Econometria · economia · economia do casamento e divórcio · microeconomia

“Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus e ambos respondem a incentivos”

Seu casamento acabou? Não fique triste. Procure entender o porquê. Loureiro, Mendonça, Moreira e Sachsida (todos ainda casados?) podem dar algumas pistas.

Do Economic Factors Determine the End of a Conjugal Relationship? An Econometric Investigation

por Paulo R. A. Loureiro, Mário Jorge Cardoso de Mendonça, Tito Belchior Silva Moreira e Adolfo Sachsida 
Setembro 2007

Abstract

The article investigates the subject of the married union within the context of random choice by the agent. Herein are defined the states that an agent can assume in a relationship (single, cohabitation and married) in order to discover which factors can influence the change from one state to another (single to married, for example). Hence, we use a multinomial logit model as the form of estimating probability of choice of status. According to Becker (1976), the subject of marriage in modern society can be analyzed from the rational agent’s standpoint that a market exists where the agent chooses a partner to maximize utility subject to restriction. The econometric results present interesting results, displaying a certain distinction between the men’s and the women’s behavior, regarding status changes in the relationships. In relation to the economic factors, these were shown to be important for both sexes.

Divertido, não?

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Academia

Amigo de Dani Rodrik se deu mal?

Diz Janer Cristaldo:

Alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo. A medida provisória que determinava a nomeação de Roberto Mangabeira Unger, para a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, foi rejeitada pelo plenário do Senado por 46 votos a 22. Outros 626 cargos em órgãos públicos que também constavam do texto da MP também foram extintos.

Mangabeira, o catedrático de Harvard que desancou Lula e mal recebeu convite para uma prebenda veio, qual cachorrinho abanando o rabo, lamber os pés do Apedeuta, tomou posse no cargo em 19 de junho. Ficou exatamente cem dias no cargo. No Planalto, há quem fale da Secretaria de Planejamento de Curto Prazo.

Nem tudo é notícia ruim na imprensa. Deus não joga, mas fiscaliza. Só de imaginar a cara de pânico do catedrático venal e vira-casaca e dos seiscentos aspones que perdem suas mordomias, terei um dia feliz.

Esta é realmente, muito engraçada. Será que o sr. Unger, outrora crítico do sr. da Silva e que chegou a apagar de sua webpage um artigo publicado em jornal, crítico do sr. da Silva e auxiliares/amigos, realmente cairá em si? Se isto é verdade, é, no mínimo, tragicômico.

microeconomia · normas sociais

Por que damos gorjeta? – Continuação

Dica do Ari e o resumo nos diz…

This paper offers a thoughtful discussion of social norms and alternative economic viewpoints and analysis of restaurant tipping behavior. A survey of Louisiana residents was conducted to collect public opinions about tipping. The analysis suggests that social norms are indeed the primary reason for diner tipping. As long as consumer behavior is guided by
social norms, social norms will create costs for diners. The conclusion suggests that if customer’s tipping behavior were completely guided by social norms and tips were not treated as the costs of servers’ services, tips would create excess burden in the restaurant food market.

E aí? Comentários?

Humor

Por que o Ari tem boa memória?

Pesquisadores afirmam que beber com moderação estimula a memória. Digo, beber vinho. O ponto interessante é este:

A pesquisadora Maggie Kalev, que participou do estudo, explicou que, “ao contrário da crença popular”, a equipe descobriu que “uma quantidade excessiva de álcool estimula a lembrança de estímulos altamente emotivos, o que leva a pensar que é pouco provável que a idéia de beber para esquecer esteja certa”.

Kalev, do departamento de ciências médicas e da saúde da Universidade de Auckland, acrescentou que as pesquisas “sugerem que beber em excesso reforça as memórias negativas”.

Notou? “Crença popular” nem sempre é sinônimo de sabedoria, claro. Mas há algo interessante nesta história de beber para esquecer: até onde sei, a moçada bebe cerveja para esquecer, não vinho. Será que a “sabedoria” só não vale para bebidas como o vinho? Ou a cerveja também não é boa para “afogar as mágoas”?

