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Por que damos gorjeta? – Continuação

Na verdade nem é tanto uma continuação. É que os comentários lá estão muito bons e o post tornou-se o hit do dia. Quer chegar lá rápido? Clique aqui. A propósito, claro, alguém já escreveu sobre o tema. Eis o link e o resumo do artigo (o autor é o Ofer H. Azar):

The Social Norm of Tipping: Does it Improve Social Welfare?

Some economists believe that social norms are created to improve welfare where the market fails. I show that tipping is such a norm, using a model in which a waiter chooses service quality and then a customer chooses the tip. The customer’s utility depends on the social norm about tipping and feelings such as embarrassment and fairness. The equilibrium depends on the exact social norm: higher sensitivity of tips to service quality (according to the norm) yields higher service quality and social welfare. Surprisingly, high tips for low quality may also increase service quality and social welfare.

Ah, sim, dois lembretes: (a) Sushi e (b) Vergonha nacional.

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Lá vou eu para Brasília, terra de Renan…

Prezado leitor, prezada leitora e, claro, torcedores do Atlético (brincadeira, meninas, brincadeira…), este blog ficará nas mãos do Ari, do André, do Fábio e do Pedro por um bom tempo. Isto porque estarei em Brasília, na UCB, para apresentar um artigo feito com o Ari e o Jocka: The international research of academic economists in Brazil: 1999-2006.

Aproveitarei para conhecer pessoalmente o Adolfo e, quem sabe, discutir um pouco sobre o Seminário dos Liberais em dezembro.

Se tudo der certo, estarei de volta ao blog no hotel e/ou na volta.

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Uma singela homenagem ao Senado e, claro, aos eleitores brasileiros

Meu orientando Atahualpa quer trabalhar com um tema que é da alçada do André Carraro: corrupção. Ontem ele me apareceu com um artigo que, pensando no Brasil, divulgo aqui como uma primeira homenagem: Corruption and Socioeconomics Determinants:Empirical Evidence of Twenty Nine Countries.

Obviamente, eu não poderia deixar de pensar nos eleitores, os responsáveis pela eleição de “tudo isto que está aí”. Ontem eu vi muitos alunos revoltados (revoltados? Um pouco indignados, e olhe lá…) e, pensando neles, aqui vai a segunda homenagem: Tolerance of Cheating: An Analysis Across Countries.

E, last, but not least, lembro sempre deste artigo do amigo e co-blogueiro, André, com seu ex-aluno, Otávio: Educação e Corrupção: a busca de uma evidência empírica.

Espero que todos entendam a homenagem como um estímulo à pesquisa e também como um sinal de esperança de que, em algum lugar, alguém perceba que vergonha nacional é coisa séria (o link anterior é sugestão do Bender).

brasil · carga tributária

O governo é muito bom para arrecadar impostos

O caso dos Correios é típico. Hoje mesmo há uma notícia no qual se pode até sentir o peso da moral e da ética do governo: estamos a combater o contrabando no qual se usa os Correios, nosso parceiro amiguinho. Belo discurso. Quem lê, até pensa: puxa, após o que eu vi ontem, até que ainda há decência entre membros do funcionalismo público nacional. Estão todos preocupados em que o contribuinte entenda a diferença entre crime e honestidade. Balela! Querem só a arrecadação.

Isto me fez lembrar da celeuma que boa parte de nossa mídia fez quando, após o atentado terrorista de 11 de setembro, o governo norte-americano disse que se intrometeria nas encomendas dos correios (ou algo assim) para verificar o conteúdo e tal. Tinha jornalista que só faltava pedir declaração de guerra contra a administração Bush. Os mesmos jornalistas, agora, não se preocupam muito com o que a Receita está a fazer. Direitos do indivíduo, para este povo, não podem ser violados onde são respeitados, mas podem ser desintegrados onde são parcamente respeitados.

Engraçado mesmo, contudo, é este antigo texto do Philipe, sobre o correio estatal brasileiro. O caso é, digamos, tragicômico.

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Cortar impostos diminui gastos?

Gostei desse texto de Romer e Romer discutindo a relaçao entre redução de impostos e a não necessária redução de gastos. No abstract pode-se ler:

“The results provide no support for the hypothesis that tax cuts restrain government spending; indeed, they suggest that tax cuts may actually increase spending. The results also indicate that the main effect of tax cuts on the government budget is to induce subsequent legislated tax increases.”

André

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Histerese na taxa de indignação

Marcelo Soares, da Transparência Brasil, tem um ótimo texto sobre o tema, aqui. Contudo, é bom não se esquecer do que disse o Adolfo:

Claro que temos o direito de nos indignarmos com mais essa palhaçada do Senado. Mas não adianta querermos esconder o óbvio: os eleitores de Renan continuarão votando nele. O que me preocupa não é o fato de Renan ter sido absolvido pelo Senado; o que me preocupa mesmo é que tal como seus antecessores Renan continuará ainda por muito tempo na vida política nacional. O que me preocupa é que a população brasileira simplesmente PERDEU POR COMPLETO a capacidade de indignação.

