demografia · história

População européia, ao longo dos milênios?

Eis uma divertida viagem por meio de um único mapa.

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autoritarismo · bolivarianismo · brasil · economia · falhas de governo · IPEA · pterodoxia

Desastre no IPEA (A Economia Política da Esquerda Brasileira)

A blogosfera chapa-branca não falou nada, mas o Duke apontou uma importante inflexão na maneira como se trata a independência de técnicos do governo na administração do sr. da Silva:

Pela milésima vez, falando de trocas no governo. Podem achar que é perseguição minha, mas os primeiros resultados já começam a aparecer. Primeiro saiu o Marcos Lisboa, depois saíram o Joaquim Levy, Murilo Portugal, Loyo, Afonso Bevilaqua, e não se falou mais nada. Substituindo estes, entre outros, estão Guido Mantega, Luciano Coutinho, Arno Augustin, Mangabeira Unger (responsável pelo IPEA agora), além de figuras efêmeras, como o Júlio Gomes de Almeida (que voltou para o IEDI, depois de passagem na Secretaria de Política Econômica). E não se fala nada! Aí, abro o jornal e leio a seguinte notícia (Painel – Folha de São Paulo – 7/9/2007):

“Não se sabe o que Mangabeira Unger fará no longo prazo, mas, de imediato, decidiu acabar com o Grupo de Conjuntura do Ipea, que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desde sempre hostilizou por considerar repleto de tucanos. O grupo, no qual se destacam nomes como Fábio Giambiagi, existe há cerca de 30 anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que em junho passado migrou do guarda-chuva do Ministério do Planejamento para o da recém-criada secretaria do professor de Harvard. Embora já tenha recebido aval do governo, Mangabeira enfrentará reação externa. Um dos que se movimentam na tentativa de salvar o Grupo de Conjuntura é o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso.”

Isto me lembra de um destes poemas que circulam na internet, de autoria que se tornou desconhecida (se alguém souber, favor enviar) que diz assim:

“Primeiro, eles vieram buscar os comunistas. Não disse nada, pois não era comunista; Depois, vieram buscar os judeus. Nada disse, pois não era judeu; Em seguida, foi a vez dos operários. Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado; Mais tarde, levaram os católicos. Nem uma palavra pronunciei, pois não sou católico. Agora, eles vieram-me buscar a mim, e quando isso aconteceu, não havia mais ninguém para protestar.”

Bom, estamos chegando perto da hora em que não será mais possível protestar…

Eu simplesmente não acredito nas besteiras que ouço. Quer dizer que criar (mais) um canal de TV do governo não é tentativa de ideologização, mas implodir o grupo de conjuntura do IPEA é legítima decisão administrativa? Pelo amor de Deus. Só sendo blogueiro e/ou jornalista muito comprometido com causas estranhas (ou com algum dinheiro no bolso, ou privilégios em “furos” jornalísticos) para achar isto tão normal quanto a previsão de tempo.

Eis a economia política (as famosas “falhas de governo”) em ação, novamente, desta vez por conta do tal Mangabeira. O mais incrível é o motivo da extinção (não o anunciado, mas o verdadeiro, aquele subjacente e que o Duke revelou de forma clara aí em cima).

Meus pêsames ao pessoal sério do IPEA e aos eleitores-cidadãos. Talvez sobre uma Bolsa-Farinha-de-Mandioca ou, como diziam na época de Miguel Reale (ele mesmo dizia muito isto): “tem gente que ficará bem satisfeita com um prato de lentilhas”. O voto por um prato de lentilhas. Reale deve estar se revirando no caixão…

escravidão · história econômica

O navio negreiro fantasma

Nathan Nunn

NBER Working Paper No. 13367
Issued in September 2007
NBER Program(s):   ITI

—- Abstract —–

Can part of Africa’s current underdevelopment be explained by its slave trades? To explore this question, I use data from shipping records and historical documents reporting slave ethnicities to construct estimates of the number of slaves exported from each country during Africa’s slave trades. I find a robust negative relationship between the number of slaves exported from a country and current economic performance. To better understand if the relationship is causal, I examine the historical evidence on selection into the slave trades, and use instrumental variables. Together the evidence suggests that the slave trades have had an adverse effect on economic development.

Pergunta relevante e um artigo que promete. Vai para o caderninho dos artigos que não pude ler porque não tive tempo e/ou orientando que, realmente, quisesse e tivesse condições para explorar o tema. Não me leve a mal, mas é difícil encontrar um aluno que realmente entenda o que é História Econômica (pelo menos na minha vizinhança).

Academia · estudar · incentivos

Como eu estudo?

A boa “Economia Aplicada”, da USP, no início, tinha uma seção que se chamava: “como eu pesquiso”. Outro dia, aqui, eu citei o que dizia o Philipe Berman sobre a importância do auto-estudo.

Queria complementar e ampliar um pouco o que eu disse (outros comentários sobre o tema são bem-vindos).

