Uncategorized

Educação superior (em Economia): a hora chegou?

Erik acha que sim:

O ensino de Economia na graduação tem de ser repensado com urgência. Regra geral, os alunos não são preparados para o mercado de trabalho. Há sempre quem diga que a economia é uma ciência que envolve relações filosóficas, históricas, sociais etc. Porém, este não é o perfil profissional que as empresas buscam. Após a defesa da minha tese, tive várias conversas a respeito deste tema. Cito dois diálogos. O Fernando Veloso brincou relatando a seguinte situação: a empresa chega para o economista e pede a solução para um problema. De imediato o economista fala: “vou ver o que o Keynes, na Teoria Geral, falou a respeito deste tema e depois resolvo”. Em um jantar na casa do Flávio Ziegelmann, o Marcelo Portugal alertou para este mesmo problema. O aluno de economia é capaz de falar sobre relações de demanda agregada, porém incapaz de estimar a demanda pelo produto de uma determinada empresa.

Leia tudo aqui.

famosos · microeconomia

A Microeconomia dos Famosos

Ontem o Brasil comemorou o aniversário de Dona Canô.
Bom, a Bahia comemorou.
E toda a família ACM.
E o Gil e a Gal e a Regina Casé.
O site Ego fez uma matéria extensa sobre o fato, informando o que Dona Canô fez a vida inteira e o que ela faz todos os dias. O que ela come. O que ela veste. O que ela diz. Veja bem, nada contra Dona Canô, ela parece ser uma vovó muito gente fina.O fato é que este país transforma em celebridade as coisas agregadas. Estranho. Dona Canô é mãe de Caê e Bethânia. Isso faz dela uma pessoa genial? Eu não entendo pra quê endeusar as coisas por aqui.Eu nunca vejo isso acontecer com gênios do mundo. Tipo, quem é a mãe do Mick Jagger? Alguém sabe o dia do aniversário da mãe do Anthony Hopkins? Pra quê eu preciso saber que no aniversário da mãe do Caetano Veloso foram servidas 40 toneladas de Vatapá?

Por mais fofa que Dona Canô seja, tem alguma coisa muito forçada em tudo isso.

Esta foi a Sarah, com uma questão que pode ser interessante para se discutir um pouco a microeconomia dos famosos. A hipótese dela – que poderia ser testada com alguma dificuldade – é a seguinte: quais os determinantes econômicos, em uma amostra cross-country, da criação de “pacotes” (famosos + pais)?

Honestamente? Eu acho que a mídia não é tão diferente assim aqui, relativamente ao resto do mundo. Talvez – mas eu não acredito nisto – o caso brasileiro seja tal que a relação entre famosos e mídia é mais, digamos, “incestuosa”, no melhor estilo rent-seeking (isto parece acontecer como a própria Sarah exemplifica). Talvez tenhamos um mercado editorial menor, mais dependente das notícias de nossos “artistas”/”intelectuais”, o que diminui o custo de se fazer estes pacotes e vendê-los ao público.

Mas, será mesmo?

bolivarianismo · brasil · educação · história

Os tais livros didáticos

O Ministério da Educação deveria ter um controle mais rigoroso sobre os livos que distribui, ainda que ele seja demandado por milhões de professores. Obras mal escritas, com uma visão de mundo simplista e distorcida, não deveriam receber o que é um tipo de chancela do Ministério da Educação. É claro que qualquer livro didático tem a obrigação de ser menos enviesado e doutrinário e muito mais bem escrito do que os de Schmidt. Mesmo assim, não acho que obras como essas vão construir uma multidão de socialistas acríticos nos próximos anos. A realidade é muito mais complexa do que isso, e os livros didáticos de Schmidt não são a única fonte de informação a que os alunos estão expostos. Ainda bem.

Peguei lá da Torre de Marfim. Se eu fosse o leitor, passaria também por esta matéria do Estadão sobre o mesmo livro. O que dizer de tudo isto? Primeiro, tentativa de doutrinação sempre existe, o que não quer dizer que seja o caso de todo avaliador do MEC (mas eu não duvidaria que existem alguns tresloucados lá). Mas o que diz o Matamoros no trecho acima é correto: o problema é a péssima qualidade do livro. E isto me faz pensar: por que é que um editor topa publicar um livro com tantas distorções? Se ele não enxerga isto como um empecilho à sua busca de lucro, então é porque percebe que a demanda não reage a isto. Em outras palavras, o editor percebe que os consumidores não têm muito poder de crítica.

