cinema · off-topic

Novas aquisições

Japan's Longest DayTokyo Monogatari

Sim, novos filmes. Um, que não conheço – e promete (Mifune, Kayama e Nakadai? Só pode ser bom) – e outro, um clássico do cinema japonês, agradabilíssimo, que recomendo a todo e qualquer ser vivo.

tragédia dos comuns

A Amazônia é nossa?

Existe uma história contada nas aulas de microeconomia ou nas aulas de teoria dos jogos que explica a lógica por trás da iniciativa do governo. A primeira vez que eu ouvi sobre a “Tragédia dos Comuns” foi na aula de Teoria dos Jogos ministrada pelo Prof. Sabino:

Na idade média existiam terras que eram de uso comum. Cada camponês tinha direito a levar seu gado para pastar nestas terras. As regras tradicionais que regulavam o uso da terra não estabeleciam um limite para cada camponês e seu gado. Apenas dizia que cada um tinha direito de levar seu gado para pastar. Foi a ausência de limites na exploração deste recurso que fez com que as terras fossem levadas a completa exaustão, causando fome entre os camponeses. É dai que surge a palavra tragédia na tragédia dos comuns.

Leia mais aqui.

falácias econômicas · falhas de governo · pterodoxia · pterodoxos

Bons motivos para seu pessimismo com a selva

Quem disse:

Vi um cartaz na faculdade hoje e achei interessante a proposta: os Feds regionais promovem, uma vez por ano, um concurso para estudantes de graduação onde estes, em última instância, simulam uma reunião completa do FOMC (o Copom deles). Os estudantes devem montar uma apresentação com uma exposição clara sobre a conjuntura do país, estabelecer os principais problemas e, por fim, dizer qual deve ser a trajetória dos juros que o Fed deveria escolher como consequência dos problemas apontados.

No Brasil, acho que o máximo que chegamos a ter foi o Concurso de Monografias, de 2003, e as ações do “BC e Universidade”, onde funcionários do Banco dão palestras sobre as principais funções de um Banco Central.

Imagino o dia em que chegaremos a ter uma promoção como esta, e… Não, na verdade, eu não imagino o dia em que chegaremos a ter algo neste sentido: do jeito que estão as universidades no país, vai aparecer uma meia dúzia de bobo-alegres, erguendo cartazes contra a privatização da Vale, dizendo que o BC dá dinheiro para os banqueiros, e apresentando, por fim, o trabalho como se fosse um jogral (alguém se lembra do significado disto, ou já ouviu esta palavra na vida? Quem conhece, sabe exatamente o que eu estou falando). Tudo para, no fim, dizerem que o resultado foi manipulado para dar o prêmio para alguma das grandes universidades em economia que fosse alinhada com o pensamento neo-liberal privatizante. No limite, chegaríamos a uma CPI… Deixa para lá.

Acertou. Foi ele.

Academia

A academia, os discentes, os docentes…

Falei aí abaixo sobre o IV Seminário de Economia de Belo Horizonte. Ao terminar a sexta-feira eu tive a nítida impressão de termos alcançado o pico da série (digamos, um máximo local). Embora eu não conseguisse explicar bem o porquê, a sensação era a de que este teria sido o melhor das quatro edições. Após o almoço pude conversar com o Fábio Gomes e acho que a sensação faz um certo sentido. Há uma certa “consolidação” do encontro. E ela diz respeito aos mais beneficiados com este encontro: os alunos. Parece que alguns alunos descobriram, tal como eu, que este tipo de evento é bem divertido e interessante, por mais que você não entenda alguns dos temas tratados. Enfim, entenderam o que é bonito na Ciência.

Lamentavelmente, claro, há aqueles que ainda não perceberam as vantagens. Há os que comparecem apenas em estado líquido, há os que acham que aquilo lá só é útil se ganham pontos e/ou freqüência e há os que passam a vida a reclamar que não encontram temas de monografia (mas são incapazes de, ao menos, observar os títulos dos textos disponíveis para download na página do seminário).

Eu tenho pena dos que ainda não perceberam a diversão que é, realmente, um encontro como estes. E não falo apenas de alunos. Professores também. Explico-me. Suponha que você tenha dois professores, ambos alegando serem bons no que fazem (lecionar). Ambos sabem que a reprodução do conhecimento exige, sim, uma certa reciclagem e isto tem custo. Ambos sabem que a pesquisa científica é uma forma de se iniciar um (custoso) processo de atualização. Mas apenas um deles está no seminário, seja apresentando o artigo, seja assistindo ou comentando. Se você já estudou sinalização em microeconomia, sabe que um deles emitiu um sinal claro: para ele, há sempre algo melhor a fazer do que buscar um pouco mais de conhecimento. Como o conhecimento aprimora a aula…sabe como é, né? Alguém disse – e eu concordo – que cada aula é uma sessão de aprendizado para quem ensina. Veja: para quem ENSINA.