Humor · off-topic

Nobel de Literatura fala: será que há ouvintes qualificados (que entendam o que ele diz)?

Fechem os Departamentos de Literatura!

Sir Vidia Naipaul, vencedor do premio Nobel de literatura de 2001, pediu o fechamento dos departamentos de literatura inglesa. Corretamente ele disse que esse pessoal só fala besteira. Professor de literatura que não sabe escrever é a mesma coisa que crítico de vinho que não sabe fazer vinho, ou crítico de cinema que não sabe filmar e nunca dirigiu um filme. Nas selvas do mundo esses “profissionais” são considerados intelectuais e respeitados pelo conhecimento que não possuem. Verdadeiros reis da cocada preta [ou branca, para ser politicamente correto].

Esta é boa. Observe que há um tema interessante aqui: as barreiras à entrada que muitos acadêmicos constroem em torno de si com suas lendas sobre o amigo “grande especialista na área” ou o seu colega de sala que é o “maior expert do assunto no estado”. Vi e vejo muito disto ainda aqui em Minas Gerais.

Tem horas que é bom ler que alguns laureados com o Nobel não se deixam levar totalmente pela “puxação de saco” deste tipo de gente.

teorema de coase

Quem tentou ganhar muito dizendo que havia armas de destruição em massa no Iraque?

Less than a month before the U.S. invasion of Iraq, Saddam Hussein signaled that he was willing to go into exile as long as he could take with him $1 billion and information on weapons of mass destruction, according to a report of a Feb. 22, 2003, meeting between President Bushand his Spanish counterpart published by a Spanish newspaper yesterday.

Não duvido que o imbecil do Saddam tenha tentado mais este blefe. Mas o melhor do link acima é a questão coasiana.

economia política · falhas de governo · ONU

Falhas de governo: o caso da ONU

Várias vezes aqui eu chamei a atenção para o estranho comportamento de muitos de nossos “(de) formadores de opinião” (e também de muita gente séria) sobre análises da realidade. Fala-se muito de “falhas de governo” para o Brasil ou para qualquer outro país, mas há um silêncio profundo quando a crítica começa a se direcionar para a mega-burocracia global, a ONU. Há vários motivos para isto. O mais rasteiro e ruim é o famoso “se o governo dos EUA falar mal de X, eu falo bem, mesmo que X = Hitler”.

Não há motivos, teoricamente falando, para se analisar a economia política do governo brasileiro, do FMI e ignorar a ONU. É como se a ONU nunca falhasse, fosse perfeita, a despeito de todas as evidências em contrário.

Este tipo de discurso serve a muitos interesses, claro. Muita gente no Brasil ganha recursos do PNUD ou mesmo trabalha em escritórios da ONU. Destes, claro, não se pode esperar muita crítica (os caras têm que pagar as contas no final do mês, é bem compreensível o seu silêncio). Mas do resto da academia eu esperava mais. Na minha opinião, faltam estudos críticos sobre a ONU. Há muita celebração sobre as estranhas metas do milênio, mas pouca análise sobre como as mesmas foram decididas. Não falo de surrados manuais cepalino-marxistas sobre países “centrais” e “periféricos”. Não é questão de encaixar a realidade na camisa-de-força da (hipótese-jamais-falseável da luta de classes). É questão de analisar as escolhas públicas na ONU.

Afinal, se toda burocracia erra, por que a ONU não erra quando o assunto são as metas do milênio (muitas bolsas para muitos pesquisadores brasileiros!!!), mas erra quando o assunto é etanol?

Uma vez eu vi um artigo muito interessante sobre a influência das votações no FMI em decisões da ONU. Seria interessante ver algum de nossos bons pesquisadores analisar o padrão de votação do Brasil nestes órgãos. Se há ou não um padrão eu não sei. Mas eu gostaria de ver uma pesquisa como esta. Ela desmistificaria muito do discurso de jornalistas que enxergam conspiração nos lugares errados, ou até mesmo nos mostraria que não existem conspirações.