Ontem eu perguntei sobre isto: onde estão os caras-pintadas? Conseguiram um emprego público ou abriram ONG’s e hoje vivem bem às custas do contribuinte? Este é um princípio do liberalismo que nem todos percebem: a cada qual conforme sua produtividade. Um liberal não é a favor do fim da CPMF e, ao mesmo tempo, da manutenção dos subsídios, como neste teatro dos sindicatos. Um liberal também não aceita esta besteira de contribuição sindical obrigatória.

Mas uma coisa é você ser liberal, outra é ser economista, embora ambas possam se confundir. Como liberal, então, eu também acho engraçado como a moral dos eleitores é realmente sacana, tal como o Adolfo diz. Mas, como economista, minha pergunta é: por que a capacidade de se indignar é tão baixa?

Mais ainda: será que o norte-americano ou o japonês se indigna mais do que o brasileiro com relação a palhaçadas como esta? Por que tanta histerese com relação ao tamanho do governo? É, realmente, mais barato viver em uma sociedade “rent-seeker”? Como os incentivos, no Brasil, criaram esta ausência de indignação (eis a histerese) permanente?

Aliás, vamos seguir o receituário dos tradicionais proponentes da intervenção do governo: se há histerese na taxa de desemprego, temos que intervir para mitigá-la. Ok, eu gosto da idéia de cursos de aperfeiçoamento para trabalhadores, embora eu tenha dúvidas sobre o impacto destes cursos no bem-estar (quanto custa? Quanto de emprego gera? Alguém no governo fez esta conta? Ou o tio Mangabeira já mandou demitir o cara que se preocupava com isto?).

Se há histerese na taxa de indignação, e se você segue o receituário keynesiano (como se auto-declaram alguns pterodoxos da ekipeconômica, como diria o Gaspari, sempre tão irônico quando o tema era FHC…), então você deveria propor um aumento dos gastos em campanhas para gerar indignação nas pessoas.

Pensando bem, o que foi feito pela conhecida figurinha oriunda da UNICAMP no Congresso ontem segue bem esta receita. Talvez a conclusão seja a de que Renan Calheiros até tentou, mas não conseguiu gerar indignação suficiente. Antes dele, muita gente do partido do presidente da Silva tentou, mas de nada adiantou.

Piadas à parte, permanece a pergunta: por que tanta falta de indignação? Meu palpite: com uma carga tributária próxima de metade do PIB (40%), é barato ser “rent-seeker” (mais barato do que inovar, concorrer, pensar no mérito das pessoas para lhes dar promoções) e mentiroso (dizer que não votou neste ou naquele sujeito que está no governo hoje é barato, você não precisa ser honesto…tal como visto na votação de ontem).

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O meio ambiente continuará o mesmo, apesar do etanol

“Con los biocombustibles no se ahorran emisiones de CO2”

Pergunta para alunos de economia: Se o que o Nobel de Química aí acima disse está correto (assuma que sim, para fins de análise) que interesses, então, são os responsáveis pelo discurso pró-etanol? Quem ganha e quem perde com a adoção (entusiasticamente apoiado por setores do governo) deste combustível?

Claro, a outra pergunta é se o que ele diz está correto, mas nada garante que não haja muita gente por aí soltando desinformações para conseguir subsídios (às custas do bolso do contribuinte).

Academia · direitos de propriedade · economia · pterodoxos · sociologia

Sociólogos e os Direitos de Propriedade

No “mundo-menos-o-Brasil”, é comum encontrar economistas heterodoxos sérios. Mais ainda, é comum também encontrar economistas heterodoxos sérios que levam a sociologia mais a sério do que os sociólogos.

Nicolai Foss é um destes economistas. Há anos eu comprei um livro seu, interessante, sobre economia austríaca, composto de vários pequenos artigos (minha visão não o alcança em minha mini-biblioteca, no momento). Um deles, se não me engano, fazia um pouco de História do Pensamento Econômico sobre Coase, Mises e os direitos de propriedade.

Pois é. Faz tempo que eu não leio os artigos do prof. Foss, mas apenas seu blog. E olha só que indagação interessante ele faz em um texto publicado hoje.

I just finished reading Bruce Carruthers and Laura Ariovich’s ”The Sociology of Property Rights,” published in The Annual Review of Sociology (2004) (no, Brayden, O&M is not the anti-sociology blog). This is a nice piece, but it is debatable how much of it is sociology per se. In actuality, most of the paper, which given the journal (research annual) that it is published one would expect to survey sociology contributions, turn out to be a survey of — economics. Specifically, the contributions of Coase, Demsetz, Barzel, and even Moore and Hart are highlighted and summarized. The authors themselves acknowledge that sociology “neglects” property rights. Others have made similar observations (e.g., Richard Swedberg).

This neglect of property rights is bizarre; after all, property rights, in a sort of proto-Hartian understanding, were central in Marx’ thought. Durkheim and Veblen also didn’t neglect property rights. Intuitively, one would think of property rights as a preeminent sociological theme, as it involves power, social stratification, inequality, and other sociology favorites. So, what accounts for the neglect?