Eu não sou estudioso de boa parte dos temas apresentados no Seminário, exceção feita, talvez, ao artigo do Fausto sobre ciclos político-econômicos. E só me atrasei na quinta à tarde porque estive em uma reunião na qual nem queria estar presente, mas, claro, obrigações são obrigações. O nosso coordenador, o Paulo, também não é especialista em boa parte do que foi discutido lá, mas esteve em algumas sessões. Este seu ato qualifica-o para aquele antigo lema de propaganda de nossa faculdade: “só quem está no topo pode indicar o caminho”.

Mas e o seminário? Primeiro, eu acho que todo mundo aprendeu algo sobre os graves problemas da educação brasileira na palestra de abertura. Naércio é um sujeito agradável e também é um dos que mais publicam em nossa academia. Conversei com ele após o encontro (Naércio enfrentou meu eu motorista até o hotel com muito sangue frio ^_^) e lembro ao leitor que uma discussão que ele NÃO fez foi sobre o ensino superior, embora, sim, esta seja muito relevante.

Os artigos do trava-língua “pró-pobre” continuam uma curiosidade para mim. Não entendo nada do assunto mas percebo claramente que é uma agenda de pesquisas muito bacana. Talvez o que eu sinta falta seja de um segundo passo neste tema que, parece-me, ainda está em uma discussão sobre diagnósticos. Claro que é a parte mais importante pois seria impossível passar à frente sem uma clara definição de termos básicos mas, bom, talvez seja apenas porque eu não seja o maior fã deste tema. Márcio, Ari e Rai é que deverão ajudar no avanço desta agenda de pesquisa nos próximos anos…

Carlos Alberto falou sobre bancos centrais e política monetária, com uma metodologia que eu ainda não consegui começar a estudar (embora esteja cada vez mais claro que é muito interessante) que são estes modelos com calibração. Há um ano eu obtive alguns programas e artigos (graças ao mesmo Carlos) e, até hoje, não consegui me obrigar a começar um estudo sobre o tema. Pesa nisto um pouco o custo de oportunidade do tempo e da minha definição do que, efetivamente, são minhas linhas de pesquisa. Mas, como sempre, eu acho os trabalhos do Carlos os mais interessantes.

Lamentavelmente, perdi as palestras do Renato e do Carlos Eduardo. Aliás, o Renato é um cara que tem um potencial para pesquisas que deveria ser melhor aproveitado. Em outras palavras, seria ótimo ver um novo artigo dele no ano que vem, quem sabe, no mesmo seminário.

Giambiagi falou sobre Previdência e talvez tenha jogado um pouco de racionalidade na mente dos alunos. Particularmente, já concordo com muito do que ele diz e já leio as mesmas propostas há anos. Assim, não vi muita novidade mas, claro, a discussão dele talvez seja a mais importante (ou uma das mais importantes) para qualquer conversa sobre crescimento sustentável (no sentido de se sustentar mesmo, nada a ver com eco-terrorismo) no longo prazo.

Fausto não me era familiar, mas apresentou um dos mais interessantes artigos desta edição do seminário. Aliás, hoje mesmo, eu falei do boletim da FIPE e lá há um outro artigo do Sakurai sobre o mesmo tema: ciclos políticos em eleições municipais. Fausto me parece um destes novos talentos que deve, o mais rápido possível, começar seu doutorado (se conselho fosse bom ninguém dava, mas eu estou disposto a cobrar um alto preço do Fausto por este, digamos, uns US$ 1,000,000.00 ^_^) . Ano passado também tínhamos um mestrando (ou recém-mestre), o Hilton Notini que, aliás, reapareceu neste encontro para assistir as sessões de sexta-feira.

Para variar, o Fábio Gomes me apareceu com mais uma série de tempo modelada. Fábio está rapidamente se tornando um dos mais produtivos economistas acadêmicos deste país. Falo isto sem qualquer viés: olhe você mesmo o currículo Lattes dele. Por que as universidades mineiras foram incapazes de retê-lo é uma questão que não diz respeito apenas a um bom salário, infelizmente.

Claro, outro talento mineiro é o Marcelo Moura, do IBMEC-SP, que fez uma das mais didáticas e interessantes apresentações de todos os seminários (este povo que vem de Chicago, em média, faz jus à fama da grande escola). É impossível alguém me dizer que não consegue bibliografia para uma monografia sobre câmbio após fazer o download de seu texto (disponível há semanas…).

