muito menos dependente das benesses dos governos. Por ser forte comercialmente, tem condições de fazer coberturas jornalisticamente corretas. Isto é, se tiver que “bater” no poderoso de plantão, baterá, por não depender dele financeiramente.

Já a existência de muitos jornais e revistas pequenos não é garantia alguma de boa prática jornalística. Muito pelo contrário. Em todos os estados há aqueles jornalecos feitos para tirar dinheiro de político. Há muitos jornaizinhos e pouco jornalismo. A quantidade de produtores não garante o abastecimento do mercado com bons produtos jornalísticos. Eles são fracos e dependem das verbas oficiais.

bolivarianismo · brasil · esquerda anaeróbica · socialismo

Ideologia e doutrinação de menores

Eis uma preocupante tentativa de doutrinação em livros didáticos. Já o ensino superior não se sai melhor. Janer Cristaldo promete mais lenha na fogueira da doutrinação promovida pela esquerda brasileira para hoje.

O mais fascinante é que todos estes senhores doutrinadores que se dizem professores protestavam contra a tal “história oficial” da época da ditadura. Mal sabíamos que eles, na verdade, iriam ignorar qualquer pluralismo em prol do avanço de sua própria história oficial. Uma na qual, por exemplo, Che Guevara e Lamarca, notórios assassinos, são heróis. Uma na qual quem lhe faz oposição é “neoliberal”, “fascista” ou “de direita”.

Eu gostaria mesmo era de ver marxistas sérios se manifestarem contra este tipo de estultice. De modo bem suspeito, é difícil ouvir alguns dos famosos socialistas “científicos”  defenderem a ciência de seus algozes. É, amigo, só vale quando não é socialista, né?

Blogs de economia · gorjeta · microeconomia · Sushi

Lembra da gorjeta?

Falamos dela aqui, aqui e aqui. E agora estamos bem acompanhados: Mankiw.

Aqui vai o trecho inicial. Você, depois, leia o resto, ok?

Economists do not have a good theory of tipping. Normally, we assume that consumers pay as little as they have to when buying the products they want. Yet, when buying meals, haircuts, and taxi services, most consumers voluntarily pay more than they are legally required. Why does this happen? Why is it more true for some services than for others? Why do tipping customs vary from country to country? I have no idea.

Fascinante, não? Talvez esta pergunta seja tão boa quanto a do sushi. Ou, de forma irônica, imagine a pergunta: “por que pago gorjeta para o cara do restaurante mesmo após ele me cobrar multa pelo que sobrou no rodízio do sushi”? ^_^

brasil · ciência econômica · História do Pensamento Econômico Brasileiro

Evidências de que a Ciência Econômica evoluiu no Brasil, a despeito de tudo e de todos…

    A criação da economia profissional no Brasil, entretanto, não era uma simples questão de implantação de um currículo moderno. Havia problemas culturais e institucionais mais amplos que dificultavam o desenvolvimento das ciências sociais no Brasil. As tradições intelectuais do Brasil e de outros países latino-americanos gravitavam em torno do pensador, um homem que se orgulhava de sua vasta cultura e que rejeitava a especialização. Esse pensador, com freqüência, com a mesma facilidade que escrevia sobre sociologia e política contemporâneas, escrevia também sobre literatura e, seus estudos, muitas vezes, cruzavam fronteiras interdisciplinares. (…) o fato é que os autores que tratavam de questões sociais geralmente escreviam sem qualquer referência a estudos monográficos, os quais, na Romênia, eram citados já antes da Primeira Guerra (…). Os juízos do ensaísta brasileiro tendiam a ser definitivos e eram tratados de forma histórica.
(…)
Esse fato se deve principalmente a que, no Brasil, o número de estudantes universitários era reduzido, em comparação com as oportunidades de emprego na advocacia, no jornalismo e no serviço público.
(…)
Uma razão sociológica para a persistência da tradição do pensador é que raramente as instituições acadêmicas brasileiras voltavam-se para a pesquisa. [Joseph L. Love, “A Construção do Terceiro Mundo”, Paz & Terra, 1998, p.350-1, grifos meus].

Eu sei, é um texto mais antigo. Mas não resisto em citar novamente.

custos de transação · Desenvolvimento econômico · economia novo-institucional · instituições · narrativas analíticas

A cultura não explica tudo. Já as instituições podem ser importantes

Veja o (longo) resumo deste texto:

The importance of the institutional framework for economic development is widely accepted today and it is duly stressed in the economic literature. The protection of property rights, the enforcement of contracts and an efficient legal system are the pillars of the contemporary rule of law. However, formal institutions cannot function without being internalized by the citizens and without the backing of social norms. Morality and social norms are the major elements of the informal institutional structure, the social capital, which is also critical for social welfare and economic development. In this paper we will discuss both the formal and the informal institutional framework of Ancient Athens, which was a free market society with economic problems similar to contemporary market societies. Athenians developed a highly sophisticated legal framework for the protection of private property, the enforcement of contracts and the efficient resolution of disputes. Such an institutional framework functioned effectively, cultivating trust and protecting the security of transactions. This entire system however was based on social norms such as reciprocity, the value of reputation and business ethics. Conformity to social norms as well as moral behavior was fostered by social-sanction mechanisms (such as stigma) and moral education. The Athenian example is a further proof of the importance of morality and social norms as transaction cost-saving devices even in quite sophisticated legal systems. Their absence or decline leads inevitably to the need for more regulation, clear-cut rules, less judicial discretionary power and more litigation. Athenian law was pioneering in the development of rules and institutional mechanisms suitable for the reduction of transaction costs, many of them surviving in the most complex contemporary legal systems.

O nome do texto? Fácil. Se você checou o link acima verá que é : “Morality, Social Norms and Rule of Law as Transaction Cost-Saving Devices: The Case of Ancient Athens”.