A pergunta é bem interessante. Desde as contribuições de Coase (ok, antes dele outros falaram do tema, como Mises, reconheçamos, mas não com a mesma capacidade comunicativa), a questão dos direitos de propriedades, gradativamente, tornou-se importante nas análises econômicas.

Como em toda agenda de pesquisa, apesar dos pterodoxos de sempre, o conceito evoluiu e as análises teóricas se sofisticaram em diversos aspectos (matemático, abrangência, etc). Hoje, um economista consegue dissertar sobre o tema com bastante desenvoltura.

Mas a festa não pára por aí. Interessados em estudar o tema, procuraram os colegas do Direito e hoje, por exemplo, existem diversas associações, como a ALACDE.

A impressão que dá é que os auto-denominados pluralistas da “sociolândia” isolaram-se contra a concorrência das idéias de outras áreas e adotaram o monocórdio – e improdutivo – discurso do “isto não é marxismo”, “isto não é novidade”, “isto é ciência burguesa”, “isto não nos ajuda a compreender a realidade” (como se a luta de classes ajudasse…se bem que Marx disse que o importante não era entender, mas mandar mata…digo, mudar a realidade).

Claro, há exceções, estatisticamente falando. Mas eu não conheço nenhum sociólogo brasileiro sério quanto ao tema, então não posso nem citar exemplos.

Mas é irrelevante saber se há sociólogos, pedagogos, veterinários ou botânicos imunizados contra o tema dos direitos de propriedade. O ponto mais importante é que, quem deseja estudar o tema, estuda. Quem não quer, que vá fazer outra coisa. Talvez a pergunta de Foss tenha uma resposta óbvia: o silêncio ecoa a honestidade dos silenciosos porque os mesmos realmente não se metem a dizer asneiras sobre o que não entendem (e/ou não pesquisam).

Prefiro pensar assim do que imaginar que haja sacanagem na academia, embora eu saiba que, sim, isto existe às pampas.

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Encontro Liberal em Brasília

Nosso encontro de pensadores liberais está tomando forma: a Universidade Católica de Brasília aceitou fornecer parte de suas instalações para nosso encontro. O encontro ocorrerá nos dias 01 e 02 de dezembro (sábado e domingo). Já temos um local. Já temos as datas. Em breve teremos os temas. Se queremos mudar nosso país, esse parece ser um passo importante. Conto com vocês em Brasília.

O prof. Adolfo Sachsida já conseguiu local e datas. Vamos ver se consigo me agendar para um dos dias, ou ambos.

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Por que damos gorjeta?

David Friedman se faz esta pergunta. Vou citar um trecho, mas leia tudo.

Why do we tip waiters, taxi drivers, and others? Why is tipping a common custom in some societies but not in others?

The obvious economic explanation is that tipping provides a way in which the customer’s information on quality of service can be used to reward good service and penalize poor. That explains why tipping is not limited to unusually good service; if the tip for average service is zero, the customer cannot reduce it further to punish unusually poor service.

This explains why we should tip but not why we do. A regular customer at a restaurant may regard the benefit as a private good, an incentive not to provide good service but to provide good service to him. But that does not apply to the passenger in a taxi, who is unlikely to ever see the driver again, or to the traveler who eats at a different restaurant every night. Yet they too tip.

Friedman prossegue e especula sobre a diferença entre europeus e norte-americanos. Eu pergunto a você, leitor: e os latino-americanos?

economia

Microsoft vs Goldman Sachs

Recentemente, Goldman Sachs está vencendo. Não entendeu por que?

Então leia isso.

Pequeno resumo:

(…)The number of smart kids studying computer science peaked a few years ago and has dropped dramatically since.

(…)Meanwhile, elite schools are reporting that the number of economics majors is exploding. For the 2003–2004 academic year, the number of economics degrees granted by U.S. colleges and universities increased 40 percent from five years previously. Economics is seen by bright undergraduates as the path to a high-paying job on Wall Street or at a major corporation.

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A economia política da mudança do discurso

Antigamente, mas muito antigamente, na época do regime militar, quando um oposicionista queria dizer algo bonito, na faculdade, ele falava da impossibilidade de se separar o “positivo” do “normativo”. Trata-se de um argumento totalmente falho e bem maldoso porque, na verdade, tenta apelar para o lado emocional da discussão (“você considera este frio economista um sujeito qualificado para falar sobre a vida das pessoas? Ou considera este barbudo de bandeira soviética na mão, que toma cerveja com os alunos no horário da aula e se indigna com a pobreza?”).

Bem, os tempos mudaram, a oposição chegou lá e, quando uma discussão bem sensível chega a seu (triste) fim, o que dizem os bons e velhos economistas “normativos”?

“Quem está falando aqui é o ministro da Fazenda e eu não vou me imiscuir nas questões do Congresso. Isso é uma agenda do Senado, por eles tem que ser resolvida. Eu opino sobre questões econômicas”

Entendeu?