Outros grandes pesquisadores mineiros (independente de qualquer esdrúxula nomenclatura oficial, pesquisador mineiro, para mim, é quem pesquisa e mora em Minas Gerais, receba ou não bolsas de fulanobrás ou fulanominas) estavam presentes: Lízia Figueiredo, Cláudio Burian, Guilherme Hamdan e possivelmente outros cujo nome não me lembro. Tivemos até um estudante de pós-graduação, se não me engano, da UERJ, que parece interessado nas pesquisas do Marcelo.

Claro, minha grata satisfação foi ter dois ex-alunos classificados para o Prêmio de Monografia (instituído no ano passado) do Seminário com um, o Guilherme Castro, vitorioso (extra-oficialmente, já que não há premiação de segundo ou terceiro colocados, tivemos uma orientanda do Ari em segundo lugar e minha outra orientanda em terceiro).

Pouca gente entende o significado disto tudo. Somente ler o que eu digo acima não é suficiente porque, afinal, sou um entusiasta do encontro. Você tem é que ir e assistir. Caso haja um quinto seminário, eu recomendo fortemente que você reserve parte do seu tempo para ir até lá.

No mais, eu agradeço aos palestrantes pelas ótimas apresentações, conversas de intervalos, almoço, jantar, lanche, etc. Agradeço também aos que foram por livre e espontânea vontade e, com suas perguntas ou com seu silêncio, passaram por mais uma jornada de processamento de informações (sinapses, sinapses, sinapses…) que, podem acreditar, ser-lhes-á útil em algum momento da vida (ou em diversos momentos). Finalmente, agradeço ao coordenador do evento, o prof. Márcio Salvato, pelo trabalho feito na logística do encontro. Obviamente, há uma reclamação: “Márcio, só pão-de-queijo não dá” ^_^.

Academia

Balanço da semana

A semana foi para cá, foi para lá, foi para cá, foi para lá…

Ok, estou brincando um pouco mas, realmente, esta semana foi cansativa. Não foi nada fácil, mas não foi desagradável. Acho que vale um breve resumo dos principais fatos:

  •  O Adolfo Sachsida foi presença marcante aqui, como nosso convidado da semana. Aliás, ontem, batemos novo recorde de acessos ao blog. Seria o efeito-Sachsida? Não sei. Mas aposto que ajudou um bocado.
  • O IV Seminário de Economia de Belo Horizonte chegou ao fim. Foi um alívio chegar ao final da manhã ontem: tudo deu certo (mas, claro, sempre há algumas falhas) e, no geral, foi um divertido encontro.
  • Ari foi apresentar nosso artigo na UFSCAR (e ainda não mandou notícias, mas imagino que foi uma boa oportunidade).

Há mais coisas, mas creio que as principais foram estas.

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Encontro Liberal: 01 e 02 de dezembro, Universidade Católica de Brasília

Quero aproveitar esse meu último post no De Gustibus para agradecer ao Claudio pelo convite. Foi ótimo ter a chance de trocar algumas idéias com os leitores desse blog. Valeu Claudio, obrigado.

Nos dias 01 e 02 de dezembro estará ocorrendo na Universidade Católica de Brasília um encontro de pensadores liberais. O Claudio tem me ajudado muito em divulgá-lo e eu estou contando com a presença dele. No momento, tenho entrado em contato com várias pessoas colhendo sugestões de temas para serem discutidos. Se você tem alguma idéia, por favor envie-a para mim (sachsida@hotmail.com). Nosso encontro não tem patrocínio de ninguém, basicamente somos um grupo de liberais cansados de ver a pobreza que nos cerca. Esse encontro é um primeiro passo para virarmos esse jogo, um jogo até agora dominado por pessoas com idéias claras de planejamento central, idéia essa que levou a ditaduras e a genocídios em todos os locais onde foi implementada.

O objetivo desse encontro é apenas um: manter as idéias liberais vivas, divulgá-las e dar uma chance para que a nova geração tenha acesso a elas. Essa missão é mais difícil do que parece. Olhem ao seu redor e verão que os ideais liberais são amplamente desconhecidos, o que não evita que os mesmos sejam duramente criticados.

A importância desse encontro é nos conhecermos, trocarmos experiências e, acima de tudo, experimentar a sensação de que não estamos sozinhos, que muitos pensam como nós. Não sei quanto a vocês, mas frequentemente sinto-me isolado. Notar que outros compartilham nossas aspirações e preocupações será algo inédito para muitos de nós.

Um grande abraço, e muito obrigado pela oportunidade

Adolfo