Mas, se isto é correto, caímos em outra pergunta: por que tanta falta de crítica por parte dos leitores brasileiros? Pode-se culpar o governo militar, a herança maldita ou a conspiração gramsciana da esquerda (consciente ou não). Mas esta é a resposta que, até hoje, não vi bem elaborada. Talvez este seja um dos pontos para se discutir em Brasília.

América Latina · bolivarianismo · brasil · esquerda

O hiato entre discurso e prática na esquerda latino-americana

O que leva uma jovem holandesa, com uma vida confortável e a perspectiva de um futuro tranqüilo em seu país, a largar tudo para unir-se à guerrilha colombiana? A pergunta é a primeira coisa que vem à cabeça quando se conhece a história de Tanja Nijmeijer, guerrilheira de 29 anos que fugiu quando seu acampamento foi descoberto pelo Exército colombiano em meados de julho, deixando para trás seu diário com um precioso relato do dia-a-dia dos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).A julgar pelo conteúdo do caderno, divulgado recentemente pelo jornal colombiano El Tiempo, a resposta parece ser uma mescla de idealismo, ingenuidade e o que alguns analistas definem como “nostalgia da ação revolucionária” – aquela ânsia de encontrar uma causa para lutar, num mundo no qual restou pouco espaço para as grandes ideologias.

Leia tudo que vale a pena. Segundo o diário da tresloucada mocinha, os eternos homenageados em centenas de “fóruns de Porto Alegre” que circulam por aí, entre os promoters de eventos brasileiros, as FARC’s, não passam de um grupo de terroristas (ao invés de representarem uma certa “esperança bolivariana”). Talvez aquele padre cuja extradição nunca sai (um que está bem protegido no Brasil, ao contrário dos boxeadores cubanos…) possa nos dizer algo sobre a sua visão cristã das FARC’s. Ou, sei lá, sobre sua visão cristã do diabo no céu. Deve dar na mesma.

economia da defesa · Economia do Conflito

Defesa: um bem privado?

An inconvenient truth missing in the debate over Blackwater (which is currently in trouble with the Iraqi government over a shooting incident), is that the US military is completely dependent on private military companies (PMCs). This dependency can’t be wished away or reversed. If anything, given the trend lines, PMCs will increasingly replace conventional military forces well into the future.

Por que? Leia aqui.

Humor · off-topic

Lazer com Sushi

seinenkai

Ok, não tem nada a ver com economia, mas eis um momento de lazer. A propósito, o bizarro senhor da foto é também um ceramista, o que significa que ele “bate um barro legal”, mas no sentido literal do termo. ^_^

Após a cansativa semana do IV Seminário de Economia, esta reunião de ontem foi um belo de um descanso. Ah sim, eu falei do ceramista engraçadinho da foto aí no alto, mas, para os novatos, é bom saber que já fiz outra divulgação gratuita aqui antes. Qual? A deste fã de J-Pop e de sua banda.

Eu falei em sushi? Ah, é mesmo…

demografia · Desenvolvimento econômico · economia · incentivos · microeconomia

Quer estudar menos? Faça campanha para que se adote um cachorro ao invés de pedir um irmãozinho

Todo mundo quer, eu sei. Ok, você achou que eu ia falar de incentivos. É verdade que tem tudo a ver com incentivos, mas há mudanças de parâmetros que não são incentivos, digamos, propositalmente criados por alguém com o objetivo de fazer o sujeito estudar menos.

Veja, por exemplo, este caso:

One out of five college students did comparatively little studying to prepare for college entrance exams in their last year of high school from 2005 to 2006, a nationwide survey by a University of Tokyo research group showed Saturday.

Overall, half spent less than two hours a day in their final year preparing for the traditionally crucial exams, the survey showed.

The results indicate that entering a good college is becoming a less competitive event due in part to the declining birthrate. This in turn is reducing high school students’ motivation to enter “exam hell,” the traditionally prolonged period of intensive exam preparation, the group said.

A questão interessante é: será que os estudantes de países que passem por esta transição demográfica tendem, em média, a estudar menos? De outra forma, qual seria a elasticidade-envelhecimento populacional da alocação de tempo para estudos?