Eu sei: é polêmico. Mas aí é que está a graça de uma pesquisa assim.

Academia · Humor

Envelhecer é…

  • … você tentar fazer uma piada com o Capitão Kirk na sala de aula e ninguém entender
  • … falar dos planos (de destruição em massa) heterodoxos nos anos 80 e todo mundo dizer que não era nascido
  • … dizer qual era a taxa de inflação na época em que os “desenvolvimentistas” dominavam postos-chave no governo e a moçada rir achando que é uma piada
  • … mostrar o quão pouco um economista acadêmico brasileiro dialogava com seus pares no “Mundo menos Brasil”, embora adorasse falar mal de todos os economistas “dos países centrais” e os alunos se entreolharem incrédulos.

Envelhecer é isto.

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Ideologia importa?

Caso minha memória não esteja a me enganar, Gordon Tullock, uma vez, fez esta pergunta. Algo como: “se ideologia não importa, porque os grupos de interesse gastam tanto dinheiro nisto”? Não se trata de teoria da conspiração. É pura e simplesmente a ação racional dos burocratas auto-interessados. Robert Higgs, há anos, mostra que a ideologia pode explicar um fenômeno bem conhecido dos brasileiros: o tamanho (crescente) do governo.

Há, contudo, duas possíveis formas pelas quais a ideologia atue na destruição da sua liberdade. Uma delas é que, simplesmente, a ideologia seja um simples disfarce para o avanço da agenda de grupos de interesse em busca de benefícios às custas dos contribuintes. A outra é que os grupos realmente acreditem que o extermínio da liberdade individual seja o melhor caminho para o avanço de sua agenda.

A diferença é que os primeiros usam as regras do jogo para mudar os resultados enquanto que os outros pretendem destruir a chance de uma nova partida através da penalização (com a morte, em muitos casos) dos que desejem jogar. Algo como ter o poder de impor que uma partida de futebol entre os amantes do futebol e as amantes da ópera (para parodiar o famoso jogo “Batalha dos Sexos”), se vencido pelas últimas, resulte na eterna proibição do futebol, mutatis mutandis para o caso do pessoal do futebol.

Não é irreal pensar que ideologia seja importante no segundo sentido. Minha leitura, até o momento, do The Master Plan de Heather Pringle (indicação, lembro sempre, do Filisteu), mostra que existe gente que realmente investe dinheiro para validar sua crença, por mais absurda que seja. No caso deste livro, o maluco é Himmler que, honestamente, acreditava existir mesmo esta maluquice de raças e, mais ainda, acreditava que a sua era a raça superior.

Ideologia importa…no Brasil? Talvez uma boa oportunidade de se discutir isto seja pensar em dois singelos (e perigosos) exemplos: o cabide de empregos dos jornalistas e o uso político das salas de aula. Será que há mesmo gente que queira terminar com o jogo (ou seja, que não use este discurso apenas como discurso)?

decisão · economia política · microeconomia · viés

Viés

When it comes to surveillance and terrorism, are we not doing enough to prevent the next terrorist attack, or are we collecting too much unnecessary information?

In the mortgage market, are we making it too difficult or too easy for first-time homebuyers to purchase homes?

Would one have expected that the cost of restoring order after an invasion of Afghanistan to be relatively light compared to the cost of restoring order after an invasion of Iraq?

Most people approach these issues with hindsight bias. In situations of uncertainty, hindsight bias causes a number of problems.

Clique aqui para ler mais deste bom texto do Arnold Kling.

economia · Freakonomics · microeconomia

Novo projeto de e-book em andamento

Lembra do novo projeto de e-book do Adolfo? Já tínhamos quatro textos aqui.

Agora, temos mais um:

Quer participar deste projeto? Fale com o Adolfo. Ele explicou a idéia deste novo e-book aqui.