autoritarismo · Cuba

Cubanos refugiados

Dois meses após o Pan, Brasil concede refúgio a dois atletas cubanos.

Mas esses dois não são aqueles boxeadores que o Brasil fez o “favor” de extraditar.

Ainda não consigo aceitar a idéia de que o governo “assassinou” a possibilidade dos boxeadores terem uma vida menos explorada . Por que não foi concedido refúgio para eles, se o motivo alegado pro eles foi o mesmo que o do ciclista e do jogador de handball?

Pode saber que tem o dedo do Fidel aí no meio.

bolivarianismo · brasil · liberalismo · libertarianismo · socialismo

Você tem medo de ser feliz? É porque alguns que não tiveram medo apostaram, dentre outras, em sua humilhação progressiva…

Se você se formou em alguma faculdade; se você, por acaso, aprendeu mais de um idioma; se você é um profissional liberal bem-sucedido ou ocupa um cargo elevado na empresa em que trabalha, cuidado. Esconda os seus diplomas no armário, jamais torne a usar os seus ternos sob medida e trate de comprar um carro velho ou popular. Demonstrar mérito ou ostentar sinais de prosperidade, no Brasil, agora é pecado. Essas coisas significam que você faz parte das nossas pérfidas elites e, portanto, carrega consigo grande parte da culpa pela miséria em que vive razoável parcela da população.

É curioso. Eu nunca interpretei o termo elite por um ângulo pejorativo. Ao contrário. Elite, para mim, sempre significou os melhores dentre os melhores em cada área. Há a elite dos empresários, como existe a elite dos médicos, a dos políticos ou a dos advogados. Com exceção de parcela da elite econômica, cujo patrimônio veio por hereditariedade, ninguém vem a ser reconhecido como membro de alguma elite se não demonstrar mérito, talento e empenho pessoal. São todos pessoas de peso, merecedoras da admiração geral. Ou, pelo menos, era assim até a chegada da companheirada ao poder, há quase cinco anos.

Confesso que não me surpreendi com essa total inversão de valores. Quando cursava a faculdade, em meados dos anos 1970, um dos mitos mais caros do pensamento esquerdista era o que pregava que todas as mazelas do Brasil eram culpa exclusiva de suas execráveis elites. O povo em geral, os cidadãos humildes, era puro de alma, solidário por natureza e sempre pronto a empenhar o melhor de si em prol da coletividade. Mas ele não tinha chance de fazê-lo porque as elites, egoístas e gananciosas, não lhe davam oportunidade. É mais ou menos a forma como os marxistas tradicionais idealizavam a classe burguesa. Elimine-se a burguesia e os seus valores, e a sociedade, quase que naturalmente, se tornará justa, fraterna, cooperativa e voltada para o bem comum.

Clique aqui e leia o restante do texto. Acho que Mises é quem fez a denúncia, pela primeira vez, sobre o comportamento bem pouco ético (e bem invejoso) dos “intelectuais”. João Mellão Neto, autor do texto acima, é um escritor talentoso: resumiu bem o problema da desonesta argumentação que pretende condenar o mérito de qualquer pessoa tentando dar à palavra “mérito” ou a à palavra “sucesso pessoal” uma conotação pejorativa.

Engraçado que se for um operário que diz ser deficiente porque perdeu meio dedo que vira presidente, não há quem não faça campanha midiática salientando o sucesso do dito cujo. Ao mesmo tempo, o sucesso alheio é tido como um pecado de 500 anos de herança maldita ou outras bobagens que fazem corar qualquer sujeito decente, por mais não-liberal que ele seja…

Econometria · economia dos economistas · pterodoxos

A desonestidade do econometrista

Uma preocupação pertinente de muita gente diz respeito à seriedade da pesquisa acadêmica. No caso de artigos que aplicam Econometria, é importante que os autores disponibilizem a base de dados utilizada para que outros possam replicar seus resultados.

Este tipo de procedimento já é comum no mundo desenvolvido, embora esteja, sim, sujeito a críticas e imperfeições, como mostra este artigo. O que me deixa curioso: por que isto ainda não é prática no Brasil? Provavelmente há muita desonestidade por aqui e temos pouca gente qualificada para replicar algumas regressões, embora a situação tenha melhorado nos últimos anos (mais gente faz Ph.D fora, volta, etc).

Não é incomum ouvirmos denúncias de trabalhos econométricos feitos por alunos desesperados por pontos recheados de dados “inventados”. Por que duvidar que alguns de seus “professores” façam o mesmo? Com a seriedade que qualquer método científico é visto no Brasil, eu não duvidaria que temos sérios problemas.

Aliás, aqui vai um resumo do argumento pterodoxo (para justificar a picaretagem):

  1. Econometria é um método que envolve Estatística (= o cara não pode ser tão burro a ponto de não saber disto).
  2. A realidade é muito mais complexa (= se assim o é, como o sujeito sabe onde está a complexidade? É um mistério, não? O sujeito deve ser um semi-deus. Talvez os econometristas sejam tão burros que não percebam esta iluminada observação que, na verdade, saiu de dentro de uma privada…).
  3. Logo, a Econometria e a Estatística são inferiores à minha verborragia (= li Monteiro Lobato e uso mais “entrementes” que você, logo, sou bonzão e você é nerd).
  4. Assim, se eu tiver que ler um artigo com Econometria, não lhe darei a mínima importância (= vou ignorar o que não sei porque sou preguiçoso demais para estudar).
  5. Mais ainda, serei conivente com a picaretagem com os dados porque, como já disse, Econometria não capta toda realidade ( = já que sou estúpido o bastante para não aprender a usar Econometria como se deve, vou incentivar a desmoralização do método, assim todos serão leitores de meus artigos verborrágicos).

