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Abstrações e sua realidade: escolha antes que o marketing político escolha por você

Costumo dizer que às vezes tenho vontade de socraticamente parar as pessoas na rua e perguntar: “E se o Brasil perdesse a Amazônia, que diferença isso faria na sua vida?” Porque eu não consigo pensar em nenhuma. Exceto que se algum povo menos burocrático a ocupasse talvez eu pudesse comprar alguns produtos novos. Essa postura em relação à Amazônia é só um sintoma de um condicionamento geral muito fácil de observar aqui: o brasileiro, por mais pobre e impotente que seja, sempre discute qualquer assunto do ponto de vista do governante, nunca do governado. É o que eu chamo “mentalidade imperial”. Se você vai escrever um poema, fazer um espetáculo de dança ou mesmo fritar uns pastéis é tudo pelo Brasil, é sempre em função de um suposto projeto de país. E ninguém parece perceber que nada faria mais bem ao Brasil do que parar de tratá-lo como um projeto e começar a tratá-lo como um dado. O Brasil não é um sonho. É um aglomerado político de cidades. A famosa “realidade” não é necessariamente desdentada; realidade é o que quer que esteja à sua volta. É melhor fritar um bom pastel porque ele é um bem, e não porque o bom pastel é bom para o Brasil. Ele é bom para quem vai comê-lo e bom para o artista que o fez. Não existe nenhuma maneira de um aglomerado político se beneficiar de um pastel.

Eu me impressiono com o Pedro Sette desde 1997 ou 1998, quando me enviou – a pedido meu – alguns exemplares impressos de “O Indivíduo”. Havia um post dele que não encontrei no qual ele disse sua frase (para mim, célebre): “não adianta sair do Brasil. Você tem é que tirar o Brasil de dentro de você” (ou algo assim).

O trecho acima, na minha opinião, tem o mesmo sentido geral. E me faz pensar um pouco sobre estes problemas de sempre: onde estão os eleitores com suas caras pintadas? Se eles não agem porque há um dilema de ação coletiva, quem é que comandou e resolveu o dilema nos anos 90?

A galera do Partido Libertário e do Partido Federalista, ambos nascentes, deveriam pensar nisto. Se seus organizadores desejam seguir uma linha liberal-libertária, precisam nos dizer como resolverão o problema que o dilema gera para seus prováveis membros. Ou, melhor ainda, precisam resolvê-los. Ok, aqui a discussão fica mais confusa e abstrata, mas era só para os liberais que estarão em Brasília no final do ano pensem no assunto. Principalmente o povo mais jovem.

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