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Filme de arte, para mim, é isto

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Pedi, paguei, chegou. Agora sim, posso ver um filme de arte (marcial). Eu deveria era levar para passar em sala de aula para discutir “liderança”, “globalização”, “individualismo”, enfim, estas coisas que qualquer um adora malhar na mesa de bar.

Claudio
p.s. a cena do Jim Kelly escolhendo quatro prostitutas simultaneamente e ainda se desculpando com as outras porque o dia fôra cansativo é impagável! Eu não me lembrava!

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Este vai na íntegra

Heterodoxia
O comentário brilhante do Reinaldo Azevedo sobre o editorial do Mercadante na folha resume muito bem o grande problema do pensamento heterodoxo brasileiro. Um desconhecimento total do que é metodologia de pesquisa científica. Ciência não acha verdades. Ciência testa conjecturas e refutações. E uma teoria é apenas um mecanismo que consiga descrever da melhor forma um fenômeno observado, e só é válida até uma teoria mais geral refutar a anterior.
Como escreveu G.E.P Box – “All models are wrong but some are useful”.
Fiz minha graduação em economia em uma escola heterodoxa, a mesma aonde o deputado citado da aulas. Quando escolhi economia não sabia absolutamente nada sobre ortodoxia ou heterodoxia, e escolhi a Unicamp porque tive um grande mestre que havia se graduado e feito o mestrado em física lá. Creio que foi no segundo ano da faculdade que comecei a desconfiar do pensamento heterodoxo. Acho que foram os cursos de micro e macro os detonadores. Os professores ficavam acusando a economia ortodoxa (sempre um ser maléfico) de ignorar o mundo real, sobre o problema de agentes representativos, blá blá blá.
O problema é que nestes cursos, em especial os cursos de microeconomia, eles ficavam criticando a microeconomia “ortodoxa” , que no máximo devia representar o que era estudado em microeconomia lá em 1930. Em macroeconomia as críticas chegavam no máximo a macroeconomia dos anos 80 e olhe lá, já que em geral os professores não sabiam a matemática mínima para entender o que os macroeconomistas dos anos 80 tinham escrito. Eu, inocente, pensava – “porque estes caras não discutem o que há de mais recente em economia ?”. Bom, comecei a pegar os livros “ortodoxos” na biblioteca e tentar entender. E vi que em geral as críticas heterodoxas não faziam o menor sentido, e que os problemas que eles apontavam na teoria “ortodoxa” no máximo eram relevantes para a teoria de uns 40 anos atrás.
Quando comecei a me interessar por econometria foi o tiro final. Porque em econometria as teorias são testadas, e em muitos e muitos casos são rejeitadas. E quando isso acontece é a ciência avança em busca de uma teoria melhor. E isso é o grande mérito de uma ciência.
Um bom exemplo está no livro do Thomas Sargent – The Conquest of American Inflation . Neste livro, o Sargent, que foi um dos criadores da teoria de expectativas racionais, discute quais os problemas existentes nesta teoria e indica quais caminhos poderiam ser seguidos para a criação de uma teoria mais robusta. O próprio autor da teoria rejeita sua teoria em busca de uma explicação melhor. Para mim isto é fazer ciência.
Na heterodoxia é o contrário – é uma idolatria a seres considerados perfeitos e visionários, e cujas obras nunca poderiam ser confrontadas. Escolha o seu favorito – Marx, Keynes, Furtado, etc. Interpretar o capitalismo usando a obra destes seres livres dos pecados e falhas humanas.
O que eu acho mais interessante e desafiador da teoria econômica é o quão rápido a teoria avança para capturar eventos cada vez mais complexos e formular teorias mais robustas. E a velocidade em que a teoria avança é algo ainda mais empolgante. Tem um comentário de um livro de estatística que resume a minha visão sobre como deve ser a pesquisa científica (Prefácio da segunda edição, Monte Carlo Statistical Methods, Robert e Casella)
“It is a tribute to our profession that a textbook that was current in 1999 is starting to feel old”
Nestes 6 anos da edição de 1999 até a segunda edição em 2005 a teoria de métodos de simulação e estimação literalmente explodiu em novas técnicas e aplicações, permitindo tratar efetivamente de problemas imensamente mais complexos.
Isto é ciência para mim – não ficar buscando interpretações de obras sábias escritas há trocentos anos atrás. Outro problema da heterodoxia brasileira é que na maioria dos casos os heterodoxos não estavam nem aí para a teoria econômica, e o que escreviam eram apenas pretextos para a obter vantagens políticas.
A teoria econômica ortodoxa está sempre certa ? é claro que não. Sempre vai surgir algum novo e ambicioso pesquisador para destruir a teoria anterior e propor algo melhor. E somente por isso a teoria evolui tão rápido.

