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Falhas de governo: o caso da ONU

Várias vezes aqui eu chamei a atenção para o estranho comportamento de muitos de nossos “(de) formadores de opinião” (e também de muita gente séria) sobre análises da realidade. Fala-se muito de “falhas de governo” para o Brasil ou para qualquer outro país, mas há um silêncio profundo quando a crítica começa a se direcionar para a mega-burocracia global, a ONU. Há vários motivos para isto. O mais rasteiro e ruim é o famoso “se o governo dos EUA falar mal de X, eu falo bem, mesmo que X = Hitler”.

Não há motivos, teoricamente falando, para se analisar a economia política do governo brasileiro, do FMI e ignorar a ONU. É como se a ONU nunca falhasse, fosse perfeita, a despeito de todas as evidências em contrário.

Este tipo de discurso serve a muitos interesses, claro. Muita gente no Brasil ganha recursos do PNUD ou mesmo trabalha em escritórios da ONU. Destes, claro, não se pode esperar muita crítica (os caras têm que pagar as contas no final do mês, é bem compreensível o seu silêncio). Mas do resto da academia eu esperava mais. Na minha opinião, faltam estudos críticos sobre a ONU. Há muita celebração sobre as estranhas metas do milênio, mas pouca análise sobre como as mesmas foram decididas. Não falo de surrados manuais cepalino-marxistas sobre países “centrais” e “periféricos”. Não é questão de encaixar a realidade na camisa-de-força da (hipótese-jamais-falseável da luta de classes). É questão de analisar as escolhas públicas na ONU.

Afinal, se toda burocracia erra, por que a ONU não erra quando o assunto são as metas do milênio (muitas bolsas para muitos pesquisadores brasileiros!!!), mas erra quando o assunto é etanol?

Uma vez eu vi um artigo muito interessante sobre a influência das votações no FMI em decisões da ONU. Seria interessante ver algum de nossos bons pesquisadores analisar o padrão de votação do Brasil nestes órgãos. Se há ou não um padrão eu não sei. Mas eu gostaria de ver uma pesquisa como esta. Ela desmistificaria muito do discurso de jornalistas que enxergam conspiração nos lugares errados, ou até mesmo nos mostraria que não existem conspirações.

Eu sei: é polêmico. Mas aí é que está a graça de uma pesquisa assim.

Um comentário em “Falhas de governo: o caso da ONU

  1. Concordo integralmente.

    A ONU por vezes recebe um crédito e uma confiança totalmente indevidos. Se os políticos nacionais são, em sua maioria, incompetentes e mal-intencionados, por que seria diferente no órgão que aspira ser o nosso governo planetário?

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