Eu sempre assisti às aulas – lógico que falhava a uma ou outra (ou saía para beber água no meio de algumas) – mas eu nunca fugi da responsabilidade: as bibliotecárias me conhecem até hoje. Eu sempre me enfurnei em bibliotecas (inclusive aos sábados) quando precisava estudar.

Na minha visão, todo mundo tem um potencial semelhante para o aprendizado. Entretanto, cada qual tem um ritmo distinto. Se você não cobrar, tem sujeito que só aprenderá, digamos, Cálculo I aos seus 70 anos de idade. Portanto, sim, você pode não ir à aula e estudar em casa. Mas a segunda parte (“estudar em casa”) não pode ser apenas uma fantasia.

Tem gente que consegue estudar ouvindo rádio. Eu nunca consegui. Uma música em volume bem baixinho, vá lá. Talvez o mais adequado seja o sujeito sentar-se em posição anatomicamente correta, concentrar-se (como se estivesse no início de uma aula destas artes marciais) e, com o mesmo espírito de crescimento espiritual que demonstra na academia de Judô, enfrentar o livro.

É importante lembrar uma coisa: procure sempre estudar sozinho primeiro. “Conhecer-te antes do teu inimigo” ou algo assim. Você jamais saberá quais seus limites e dificuldades se não tentar sozinho, sem papai, mamãe ou amiguinhos (como dizem no colégio). Somente depois de um enorme esforço de auto-aprendizado é que se deve procurar colegas, monitores ou, sei lá, o professor.

Meu próximo e-book, já aviso, será sobre isto. Uma pequena apostila com dicas e conselhos de alguém que, na adolescência, sabia que era ruim e devorava livros de dicas sobre como estudar. Várias delas eu acabei assimilando e não me lembro mais de onde as li. Vejamos se consigo deixar alguma mensagem útil para os mais novos.

Alguém tem observações sobre o tema? Os blogueiros daquela história do sushi são convidados a desenvolver o mesmo tema (e me avisar!!).

economia · incentivos

Incentivos

Falando em crianças – ninguém falou em crianças, mas quem se lembra disto no intervalo do almoço? – eis alguns incentivos soviét…digo…russos para o aumento da população russa:

Na luta contra baixas taxas de natalidade, o governador do Estado russo de Ulyanovsk, Sergei Morozov, incentiva casais a tirarem folga nesta quarta-feira, 12, e trabalharem na concepção de crianças.

O incentivo não fica nisso: Morozov oferece ainda vários prêmios aos casais que tiverem bebês em exatamente nove meses, no dia nacional da Rússia, o 12 de junho. Os bebês nascidos no dia da Rússia ganham carros, televisores e outros agrados.

Esse é o terceiro ano consecutivo que Ulyanovsk, na região central da Rússia, premia os pais de bebês nascidos em 12 de junho. Neste ano, o grande prêmio foi um carro 4×4.

(…)O presidente russo, Vladimir Putin, também já anunciou incentivos para incentivar os casais a terem mais filhos. O segundo e o terceiro filho podem ganhar US$ 9 mil (mais de R$ 17 mil) em auxílios para educação ou compra da casa própria.

Incentivos importam. Você tinha dúvidas?

ciência econômica · economia da defesa · terrorismo

11 de setembro: what makes a terrorist?

Hoje, 11 de setembro de 2007, faz 6 anos em que as “torres gêmeas” e o Pentágono foram atacados. 6 anos se passaram e a “economia dos terroristas” se desenvolveu (dê uma olhada nisso e nisso).

Mas você sabe o que torna uma pessoa terrorista?

A primeira resposta que vêm à cabeça é baixo nível de educação, pobreza e ser muçulmano. Então dê uma olhada nisso:

“poverty does not breed terrorism, once you look at the data.” Furthermore, I show that terrorists are more likely to be drawn from the ranks of the well-educated than they are from the uneducated and illiterate masses. And I find little evidence that terrorism is more prevalent among Muslim nations or nations with low GDP per capita and high infant mortality.

Ou seja, o que normalmente se pensa dos determinantes do terrorismo não é verdade.

Qual seria então os determinantes?
Da mesma fonte anterior:

What makes a terrorist, then, is someone with a fanatical commitment to pursuing a grievance combined with the perception that there are few alternatives available other than terrorism for pursuing that grievance – and a terrorist organisation or cell willing to deploy a would-be terrorist.

Interessante né?!

Num dia tão importante para a história da humanidade, as pessoas devem saber o que causou aquele pânico todo há 6 anos atrás. As “explicações populares” são mitigadas. Cabe a nós mostrar a verdade.

consumo · Humor

Educação: consumo ou investimento?

– E aí, educação é consumo ou investimento, meus alunos?

– Hum… Investimento.

– Correto. Mas por que?

– Porque eu espero aumentar meu salário no futuro devido à educação que estou tendo agora

– A resposta pode ser muito mais simples.

– Hã? Como assim?

– Educação é investimento porque se fosse consumo todos alunos estariam felizes por estudar…

– HEHEHEH! É verdade professor!