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Pergunta difícil – Os dez livros (que viraram doze) que mais me influenciaram em economia

Claudio, aceita uma sugestão de post?

Se possível, gostaria que você listasse os 10(a quantidade é apenas sugestiva)livros mais interessantes na área de economia que você leu nos últimos 10 anos(idem para o tempo).

Agradeceria muito se o fiz[e]sse.

Pergunta do Renato. Bom, temos Ari, André, Fábio e eu. Vou tentar responder a minha parte, apenas listando os livros. Se der, faço um comentário rápido.

1. Principles of Econometrics, Henri Theil – A mais elegante demonstração do BLUE que um então aluno de graduação já tinha visto.

2. Public Choice II, Dennis Mueller – A melhor coletânea de textos que desafiaram o consenso que eu carregava da aliança pterodoxa, desde minha graduação. Além disso, desmistificou e/ou alterou a visão ingênua que eu tinha do planejamento (vinda da ala séria da faculdade). Através dele eu chegaria na Lógica da Ação Coletiva (Mancur Olson) e no Calculus of Consent de Buchanan & Tullock.

3. The Armchair Economist, Steven Landsburg – Nunca terminei de ler. Mas mudou minha forma de ver e ensinar a Economia, tornando-me um Freakonomist 10 anos antes do livro de Levitt.

4. História Econômica do Brasil, Mircea Buescu – As instituições, na prática colonial, através das cartas de Duarte Coelho. Ler este livro me mostrou que história econômica já era séria no Brasil, apesar da mediocridade que tentaram me ensinar.

5. Teoria Microeconômica, Mário H. Simonsen – Uma obra de arte. Ao mesmo tempo um dos mais avançados livros da época e um compêndio de História do Pensamento Econômico.

6. Microeconomic Analysis, Hal R. Varian – Não poderia deixar de citar o livro que me mostrou o que realmente era a matemática por trás da microeconomia.

7. The Dark Side of the Force, Jack Hirshleifer – As aulas com o prof. Hirshleifer me levaram a este livro que me mostrou como pensar o conflito de forma rigorosa, ou seja, com teoria, e, além disso, obter interessantes proposições testáveis (como o “paradoxo do poder”).

8. Monetary Theory and Policy, Carl Walsh – Mostrou-me que Macroeconomia poderia existir como tema de estudo interessante. As aulas do prof. Affonso C. Pastore, se em livro fossem convertidas, seriam citadas aqui em lugar do livro do Walsh…disputa difícil, até porque ambos sejam bem diferentes em sua abordagem da economia monetária.

9. Hidden Order, David Friedman – Na mesma linha de Landsburg, outro livro que me fez um Freakonomista precoce. David Friedman me influenciou muito mais pelo seu “The Machinery of Freedom – a guide to radical capitalism”, com o qual tive, realmente, que repensar minhas noções de funcionamento do mercado. Sem ele, eu entenderia 95% menos do que Hayek disse (e olha que ainda entendo pouco).

10. Quantitative Economic Theory, Hans Brems – Conheci o livro graças ao João R. Faria e até hoje procuro fazer algo minimamente parecido com Brems no que diz respeito à elegância na modelagem teórica. Nada complicado, nenhum espaço de Hilbert e, entretanto, tudo que é essencial para se modelar um problema está lá. Um compêndio de artigos. Do mesmo autor, altamente recomendável é seu “Pionnering Economic Theory 1630-1980 – A reestatement”. Se você lê estes dois livros, não tem como não enlouquecer de amores pela Ciência Econômica.

11. Politicized Economies, Robert Ekelund & Robert Tollison – Este livro mostrou-me como a intuição microeconômica e as instituições poderiam estar juntas em uma análise histórica. Minha maior inveja na vida (ou uma das maiores) é não ter feito análise similar a dos autores (ainda) sobre o mercantilismo brasileiro.

12. Analytical Methods in Economics, Akira Takayama – Um dos livros que mais me ajudou a entender sistemas de equações diferenciais básicos. Além disso, é o único que usa kanjis (ideogramas chineses) para explicar convexidade e concavidade que já vi…inclusive mostrando que os ideogramas não são, em si, côncavos ou convexos o que, obviamente, é de uma ironia notável (e que muito me agrada).

É muito difícil responder uma pergunta como esta do Renato. Primeiro, a gente sempre pode se esquecer de um ou outro livro. Além disso, certamente eu gostaria de falar de mais livros ou de ampliar o escopo da análise para incluir livros libertários ou mesmo romances (neste caso, “The Fountainhead” da Ayn Rand, ainda que eu não seja um objetivista, é um livro que, de alguma forma, também marcou um bocado minha vida e minha visão da economia.

Agradeço a honra da lembrança para citar livros que me marcaram e convido os co-blogueiros (e eventuais visitantes do blog) a fazerem sua própria lista.

Claudio

4 comentários em “Pergunta difícil – Os dez livros (que viraram doze) que mais me influenciaram em economia

  1. Anotei a lista. Quanto a Ayn Rand, tenho dúvidas, ainda que me considera um objetivista (universalista/absolutista etc, a discussão é interminável). Intriga-me o apreço de muita gente boa (inclusive Robert Nozick, em seu magnífico “Invariances. The strucure of the objective world”), por essa tal de Rand.

    Abs.

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