Aprendeu?

Claudio
p.s. E, acrescento: o Laurini também nunca teve aulas que falavam (bem) de economistas austríacos. Sem lhe perguntar eu garanto. O que só mostra que além da idolatria, há um medo danado da concorrência, até mesmo com outros heterodoxos.

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Produção

O final de semana promete. Há aí um almoço em que, possivelmente, irei. E, no domingo, bem, no domingo o Rai vai me desculpar, mas são dois artigos aprovados para publicação…após a revisão.

Um deles, aliás, é um do qual eu me orgulho: sou o mais burro dos quatro autores.

Claudio
p.s. todos os outros empatam em primeiro lugar, tá, fazedores de intrigas?

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A pergunta da Teaching Assistant, a vida e tudo o mais (ou “Externalidades Positivas da Blogosfera”)

A moda aqui agora é chamar monitor de “teaching assistant”. Ok, então é TA. Não estudou? Vai ficar para a TiA.

Dito isto, você lembra que outro dia eu comentei da TA me fazer uma pergunta em que passei exatas 24 horas pensando e elaborando? Pois é. Ainda não sei a resposta definitiva.

Mas eu resolvi repetir a pergunta para um bocado de gente que sempre faz a (minha) cabeça na blogosfera. Perguntei ao povo do Rabiscos, ao Leo Monasterio, aos co-blogueiros, enfim, só gente que gosta de Economia.

Resultado: está em andamento (vou editar com carinho e revisar) uma pequena coletânea de textos (*) de cunho extremamente didático, no qual cada um de nós tenta responder a mesma pergunta (ou alguma pergunta assemelhada).

Ah sim, nem todo economista lá o é de diploma. Somos liberais aqui. Philipe Maciel estuda Administração Pública, mas é um economista de nascença.

Se você quiser ver a obra final, envie-me um comentário com seu email que, “na hora dos finalmentes”, eu te mando o link.

Claudio
(*) não, não, ainda não é o “Tire a mão da minha lingüiça” que, aliás, já tem mais de vinte fenomenais crônicas de minha autoria sobre a vida, o mundo e tudo o mais. Praticamente uma obra que revolucionará a semiótica, transformando-a na totalótica. Ou seja, recupera a outra metade da ótica que estava abandonada pelos intelectuais preguiçosos… 🙂

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Preços relativos

Enquanto o Rio de Janeiro continua lindo, outro país, com infinitamente menos violência do que qualquer rua no centro de qualquer capital brasileira produz soluções para a segurança privada.

Eu diria que se há algo de relevante sobre o tal “valor do amanhã” para sua vida, esta comparação diz muito. Afinal, lá há amanhã para se preservar. Aqui, cada vez mais (olha o pessimista…), não amanhã para se valorar.

Precificação de ativos, como se sabe, só existe se existem ativos para serem precificados. 🙂

Claudio

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E a blogosfera aumenta

Mais um blog de economia. Acho que só no Rio Grande do Sul há alunos de economia talentosos (provoquei agora…mas temos o Homo Econometricum, do qual roubamos o link).

Ah sim, o Joel nos faz elogios. Eu havia me esquecido. Com ele, são DOIS os novos leitores deste blog, o que torna nosso crescimento infinito maior ainda. “Nunca antes na história deste país…”

Pois é, blogs de economia discutindo, seriamente economia, por livre e espontânea vontade dos alunos de economia me dá um sinal muito simples: há gente que gosta do que estuda (ou da profissão, se você pensar de forma mais ampla).

O fato de serem tão poucos também me mostra que, “ceteris paribus”, a maior parte dos alunos não gosta de blogs ou, “ceteris paribus”, não têm tempo para isto ou, “ceteris paribus”, bons alunos são escassos. Sim, há mais possíveis conclusões, mas fiquemos com estas.

Claudio

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