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Há PhD’s e PhBos…

Dani Rodrik, Princeton: “call me naive, but I also think that Mugabe would not have pursued his policies for this long if he had a better grasp of debt dynamics.”

Anil Hira: Simon Fraser University: “This article examines more carefully the oft-made hypotheses that (1) “technocrats” or politicians with an economics background are increasingly common and (2) that this “improvement” in qualifications will lead to improvements in economic policy….Using statistical analysis, the article finds that we cannot conclude that leadership training in economics leads to better economic outcomes.”

So I ask you ladies and gentlemen, who ya got??

O trecho acima é do Mungowitz/Angus. E o que podemos concluir do que foi dito acima? Basicamente, que em processos decisórios que não envolvem o mercado (como é o caso da burocracia), incentivos políticos são importantes. Enquanto no setor privado, o incentivo econômico seja o mais atuante (o incentivo político atua, mas uma perspectiva de prejuízo já muda um bocado a opinião do chefe), no setor público sua competência não é tão importante assim.

Agora, às qualificações.

Primeiro, é claro que muita gente insegura, cheia de medos, adora fazer concurso público porque não confia no diploma que acaba de adquirir e prefere um emprego estável com algum salário. Neste sentido, a estatização da economia também funciona como uma fonte de perpetuação dos problemas psicológicos de alguns carinhas.

Segundo, vamos admitir que a expertise de um economista seja sinônimo de bons conhecimentos técnicos (muito economista tem um diploma, mas não tem nada na cabeça). Suponhamos, para simplificar, que todos os economistas com diploma sejam, realmente, melhores do que os sem diploma. Dado que os incentivos políticos atuam, prejudicando o bom andamento da política econômica, o que seria melhor? Deixá-los no setor privado ou colocá-los no governo?

A resposta passa, provavelmente, pela vantagem comparativa dos economistas em relação às falhas de governo. Se as falhas forem tão fortes que não adianta colocar no governo um economista bom, a sociedade ganha mais com este economista no setor privado.

E isto nos leva à última observação que alguém provavelmente resumiria, após ler o último parágrafo, na seguinte e indignada frase: “- Mas, Claudio, isto é maldade com o povo”.

De fato, é maldade. Mas o povo elege representantes que, por sua vez, escolhem tanto burocratas como também o tamanho do governo. No exemplo simples acima, o povo poderia até desconfiar (já que todo economista inteligente diria que o tamanho do governo além do ponto ótimo não seria recomendável), mas no mundo real, no qual existem pterodoxos e economistas, as recomendações sérias podem ser expulsas do mercado das idéias pelas recomendações populistas (alguém poderia batizar isto, ironicamente, de Lei de Gresham da política econômica).

Na verdade, o que Mungowitz e Angus dizem não é algo tão novo assim. Os estudiosos de Escolha Pública se dedicam a isto desde, pelo menos, 1953, quando Arrow falou daquela incômoda impossibilidade…

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