Simples assim. Quer criticar o método? Aprenda-o antes e depois critique. Fácil, né?

economia · irracionalidade racional · viés

Caplan sobre o viés e tudo o mais

You can hardly teach economics without bumping into these biases. Students of economics are not blank slates for their teachers to write on. They arrive with strong prejudices. They underestimate the benefits of markets. They underestimate the benefits of dealing with foreigners. They underestimate the benefits of conserving labor. They underestimate the performance of the economy. And in doing all that underestimating, they overestimate both the need for the government to solve these purported problems and the likely efficacy of its solutions.

Vale a pena ler todo o artigo.

carga tributária · Corrupção · Econometria · economia

Economia oculta

Quanto gira na economia por conta da corrupção ou da economia “paralela”, “informal”, enfim, aquilo que chamamos de shadow economy? Para o Brasil, entre 1999 e 2000, girava em torno de 39.8% do PIB. Já em 2004-2005, este número pulou para 41.8%. Se você parar para analisar os dados, verá que nossa carga tributária é quase uma irmã gêmea de nossa economia oculta.

Obviamente, eu acho que seria bem interessante verificar o quanto a intervenção governamental gera de economia oculta. Mais ainda, eu aposto que economias que seguem o padrão “primeiro gastar para depois tributar” devem ser as que apresentam maiores parcelas ocultas do PIB.

E você, o que acha?

metas de inflação

Metas de inflação versus Câmbio fixo

Ao contrário do que afirmam certas menininhas histéricas, o sorvete derrete mesmo se o câmbio é fixo. É o que mostram Mihov & Rose.

We compare the duration and performance of different monetary regimes, especially the contrast between countries those that fix exchange rates and those that target inflation. Inflation targeting is a more durable policy; no country has yet been forced to abandon an inflation target, while many have abandoned fixed exchange rates. Indeed, even though inflation targeting began only in 1990, the duration of inflation targeting regimes is at least as long as, or longer than all alternative monetary regimes for comparable countries. Regime duration also matters in monetary policy; older regimes are typically more successful than younger ones in achieving low inflation.

Difícil mesmo é ver a mídia nacional dar espaço a certas afirmações de forma a-crítica. O artigo cujo resumo cito está aqui.

Humor · microeconomia

Decisões sobre o (próprio) futuro profissional

Ouvi esta no elevador:

– Sabe, véio, acho que vou mudar de curso.

– Pô, legal. Para qual curso?

– Para RI (nota deste escrevinhador: Relações Internacionais)

– Por que, véio?

– Eu vi as ementa, véio, tem só matéria doida.

Abre-se a porta do elevador e o rapazote que acaba de descobrir sua vocação profissional, até então adormecida, desce. Terá sido uma sábia decisão?

economia · microeconomia · pessimismo

Modelo do sujeito pessimista (em inglês: “cold feet”)

Eis um texto bem técnico, no qual os autores constroem um modelo para sujeitos com preferências, digamos, pessimistas.

Individuals often lose confidence in their prospects as they approach the ‘moment of truth.’ An axiomatic model of such individuals is provided. The model adapts and extends (by relaxing the Independence axiom) Gul and Pesendorfer’s model of temptation and self-control to capture an individual who changes her beliefs so as to become more pessimistic as payoff time approaches. In a variation of the model, the individual becomes more optimistic at an ex post stage in order to feel better about her available options.

Quem são os autores? Epstein & Kopylov.

Ok, o modelo é bem técnico e o leitor menos chegado na linguagem matemática terá alguma dificuldade por aqui. Mas o ponto principal é: não é legal isto de se buscar avançar na ciência comportamental no que diz respeito à análise decisória? Microeconomia é, realmente, muito bacana…

brasil · liberalismo · libertarianismo

Encontro de Pensadores Liberais

Nosso encontro de pensadores liberais esta tomando forma. Já temos a data: 01 e 02 de dezembro. Já temos o local: Universidade Católica de Brasília. E agora já temos 3 temas de mesas redondas e 1 palestra agendados.

Tema 1: Idéias Liberais para o sistema educacional

Tema 2: Idéias Liberais para o sistema de saúde

Tema 3: Idéias Liberais para a previdência

Palestra: Prof. Dr. Nelson Lehmann “Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho”

Caso você tenha sugestões de temas, por favor, envie-as ao blog.

Academia · blogosfera

Atenção!

Livro sobre Ditados Populares e Economia

Todos aqueles que ainda quiserem participar do livro sobre ditados populares e economia terão até o dia 03 de novembro para me enviarem seus artigos. Após essa data estarei começando a organização do livro. Acredito que até o dia 15 de novembro teremos o formato final de nosso livro.

Estimule seus amigos a participar, todos são muito bem vindos.

Assim que você terminar seu artigo, por favor envie-o para: sachsida@hotmail.com